Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

há mar em mim

Idealmente...

Sim, idealmente e segundo o que tinha pensado, hoje estariam a ler uma espécie de Às quintas viajamos... feito por mim própria e baseado na recente viagem que fiz à Madeira. Era o que estava planeado.

 

Acontece que na semana passada, após a toma de um potente antibiótico, livrei-me das 3 semanas de tosse. Pelo menos era o que eu pensava. Tudo parecia estar encaminhando. Segunda-feira estava tudo bem, na terça-feira cheguei a casa extremamente cansada e com uma terrível dor de garganta e ontem, após um dia em que fui professora, mas sobretudo psicóloga, cheguei a casa de rastos. Doía-me todo o corpo e nem um dedo me apeteceu mexer.

 

Resultado: hoje não haverá Madeira para ninguém, mas deixo -vos algumas fotos para criar alguma curiosidade para quando o post aparecer. Isto se eu sobreviver. (So much drama, I know!)

 

 

A Francisca

As ruas são a sua casa. O chão frio a sua cama. A heroína a sua companheira inseparável. 

Há 20 anos atrás era outra. Logicamente mais nova. Ligeiramente mais feliz. 

Francisca nasceu em berço de ouro, que é como quem diz que teve a sorte de nascer no seio de uma família com posses financeiras, que nunca deixou que lhe faltasse nada, nem mesmo a Vespa que ela exigiu aos 14 anos, numa birra descomunal que marcou o dia em que soube que os pais se iriam divorciar. 

Mimada por todos, sempre teve a capacidade de virar as atenções para si, mesmo quando eram os outros os que mais sofriam. 

Mas a vida gosta de figuras de estilo, sobretudo da ironia e, quando a Francisca lutava para concluir a sua licenciatura, colocou-lhe no caminho o Tozé. Um namorado agressivo que rapidamente lhe dominou o espírito de menina mimada e a converteu numa sombra sua. 

A Francisca que sempre tinha enfrentado os pais e exigido aquilo que julgava ser seu por direito, estava agora à mercê dos caprichos do Tozé, que era viciado em jogos de sorte e azar e que tratou, desde cedo, de iniciá-la nos meandros do mundo da droga, local que Francisca jamais conseguiria abandonar. 

Aos 28 anos deu à luz pela primeira vez, num beco escuro, uma menina da qual não consegue recordar o pequenito rosto. Nasceu morta e Francisca deixou-a embrulhada em trapos velhos junto a um contentor de lixo. Nesse dia morreu o que lhe restava de humanidade e a partir desse momento toda a sua vida foi um contínuo declínio.

Prostitui-se para conseguir o dinheiro que os pais deixaram de lhe dar. E a última vez que se recorda de ver os progenitores foi há seis anos atrás, tinha Francisca 34 e procurou-os para lhes pedir ajuda, assustada porque lhe tinham dito que tinha HIV. Mas ao segundo dia de reabilitação agrediu dois enfermeiros e fugiu, deixando definitivamente a alçada paternal que nunca foi suficiente para a segurar. 

Faz hoje quarenta anos, a Francisca, e estará morta antes das 22h, hora em que nasceu. Será brutalmente assassinada por o irmão mais novo do Tozé, após a violar uma e outra vez. 

 

O problema deve ser meu

O A. já me disse por diversas vezes que eu me impressiono com facilidade. 

Não, impressiono não é a palavra. Se vou falar-vos disto tenho de dizer as coisas tal como elas são. Eu enojo-me com facilidade. Pelo menos é o que ele acha. E eu acho que ele tem um pouco de razão, mas também acho que há por aí muita gente que precisava de fazer um curso intensivo em higiene e limpeza pessoal. Não existe? Pois deveria existir. 

 

Vamos a factos.

- Vou no carro, olho para o lado e vejo uma senhora a tirar macacos do nariz e a comer. A comê-los. Pisco os olhos, não acredito no que vejo. Mas para que não restem dúvidas a senhora repete os mesmos gestos uma e outra vez, uma e outra vez... (Aconteceu há dias.)

- Há uns anos tive uma colega de trabalho que tinha tanto tártaro nos dentes que eu era incapaz de falar com ela a encará-la, sentia-me mal com a minha atitude, mas sempre que olhava para a cara dela só via dentes num estado lastimável. Um verdadeiro horror...

- Num transporte público coletivo vai sentado à minha frente um senhor cuja cabeça é composta de caspa com cabelo e não o contrário. E não, não estou a exagerar, até fazia crosta. Fico mal-disposta só de pensar... (Aconteceu há muito pouco tempo.)

- Gente a mascar pastilha elástica de boca aberta é motivo para eu desejar falecer...

- Tenho uma vizinha que deve comprar os sacos do lixo mais baratos que há no mercado, porque não há uma semana em que ela não suje todo o prédio, (a senhora vive no último andar), com aquilo que eu chamo de sopa de lixo. O saco rompe-se sempre e ela vai espalhando sopa de lixo e, consequentemente, deixando um cheiro hediondo. O elevador torna-se um local insuportável. 

- Pessoas que cospem para o chão. Não é preciso dizer mais nada, pois não?!

 

Acham que o problema é meu ou que há por aí muita gente que precisava de ajuda?

(Imagem aqui)

 

Com esta conversa vou já tomar um banho e desinfetar-me três vezes...

 

Tenham um bom dia. 

 

 

 

Paisagens de 2017

Desde que vi o desafio - Paisagens de 2017 - lançado pela equipa do SapoBlogs que fiquei com vontade de participar.

Tive alguma dificuldade em escolher a fotografia, mas decidi-me pela simplicidade de uma foto captada bem perto da minha casa. 

Creio que é uma imagem que demonstra bem o quão belo pode ser um momento tão simples e rotineiro como pôr-do-sol, que acontece todos os dias, só temos de saber parar e admirá-lo. 

 

Aqui fica:

WaterMark_2017-11-16-20-24-32.JPG

 

Considerações de início de semana

Bom dia!

Boa segunda-feira!

 

Como estão? Eu estou a começar a semana cansada, mas de coração cheio. Tenho muitas coisas para vos contar. Quero dizer-vos como correu a surpresa que fiz à B., da qual vos falei aqui, e tenho de vos contar como foi a nossa viagem. Mas não será hoje. 

Ontem eu e o A. chegámos a casa à hora de jantar. Estávamos de rastos. Sim, que isto de viajar é maravilhoso, mas cansativo. Mas é o cansaço que melhor suportamos, sem dúvida, porque a ele estão ligadas as novas memórias e experiências, as novas pessoas e lugares que conhecemos. E é tão bom! 

Hoje vai ser um dia longo, mas eu já ando a pensar no próximo destino... 

 

Deixo-vos uma foto que tirei durante o fim-de-semana. Quem sabe onde é?

WaterMark_2017-11-25-07-43-56.JPG

 

Follow Friday (última de novembro)

Hoje é dia de Follow Friday e hoje trago-vos um blog de opinião que gosto muito de ler: Língua Afiada.

É um blog muito bem escrito e onde podem ser encontrar textos sobre a atualidade e, às vezes, sobre a sua autora, a Psicogata, que é uma querida e que gosta de debater as suas ideias com quem a visita. 

Não deixem de passar por lá...

Tenham uma ótima sexta-feira. E a quem passou por cá ontem deixo o meu muito obrigada. Gosto de vos ter cá. 

Para mim, o Natal começa hoje!

Para uns o Natal já começou. Por esta altura já muita gente foi buscar a sua árvore e tratou de enfeitá-la. Há gente que já tem presentes embrulhados e tudo, que eu bem os vejo quando vou às compras, numa luta louca com o papel e a fita-cola naquelas bancadas DIY. 

Outros haverá que nem querem ouvir falar de Natal antes de dia 20 de dezembro, são as pessoas que fazem as compras à última da hora, que amaldiçoam as filas, mas que todos os anos cometem os mesmos erros. 

Temos ainda aquele grupo onde eu penso que a maioria se insere, que é os que começam a pensar no Natal no início de dezembro. Normalmente tratam da decoração da casa no primeiro fim-se-semana do último mês do ano. Pessoalmente, creio que é o que faz mais sentido, ainda que, por uma questão de organização e economias, às vezes, no início do mês doze já tenha algumas prendinhas compradas. 

(Imagem aqui)

 

Contudo, para mim este ano será diferente. O Natal começa hoje. Dia 22 de novembro. Mas já lá vamos...

Vou-vos confessar mais um pormenor sobre a minha pessoa que vocês ainda não sabem: eu ADORO o Natal.

Adoro mesmo. Julgo que não há época mais feliz no ano. Ainda que esteja frio, ainda que seja uma das épocas do ano em que o pico de gripe dispara, ainda que haja sempre quem resmunga que o Natal já não é o que era, ainda que digam que se tornou consumista, ainda que tanta coisa! 

As luzes, as músicas, a árvore, os filmes, o aconchego da nossa casa, as comidas e a família, claro está, toda reunida. O Natal é tudo isto e mais um pouco. É aquela época em que as pessoas amolecem o coração, desaceleram o stress, apreciam o que se passa à sua volta e pensam verdadeiramente nos outros. 

O Natal é dar e também receber. Se damos amor, recebemos amor. As prendas têm apenas a importância que nós queremos. 

E para mim o Natal de 2017 começa hoje porque sei que vou fazer feliz uma das pessoas que mais adoro. Uma pessoa pequenina, que hoje terá a surpresa de saber que vai fazer uma viagem nos próximos dias, que anda a ser planeada há algum tempo, mas da qual ela nem sonha. A minha pequena B. hoje vai ficar de boca aberta quando me vir à porta da sua escolinha. E é assim que começa o Natal para mim, quando ela me der um abraço apertadinho. 

(Imagem aqui)

Desvaneios sobre os transportes públicos

Gosto de transportes públicos. Sempre gostei. Tenho pena de não andar mais vezes. 

Quanto a mim, regra geral, o nosso país está mal servido de transportes públicos. Sim, porque o país não se resume a Lisboa e Porto. Mas isso são outros quinhentos...

Os transportes públicos sempre me permitiram observar. Essencialmente observar, com o bónus de me poderem levar, também, onde quero. 

O tempo de viagem não é minimamente controlado por nós, por isso, quanto a este ponto, ao embarcar resignamo-nos. 

Há quem aproveite para dormir, quem ouça música, quem ligue à sua lista inteira de contactos, quem leia, quem jogue, quem navegue na internet, quem conte a sua vida inteira a estranhos. E existo eu. Que observo. 

Nos transportes públicos as pessoas acham-se invisíveis, julgam que não são notadas por ninguém e por isso relaxam. Colocam a sua verdadeira cara, quer esta seja de tristeza ou de alegria. Enfrentam o cansaço, a depressão, o medo, o entusiasmo. Perdem-se em pensamentos sobre as suas próprias vidas e as suas vivências. 

Nos transportes públicos tudo acontece, mesmo que tudo pareça estar no mesmo lugar. 

Quando visito um país estrangeiro, o meio de transporte que mais gosto de usar é o metro. Ele é palco de amores, desilusões, apertos, assaltos, expectativas, pressas e encontros. É um pedaço de metal que se move ao sabor do pulsar da cidade que o acolhe. 

E se pensarmos bem, os transportes coletivos são o retrato social perfeito da nossa sociedade, pois neles encerram tudo. 

(Imagem aqui)

A Dona Celeste

A Dona Celeste passa os dias à janela. Em terra de pescadores ela tem vista privilegiada para a azáfama da vila. 

Tem setenta e quatro anos e é hipocondríaca, mas não sabe. Às vizinhas diz que está sempre pior, que já não passa cá outro Natal. Ao final da tarde entretém-se a ver os homens a preparar os barcos para mais uma lide noturna e madruga todos os dias para os ver chegar com o peixe. Entre uma atividade e outra vai espreitando os namoricos dos mais novos, vai controlando a quantidade de vezes que as vizinhas saem de casa e vai vendo quem entra e sai do café da esquina. Sabe de cor os que não resistem ao chamamento do álcool, os que só vão comprar tabaco e os que não se perdem em vícios. 

Lava a roupa à sexta-feira, na máquina que o filho lhe comprou no aniversário passado, mas tem sempre algum pano para esfregar no tanque do seu quintalinho.

Às terças-feiras, de quinze em quinze dias, vai sempre visitar a sua médica de família, que lhe diz, de todas as vezes, que ela tem uma saúde de ferro. "Parece que gosta de gozar com a desgraça alheia" - pensa sempre a dona Celeste quando deixa o gabinete da médica - "Um dia hei de morrer e há de arrepender-se dessas palavras", completa o pensamento. 

Há muitos anos que é viúva. O marido foi engolido pelo mar quando Celeste tinha trinta anos e o seu filho cinco. Teve de criá-lo sozinha. Dedicou-se à costura, oficio que a mãe lhe ensinou quando Celeste não querida saber de agulhas, mas sim de namorados. 

Nunca teve uma vida feliz, mas sim conformada. Nunca saiu do seu distrito. O mundo que conhece é o da sua vila. A vida foi passando num piscar de olhos e Celeste nunca teve grandes ambições, mesmo para o seu filho. Nunca lhe incutiu um espírito aventureiro e não o deixou ir estudar para fora da sua capital de distrito. Conseguiu-o fazendo alguma chantagem emocional com o moço, que sempre foi bastante dependente da mãe. Mas pagou-lhe os estudos, com esforço e horas de trabalho extra viu o filho formar-se em economia. 

Hoje, ao jantar, Dona Celeste irá receber uma notícia que aquecerá o seu coração. Vai descobrir a alegria da palavra avó. 

IMG_20171118_085158_695.jpg

 

 

 

 

 

Sapos do Ano de 2017 - Que grande ideia! Vamos lá votar...

Através do blog do João Farinha fiquei a saber desta iniciativa da autora do blog StoneArt Portugal - a Magda Pais . O que vem confirmar que uma pessoa não se pode afastar muito daqui ou corre o risco de perder excelentes iniciativas/ideias. Vá lá que ainda cheguei a tempo...

 

Aquando dos prémios Blogs do Ano pensei que seria giro se alguém do SapoBlogs lançasse uma votação aqui para a malta do bairro. Mas giro, giro foi descobrir que a Magda passou à ação e está a organizar esta excelente iniciativa. Vão ao post dela e digam quem são os vossos nomeados. AQUI.

 

Eu enviei por e-mail, mas vou deixar-vos aqui a minha lista dos blogs em quem depositei o meu voto. Não é segredo e muitos já foram alvo de destaque nas follow fridays. São blogs de pessoas que todos os dias dão o seu contributo para que a blogosfera seja um sítio melhor e mais interessante. 

 

Eis os meus nomeados, (sinto que devia estar de vestido até aos pés para isto... ahahah!), nas diferentes categorias: 

 

- Opinião: Não é que não houvesse Língua Afiada

 

- Humor: HeteroDoméstico Oh por favorHipster Chique

 

- Moda: O blog da Kat

 

- Música: Músicas que fazem vibrar a alma

 

- Fotografia: João Freitas Farinha - Fotografia

 

- Comida: Para Jantar e Marmitar

 

- Generalista: Ouiosque da JoanaJust Smile Desabafos da Mula

Pág. 1/3