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há mar em mim

#4 Banalidades

- Ontem regressou o This Is Us e eu fiquei assim no final do episódio:

 (Imagem aqui)

Adoro esta série. Adoro. Tenho sempre pena que seja só um episódio, por outro lado, ainda bem que assim é ou a série acabaria mais depressa.

 

- Na sequência do que vos digo acima, deixem-me desabafar, eu ando uma choramingas de primeira. Isto é da idade, certo? Só pode ser da idade... 

 

- Ontem, ao cair da noite, fui caminhar. Estava frio, mas fui. Tenho de ir mais vezes. O corpo enferruja, é o que vos digo. 

 

- Vi agora num blog alguém dizer que já leu dois livros em 2018. Pessoas, 2018 está com 12 dias e ainda não são completos! Como é que conseguem? (Se calhar, se eu não blogasse, não visse o This Is Us nem o MasterChef da Austrália e não cozinhasse, talvez também conseguisse.) Admiro-vos! Porque eu ando a terminar um livro desde o ano passado... 

 

- Bom fim-de-semana! 

Os Globos de Ouro à hora de almoço

Ontem, à hora de almoço, éramos quatro à mesa, eu e mais três colegas minhas, todas mulheres. E eu e uma delas comentávamos, entre garfadas, o discurso feito por Oprah Winfrey nos Golden Globes.

Dizia eu:

- Foi um discurso poderoso, importante e ao qual ninguém deveria ficar indiferente.

- Queria que a minha filha ouvisse e visse com atenção, mas ela não está para aí virada. - responde ela.

- Sim, é um discurso que poderá ser mostrado aos alunos, nas aulas de cidadania, usando-o para debater as questões da igualdade de género. - concluo eu.

E nisto, uma terceira mulher junta-se à conversa:

- Sinceramente, aquilo foi bonito, mas senti pena dos homens. Ela estar ali a dizer que o tempo deles acabou, coitadinhos. 

 

Ia-me saindo alface pelo nariz...

O dia em que fiz 18 anos

Era setembro. Eu tinha dezassete anos, quase dezoito, e muitos sonhos em banho-maria.

Aguardava-me o 12.º ano, pela segunda vez, devido a um exame de equivalência a frequência que não fiz, por erro da secretaria da escola. Chorei muito no dia em que soube que tinha de repetir o ano. Faltava-me uma disciplina! Uma só... Nunca tinha repetido um ano. Fui à direção da escola, por sugestão de uma antiga professora que viu o meu desespero. Não fui bem recebida, pelo contrário. Culpabilizaram-me, disseram-me coisas que não deveriam, fizeram-me sentir pequena e impotente, camuflando o erro da secretaria, ou seja, da escola. Resignei-me. 

Contei aos meus pais e também eles se resignaram. 

Foi um longo verão. Não saí do Alentejo. Sabia que quando voltasse à escola os meus amigos teriam ido às suas vidas. Cada um iria para a universidade que escolheu e eu ficava para trás. Era este o sentimento com que lidava. 

Decidi, nesse verão, que mesmo antes da escola começar iria ganhar o meu primeiro ordenado e disse aos meus pais que queria ir vindimar. Iria trabalhar para o patrão do meu avô. E assim foi.

O meu avô dizia que a vindima é dos trabalhos mais difíceis que o campo tem. E ele conhecia-os a todos, porque o campo foi sempre a sua vida. A foice, a enxada, o cesto. Semear, enxertar, vindimar, apanha da azeitona, do tomate... Ele fazia tudo. Ano após ano. Uma vida inteira.

Disse-me que não era fácil e que eu se calhar teria dificuldades. Os meus pais disseram-me o mesmo, mas não me desencorajaram. 

E eu fui. Fui de braço dado com a minha determinação e no primeiro dia pude logo constatar que o trabalho do campo era tudo aquilo que eles me tinha dito e um pouco mais. No Alentejo Interior, em inícios de setembro, as temperaturas ainda rondam os 40º C, as vinhas são baixas e a vindima consiste, para quem não sabe, em cortar cachos de uvas para um balde que, quando cheio, deve ser imediatamente despejado para voltar a encher. Apanha, corta, pousa. Apanha, corta, pousa. Apanha, corta, pousa. Despeja. Apanha, corta, pousa... Um dia inteiro disto. 

Ao fim de uma hora o corpo começa a doer. Ao fim de duas já não há posição que se aguente. Ao fim de três queremos fugir. E a partir daqui ligamos o piloto automático, não pensamos nas dores, nem no calor e deixamo-nos ir...

No fim da primeira semana de trabalho recebi o meu primeiro ordenado. Era dia 10 de setembro e eu fazia 18 anos. Senti-me crescida, orgulhosa e feliz. E apesar de ter trabalhado tanto como qualquer pessoa naqueles campos, por ser mulher recebi um pouco menos que os homens. Todas recebemos. Era assim. Ainda é assim. Não só no campo. 

Soube naquele dia o quanto custa ganhar dinheiro para pôr a comida na mesa.

Ontem alguém me disse que as mulheres não sabem o valor do dinheiro. E eu ri-me. Ri-me porque a pessoa que o disse não está a atravessar o melhor momento da sua vida e, como tal, não quis entrar numa discussão vã, com alguém que psicologicamente não está bem.

Por isso, sorri. E veio-me à memória a história do meu primeiro ordenado. 

E o vencedor(a) do desafio...

"Uma foto para comemorar um ano de há mar em mim" é...

(Imagem aqui)

 

A Desconhecida!!!

 

com a foto:

 

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Parabéns, miúda! 

(Envia-me e-mail com os teus dados para receberes os prémios )

 

Quero agradecer aos restantes participantes: Mula, Happy, Robinson e Maria Araújo. Obrigada por alinharem nesta brincadeira, acreditem que tive dificuldade em escolher a foto vencedora, pois todas tinham algo com significado para mim. 

 

Deixo-vos as fotos dos participantes pela ordem em que são mencionados acima, sendo que a Happy envio-me 3 fotos:

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9 janeiro (um ano depois)

O há mar em mim nasceu a 9 de janeiro de 2017. 

Não foi uma resolução de ano novo. Nem foi muito pensado.

Nasceu de um momento mau, vou assumi-lo. De um momento em que, profissionalmente, me senti só e vulnerável. Desamparada. 

Um momento em que fiz uma pausa. A pensar em mim. Para voltar a colar os cacos. E este blog serviu de cola. Sei-o agora. 

Criei o há mar em mim para dar espaço à minha voz interior. E este blogue tornou-se um hobby, um diário, um motivador de escrita e um local de partilhas. 

Não sabia se duraria um mês, porque podia muito bem ter servido apenas para ocupar os meus dias cinzentos de janeiro. Mas depois completou um mês, três, seis... E cá estamos! Um ano depois! 

Sei que o vosso feedback foi essencial para chegar a esta marca, porque sem as partilhas, sem ficar a conhecer um pouco de cada um de vocês que passa por aqui, isto teria esmorecido.

A verdade é que nós gostamos de escrever, mas quem tem um blog, diga o que disser, gosta de receber retorno, ou confinaria a sua escrita a um caderno ou a uma página de word. 

Deste primeiro ano guardo com carinho muitos momentos. Os textos que escrevi para: Delito de Opinião, Miss UnicornChic'Ana e Triptofano. Os contos que foram sendo muito bem recebidos, havendo um que mobilizou muitos de vocês (alguns, vá...) para que a história tivesse continuidade - este é um momento que está no meu top5 deste 1.º ano de há mar em mim. As viagens, que eu gostava que fossem sempre muitas mais. As quintas em que viajámos juntos (obrigada a todos os que participaram). Os textos que foram destacados pela equipa do Sapo, quer no SapoBlogs, quer na Homepage do Sapo (obrigada!). E claro, as pessoas por detrás dos blogs que lemos (sem qualquer ordem): 

- O João Freitas Farinha, que foi a 1.ª pessoa que comentou um post meu e que tem um blog incrível, sem dúvida um dos meus preferidos; 

- A Maria, que é uma querida e está sempre bem disposta; 

- A Joana, cujo blog eu não resisto a ler;

- O Robinson, que nos leva a refletir sobre a atualidade; 

- O HD, que tem o blog mais bem disposto cá do bairro; 

- A Hipster, que lançou um livro e é um doce de moça;

- A Psicogata, que tem um dos blogues mais interessantes aqui do sítio; 

- A Desconhecida, uma miúda impecável que nos deixa ir acompanhando a sua caminhada, agora no ensino superior;

- A Happy, que começou o seu blog, mais ou menos, ao mesmo tempo que eu e que adora viajar;

- A Mimi, que tem quatros filhos e mesmo assim não fica alheia a nada; 

- O Papagaio, que tem um blog onde reina a boa disposição; 

- A Mula, que desabafa connosco e mesmo assim tem a capacidade de nos colocar um sorriso na cara;

- E a Mami, a Just, a Sofia, a Gorduchita, a Fátima, a m-M, a Osa, a Andreia, as 2mulheresemeia, a T., a Miss,  a Mariana, a M.J., a Desarrumada, o P.A., a Ana, o P.P., a Mia, a Graça, cheia, a Alice, a Kat, o Último... 

- E a todos os que passam por cá (haverá alguém?) mesmo sem terem um blog.

 

É um prazer partilhar este espaço convosco. 

 

Para terminar, deixo-vos os números do 1.º ano de há mar em mim:

- 13766 visitas;

- 56023 visualizações;

- 266 subscritores, 7 por e-mail, os restantes nas leituras. 

 

O mar que há em mim está mais completo.

 

(Imagem aqui)

 

(Às 10h, tal como combinado, irei revelar quem é o vencedor(a) da brincadeira que vos lancei para assinalar o dia. Até já...

17. Coisinhas que me irritam

Bom dia! 

 

Acreditam que não vos trazia uma irritação desde agosto?

(Imagem aqui)

 

É verdade, eu própria fiquei incrédula. E não se deixem enganar, não é sinal de que tenha andado super zen, nem nada do género. Adiante...

 

Devo dizer-vos, porque eu gosto sempre que vocês saibam a verdade, que lutei bastante contra esta irritação. Tentei ignorá-la. Tentei camuflá-la com a alegria das festividades. Tentei de todas as formas, acreditem. Mas não consegui. Portanto, aqui me têm, a uma segunda-feira gélida, a admitir que falhei e que não aguento mais ignorar este assunto... 

 

Mas como é que é possível que dinheiro da Santa Casa seja usado para salvar um banco?! COMO?!

 

Isto causa-me urticária. Isto deixa-me a hiperventilar. Isto dá-me vontade de escrever uma carta ao Marcelo!

 

Como?!

 

Se fossemos um país abundante em infantários, em lares condignos, com um serviço nacional de saúde de primeira, escolas de fazer inveja a qualquer país nórdico e forças de segurança pública bem artilhadas e treinadas para fazer frente a qualquer larápio, onde não existissem pessoas a dormir nas ruas e a passar fome, eu ainda poderia admitir que a Santa Casa de Misericórdia, uma instituição cuja missão é ajudar os mais carenciados, pudesse injetar, (como dizem os entendidos), uma quantidade de dinheiro astronómica numa instituição bancária. Mas não é o caso.

Como se explica, então, que tal aconteça? Como podemos ficar de braços cruzados a assistir, impávidos e serenos, a tal barbaridade? Como podemos achar que é normal que uma instituição de caráter social dê dinheiro a um banco? Como pode a classe política compactuar algo assim? 

Tantas perguntas que ficarão por responder... O país está envolto num suposto otimismo. A crise parece ser um fantasma do passado. E este assunto acabará por cair no esquecimento. 

(Imagem aqui)

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