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há mar em mim

Desculpem, mas vou ter de opinar sobre isto...

Ontem, julgo que como a maioria, fui espreitando o concerto solidário. Mudava aqui e ali, sempre que apareciam cantores que me causam comichão nos ouvidos, mas digamos que vi grande parte e vi o final, aquele de que se fala, que teve o Salvador Sobral como protagonista. 

Chamem-me parva, mas tenho de vos confessar que não pude deixar de rir assim que ouvi aquilo. Ri. Não o interpretei como um desrespeito, pareceu-me algo que lhe saiu naturalmente, talvez acusando a pressão de ter ficado para último, numa tentativa de usar a sua música como um hino qualquer à união... Não sei. Mas aquele protagonismo não é, de todo, a cara do Salvador e o resultado foi aquele momento/desabafo desastroso, mas caricato. Consagrando-o mesmo como um anti-herói.

Lembrei-me imediatamente da entrevista que o Salvador deu ao Alta Definição e onde confessou que não se leva muito a sério e que às vezes tem atitudes que nem ele próprio compreende, em momentos, nos concertos, que deveriam ser mais solenes e onde acaba por dizer coisas que deveriam ficar apenas na sua mente. 

Quando apaguei a tv pensei: "Salvador, o que tu foste fazer, amanhã haverá gente a querer crucificar-te.". E não me enganei. Se ele podia ter estado calado? Podia. 

Mas convenhamos que o concerto foi um gesto bonito, que marcou uma união nunca antes vista, que muito dinheiro foi angariado, (parte dele irá para os cofres do estado, pois aos 0,60cent. acrescia o IVA), mas que houve por ali muita coisa forçada, nomeadamente, a tentativa de encaixar todas as letras de músicas cantadas na desgraça que aconteceu; o agradecimento final a Marcelo Rebelo de Sousa, que representa os portugueses, mas que é o chefe máximo do governo que tem tentado descartar-se das culpas; houve celebridades a dançar e a cantarolar para as câmaras, celebrando nem sei bem o quê... Enfim, houve de tudo. 

E querem que vos diga do que gostei mais? Gostei da simplicidade de Miguel Araújo, de Rui Veloso, da chamada de atenção da Luísa Sobral, mas sobretudo, gostei da indignação de Jorge Palma, que estava visivelmente aborrecido, não por ajudar, mas porque todos os anos os incêndios se repetem e quem pode, de facto, fazer algo para evitá-los ao máximo tem andado a assobiar para o ar. Grande Jorge! 

 

 

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