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há mar em mim

Ela...

Ela é feita de antíteses. Pode passar pelo vizinho na rua e não o reconhecer, simplesmente porque não se recorda da sua cara, mas é capaz de ficar largos minutos a olhar para uma janela iluminada a pensar que vidas habitarão ali. Imagina-lhes os sorrisos e as lágrimas, os defeitos e qualidades e questiona-se "serão felizes?". Ela que não repara na hora a que passa o carteiro, às vezes, pára o que está a fazer para se questionar, naquele preciso segundo, "quantos bebés estarão a nascer?", "quantas pessoas estarão a deixar de respirar?", "quantas pessoas estarão a dizer sim ao amor da sua vida?", "quantas pessoas estão a sofrer um desgosto que pensarão jamais ser capazes de superar?".

Ela que anseia conhecer o mundo e todas as pessoas, às vezes, tem medo de sair da cama. Ela que chora a ver um qualquer filme, odeia chorar em público. Ela que ri alto e sem vergonha, gosta de passar despercebida. Ela que tem urgência em viver, muitas vezes não sabe como o fazer. Ela que é tão controlada, gosta de loucuras e anseia pelo desconhecido. Ela que já é uma mulher e ainda se sente uma menina.

Ela que é feita de antíteses.

 

 

Imagem retirada daqui.

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