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há mar em mim

Ezequiel

Ele tem um ar sombrio e assustador para quem se cruza com ele. Olha com desdém e desprezo quem o circunda e poucas são as pessoas que conseguem introduzir consigo um tema de conversa.

É uma alma solitária e nem ele sabe quando isso começou. Na verdade não tem memória de não existir solidão na sua vida. Mesmo quando vivia em casa da mãe e do padrasto sentia-se constantemente só. Jamais sentiu o calor da pele de outro ser humano, não sabe o que é um abraço e odeia apertos de mão. Cada vez mais julga que a sociedade o repugna.

Triste, errante, corcunda, nunca conseguiu fazer amigos, nem mesmo na escola primária. Todos se afastavam de si, já em miúdos temiam o seu aspeto, mas mais que isso, temia o seu olhar.

Ezequiel não sabe se é detestável ou se é ele que gera ódio à sua volta. Contudo, estas questões hoje em dia já não o afetam. É verdade que ponderou muito sobre elas no decorrer da sua adolescência, mas hoje até se sente confortável por as pessoas, no geral, o evitarem. Só desta forma tem total liberdade para colocar os seus planos em prática, sem se precisar de preocupar muito com os curiosos, porque em si nunca ninguém reparou.

(Imagem aqui)

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