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Há mar em mim

Este é um blog onde cabe um pouco de tudo. Imenso como o mar. Haverá opiniões, ideias, fotografias, textos rabiscados, será uma extensão de mim. Se chegou até aqui, detenha-se e sinta-se bem-vind@.

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O (pequeno) Pedro

Nasceu há dois meses e já foi privado de muito. A mãe, toxicodependente, não o pôde amamentar quando o colocou, a muito custo, no mundo e passadas 24h do parto escapou-se do hospital deixando-o ficar para trás.

O Pedro, um bebé que nasceu 42 semanas depois de ser concebido num beco, é magrinho, feiinho e só. Do hospital passou para uma instituição, onde passou a ser mais um entre tantos. Ninguém se compadece dele mais do que de qualquer outro que por ali se encontre.

Crescerá sem saber o que é o calor e o conforto de um abraço paternal. Nunca dirá as palavras "avô" e "avó", simplesmente porque foi privado dos conhecer. No Natal ganhará apenas uma prenda e na escola será um entre tantos, no entanto, nunca faltará ao que lhe é exigido, até ao dia em que decida revoltar-se com o mundo que lhe calhou.

Depois passará a estar menos presente, começará a culpar tudo e todos pela sua falta de sorte. Não lhe interessará que a professora de História seja simpática com ele e aparente dedicar-lhe um carinho especial. Nunca foi habituado a receber demonstrações de carinho e, aos 12 anos, fará tudo para conseguir repelir qualquer sentimento.

Aos 13 terá relações sexuais pela primeira vez, com uma rapariga três anos mais velha. Com 15 dirá pela primeira vez que tem uma namorada. Os dois lutarão para terminar o 9.º ano e dois meses depois de fazer 17 anos o Pedro será pai. Ele, que nunca conheceu nenhuma figura paterna, chorará compulsivamente no dia em que conhecer seu o filho. Sentir-se-á mais só que nunca, mas irá buscar forças não se sabe bem onde para prometer àquela criança que estará sempre presente para ela.

O Pedro, que nunca foi aconchegado, cumprirá a sua promessa e trabalhará afincadamente, todos os dias, para que o seu filho seja aquilo que quiser ser.

 

(imagem aqui)

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