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Há mar em mim

Este é um blog onde cabe um pouco de tudo. Imenso como o mar. Haverá opiniões, ideias, fotografias, textos rabiscados, será uma extensão de mim. Se chegou até aqui, detenha-se e sinta-se bem-vind@.

Há mar em mim

Este é um blog onde cabe um pouco de tudo. Imenso como o mar. Haverá opiniões, ideias, fotografias, textos rabiscados, será uma extensão de mim. Se chegou até aqui, detenha-se e sinta-se bem-vind@.

"Somos todos escritores, só que uns escrevem e outros não." Saramago

Andava eu a passear pela página da Wook, (site que visito com frequência e que julgo que todos conhecerão...), quando me deparei com o livro Enquanto Acreditar em Ti, de Raquel Strada. Da Raquel Strada? Da Strada da tv? Daquela que está sempre irrepreensivelmente vestida?

Olha...a Strada, agora, também escreve. Pensei eu. Porreiro. Gira, bem vestida e escritora. O que se pode querer mais?!

E imediatamente a minha memória foi buscar um artigo que li no Expresso o ano passado (2016), que me deixou de boca aberta, por ser uma absoluta surpresa para mim. Na altura ainda não tinha o blog, não comentei com ninguém o que tinha lido e passados uns dias já nem me lembrava do assunto, mas hoje a minha memória ressuscitou-o.

"C.S., és tão naif", estarão alguns a pensar. E eu terei de concordar, porque durante anos esta realidade passou-me ao lado, imaginando que quem vê o seu nome na capa de um livro é porque realmente o merecia, mas parece que isto não é assim tão linear.

 

(Atenção! Esclareço, antes de prosseguir, que não faço a mínima ideia de quais as capacidades de escrita da Raquel Strada e acredito que ela possa, realmente, ser a autora do livro, não é isso que está aqui em causa, de todo. Não me interpretem mal.)

 

O artigo do Expresso intitula-se: Os fantasmas que escrevem os livros dos famosos. E agora perguntam aqueles que, como eu, desconheciam esta realidade: "O quê?".

É verdade, parece que ao nível internacional isto é "o pão nosso de cada dia" e que por cá, na nossa santa terrinha, já se começa a fazer o mesmo. Passo a explicar de forma sintética: as editoras querem vender, certo? Os famosos, por serem quem são, vendem. Portanto, não importa a destreza que tenham ou não nas artes da escrita, porque as editoras contratam alguém anónimo que a possua. E não sou eu que o afirmo, é o jornalista do Expresso, atentem:

 

«As editoras querem associar um rosto mediático a um título que venda. E todas as partes saem a ganhar. Talvez aqui o leitor seja o único defraudado. Espantado? São as regras do jogo no mercado das editoras.

E como o segredo é a alma do negócio, o nome destes fantasmas da escrita nem aparece na ficha técnica (ou se aparece é de forma discreta na qualidade de ‘colaborador’) para que a ilusão da proximidade do leitor com a figura pública visada não saia beliscada e as vendas sejam um sucesso.»

 

Que acham disto? Era clara para vocês esta realidade?

Eu não consigo deixar de achar que é feita uma espécie de jogo sujo com os leitores, pois pensam que estão a comprar algo que não o é, ou que pelo menos, que não corresponde inteiramente à realidade.

As biografias, por exemplo, talvez sejam os textos que mais sentido fazem, para mim, socorrerem-se desta técnica, porque uma pessoa pode ter uma vida extraordinária para contar, mas não dominar as palavras e aí, sim, necessita de alguém que conte as suas vivências por si. Todavia, acham correto o uso de escritores fantasma quando se trata, por exemplo, de um romance?

Deixo-vos com esta interrogação, reflitam e partilhem comigo, talvez seja eu que esteja a ver este negócio com maus olhos, quando na verdade é algo, ao que parece, banal. Talvez com os vossos comentários me façam mudar de opinião...

Parece que Saramago nunca fez tanto sentido:

«Somos todos escritores, só que uns escreve e outros não.»

(Imagem aqui)

 

 

 

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