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há mar em mim

há mar em mim

A Dona Guiomar

04.07.17 | C.S.

A Dona Guiomar tem oitenta anos, mas ninguém lhe dá mais de sessenta e se não fosse a ciática, que às vezes a obriga a ficar mais tempo em casa, continuaria a fazer as suas longas caminhadas junto ao rio.

Não lhe custou envelhecer, após fazer vinte e cinco anos nunca mais se preocupou com a idade e diz muitas vezes, em tom de brincadeira, que esse é o seu segredo para a juventude eterna. Amadureceu sem se preocupar com o que o tempo lhe faria e talvez essa confiança que lhe depositou tenha sido o segredo para que ele tenha sido generoso com ela.

Só teve o primeiro cabelo branco perto dos quarenta e as rugas nunca a marcaram antes dos trinta e cinco, sem contar com aquela de expressão que tinha cravada na testa, julgava que desde sempre.

Jamais se privou de rir ou chorar, sempre foi uma mulher de emoções fortes, e com quatro filhos orgulha-se de que tenha tido mais motivos para rir.

O maior desgosto da sua vida foi a perda do marido, quando tinha setenta e cinco anos. O coração dele não aguentou e o dela andou perdido durante largos meses. Afinal, ele fora o amor da sua vida. Mas nunca foi mulher de se entregar à dor e sempre achou que as depressões eram uma perda de tempo e, eventualmente, acabou por sarar a ferida, que continua em crosta, mas que pelo menos já não está exposta.

Foi a neta Inês que, sem saber, a ajudou a sair do buraco para o qual parecia caminhar, ao vir um dia a sua casa e pedir-lhe fotos antigas para um qualquer trabalho da escola.

Havia muito tempo que Guiomar não se cruzava com aquelas fotos, hoje em dia estavam todos guardadas nos telemóveis, onde ficavam até ser necessário exibir a algum amigo a nova proeza na cozinha ou as perícias futebolísticas dos netos.

Guiomar sempre adorou ver fotografias e encontrar-se de novo com o seu passado feliz devolveu-lhe novo alento. No seu íntimo sabia que a característica que o marido sempre mais admirara em si era o seu otimismo e, naquela tarde, garantiu a si mesma que não se deixaria vencer facilmente. Arranjou-se e saiu para ir à sua cabeleireira de sempre, que ficou muito contente por a ver novamente e lhe tratou do cabelo com todo o cuidado do mundo. Depois ligou aos filhos e pediu-lhes que viessem todos jantar a sua casa naquela noite.

Foi um serão muito agradável e Guiomar disse-lhes que estava grata por poder permanecer mais uns tempos com eles. Abriu-lhes o coração e falou-lhes do pai e de como ele a tinha feito feliz a vida inteira.

Aquela noite acabou por ser uma das mais agradáveis que passaram juntos, nos últimos tempos, riram e choraram e deixaram-se embalar pelas palavras daquela mulher que transparecia ternura em todos os seus gestos.

Os filhos de Guiomar sentiram-se inspirados e, cada um à sua maneira, naquela noite agradeceram os pais e a vida que tinham e desejaram que a mãe pudesse ser eterna.

 

(Imagem aqui)

 

Antes de vos deixar

03.07.17 | C.S.

(Imagem aqui)

Ontem tropecei neste filme e ainda bem.

Não é que a história seja completamente surpreendente ou que nunca se tenha feito nada parecido, mas vale a nossa atenção, mais que não seja, porque nos leva a pensar "E se o dia de amanhã não existisse?".

Começa por ser um típico filme de adolescentes, tendo a escola como cenário principal e os problemas que por lá se passam como principal argumento. Mas cedo compreendemos que Sam, personagem principal desta ação terá de passar por uma transformação. E a história desenrola-se em torno dessa metamorfose, que não sendo surpreendente, é cativante e, em certas nuances, até inspiradora.

 

E vocês? Teriam algo para mudar se o dia de amanhã não existisse?

Eu suponho que sim, que se acabássemos por ter consciência do nosso dia final que alguma coisa mudaria, mais que não fosse, suponho que quereria aproveitar esse dia ao máximo, dando o melhor de mim e fazendo o que me faz feliz, com quem mais amo.

 

(Descobri que este filme é adaptado de um livro, suponho que as persongens do livro sejam mais densas e envolventes, fiquei curiosa...)

22. Coisas maravilhosas que o meu (pouco) dinheiro não pode pagar

02.07.17 | C.S.

Como estão neste domingo solarengo?

 

Já estavam a pensar que eu hoje não passava por cá? Nada disso...

Hoje decidi que este domingo seria completamente chill out, por isso tem passado a um ritmo lendo e despreocupado.

Mas vamos lá às coisinhas maravilhosas que reservei para esta semana.

 

Desejo n.º 1: Sandálias Marchesa (lindas, lindas, lindas...)

marchesa.jpg

 Desejo n.º 2: Vestido Alexander Mcqueen

alexandermcqueen.jpg

 

alexandermcqueen1.jpg

 

 Desejo n.º 3: Mala Fossil (sou doida por esta marca, ainda bem que não se vê muito por aí à venda, assim evito muitas lágrimas...)

 

fossil.jpg

 

Contem-me qual é o vosso artigo preferido desta semana?

O quê? Gostavam de ver os desejos da semana passada?

Não há problema, é só fazer click aqui.

 

2. Coisas parvas (que eu penso)

01.07.17 | C.S.

O mundo, tal como o conhecemos, acabou oficialmente ontem. Pelo menos não foi doloroso, mas foi custoso de ver...

Eu explico. Ontem tive de me dirigir a uma superfície comercial, precisava de uns iogurtes, azeite e mais uma ou duas coisa... Andava eu por ali, a ver se despachava as compras e... Eis que se deu! Ali, mesmo à minha frente! O mundo acabou!...enquanto uma mãe orgulhosa tirava uma foto aos seus amores (marido e filho) que pousavam junto a isto:

(Imagem aqui)

 

E eu perguntei-me se aquela família (que era de nacionalidade estrangeira) terá entrado no supermercado a pensar que iriam visitar alguma espécie de jardim botânico à moda portuguesa.

 

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