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há mar em mim

há mar em mim

Banalidades ou a compra de um relógio

23.09.17 | C.S.

Com o início do novo ano letivo senti a necessidade de comprar um novo relógio.

Ontem lá fui em busca do que pretendia. Não queria gastar muito dinheiro, (ou não podia...), mas também não queria andar com uma coisa horrorosa agarrada ao meu pulso o dia inteiro. Que uma pessoa é pobre, mas gosta de manter algum estilo, não é verdade?

Vi uma loja, outra e mais outra... E só gostava dos que custavam de 100€ para cima, pensei que me estava a boicotar a mim própria. Até que entrei numa que tinha uma marca que não conhecia, mas da qual gostei bastante: Watx.

Adorei o conceito, porque podemos mudar de bracelete com muita facilidade e há imensas cores e padrões à escolha. Cada bracelete custa cerca de 13€ e o relógio ronda os 36€, portanto, não é nada caro. Se querem confirmar as possibilidades que têm à vossa disposição podem ir aqui.

Eu não queria nada muito extravagante e tinha como critério que fosse uma cor que conjugasse facilmente com outras, (por causa da roupa), acabei por sair da loja com este:

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(Imagem aqui)

 

 Mas tenho de vos dizer que tive este bebé no pulso:

(Imagem aqui)

Apaixonei-me. É um smartwatch da Michael Kors. Além de ser lindo é um relógio com centenas de possibilidades, pois permite-nos mudar o seu aspeto sempre que queremos, para além de dar para emparelhar com o telemóvel, tem lanterna e microfone incorporado... Resumindo: um brinquedo maravilhoso e cheio de estilo.

Estava em promoção, custava 299€, demasiado para o meu bolso. Mas deixou-me a suspirar.

Disse ao A. que se me saísse o euromilhões iria comprá-lo.

Não saiu...

Tenho-me portado bem, mas julgo que o Pai Natal também não terá possibilidades de o fazer chegar cá a casa.

Contento-me com o meu Watx e a possibilidade de qualquer dia poder mudar a bracelete.

 

Beijinhos e bom sábado.

6. Coisas parvas (que eu penso)

22.09.17 | C.S.

Ouvi, um dia destes, num vídeo que encontrei no Youtube, Ricardo Araújo Pereira dizer que não acredita em talento. Pensei: "Caramba, se ele não acredita no talento é porque acredita que este se constrói e se conquista à custa de muito esforço e trabalho".

Contudo, imediatamente a seguir veio-me à cabeça o seguinte: "Quem também não deve acreditar em talento é o Tony, por isso apropria-se do trabalho dos outros...".

(Imagem aqui)

Deixem-nos em Paz, por favor!

21.09.17 | C.S.

Dia da Paz.

Hoje, na minha hora de almoço, percorria o sapo.pt,  para saber as novidades, e deparei-me com uma fotogaleria dedicada aos vários símbolos da paz, precisamente por hoje se assinalar o dia da paz.

Dei por mim a pensar que nos meus 31 anos de vida não me lembro de um momento em que a paz mundial tenha estado tão ameaçada quanto agora. Vivemos num clima de total instabilidade e terror e sentimos que estamos com um pé numa guerra mundial. A terceira.

E pergunto-me: porque quererá o ser humano viver neste limbo ameaçador? O que ganhamos em não viver em paz?

Logicamente de há paz individual, aquela que diz respeito a cada um de nós e se mede de acordo com as nossas vivências, e paz em escala maior, aquela que nos afeta a todos enquanto seres que habitam o mesmo planeta. A falta de uma e de outra é terrível. Coloca-nos expostos e em risco de nos extinguirmos.

Sei que posso estar a passar-vos uma visão muito naïf da questão, posso estar a ignorar que as guerras geram receitas e há sempre quem lucre com elas e tenha interesse em mantê-las e incentivá-las. Mas não consigo evitar ter o pensamento simplista de que seríamos todos muito mais felizes se aprendêssemos a viver com as nossas diferenças e preservássemos a paz geral. Contudo, é com mágoa que vos digo que cada vez mais isto me parece uma utopia.

Vivemos num campo minado e a qualquer hora podemos pisar um pedaço de terra proibitivo. É esta a sensação que tenho.

Dias há muitos, cada vez mais. Mas a paz é um assunto demasiado sério para não nos preocuparmos com ele.

(Imagem aqui)

Lanzarote...uma pedra no Oceano (III)

20.09.17 | C.S.

Bom dia!

Hoje trago-vos o terceiro e último post sobre a ilha Canária de Lanzarote e venho falar-vos do Parque Nacional Timanfaya. 

Lanzarote é uma ilha vulcânica e a última vez que um vulcão entrou em erupção na ilha foi em pleno século XIX. Este acontecimento devastou a vila de Timanfaya e hoje o que temos nessa área, outrora habitada, é um enorme "museu" a céu aberto de rochas vulcânicas.

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Chegar ao Parque Nacional Timanfaya é muito fácil, pois está muito bem sinalizado e quando entramos nas imediações do parque compreendemos a dedicação que os ilhéus têm para com este território e o esforço que fazem para o preservar.

Timanfaya só pode ser visitado mediante o pagamento de um bilhete que, por sua vez, nos permite fazer uma viagem de autocarro, com cerca de 50 minutos de duração. Ao longo desta viagem vamos tendo explicações sobre a área, mas sobretudo vamos sendo invadidos por um misto de sensações, despoletadas por a espantosa paisagem que nos rodeia.

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Em Timanfaya tive a sensação de que é necessário tempo. Tempo para contemplar e apreciar. Deixar que aquele deserto que nos circunda nos preencha e nos faça sentir pequenos, compreendendo que há sempre algo maior que nós.

Creio que a beleza daquele local é essa mesmo, permite-nos compreender que a beleza pode estar nas coisas mais singelas, que uma pedra pode ser tão merecedora de contemplação como um jardim.

 

 

Deixo-vos um conselho, se pretendem visitar o parque façam-no cedo, já que é um dos sítios mais visitados de toda a ilha e a afluência é enorme. Nós chegámos pouco depois das 9 horas, que é a hora de abertura do parque, e graças a essa decisão evitámos estar em fila de espera.

 

Caso queiram espreitar os posts anteriores sobre lanzarote vão aqui.

 

 

 

 

A Adelaide

19.09.17 | C.S.

Adelaide deixa-se cair sobre a cama, exausta, ainda com os sapatos de salto calçados, que hoje parecem ser feitos de chumbo. O seu minúsculo T1 está em absoluto silêncio, não se ouvem as correrias dos miúdos que vivem no andar de cima, nem as discussões conjugais que lhe chegam, todos os dias, vindas do 2.º esquerdo. 

Fecha os olhos e tenta recuperar as forças. Quase que adormece, mas subitamente põe-se de pé. Quebrou, por momentos, a sua própria regra: não se aproximar da sua cama com roupas vindas da rua, sobretudo se chega do trabalho. 

Agora terá de limpar todo o quarto e mudar os lençóis, claro está. Amaldiçoou-se por ter sido descuidada, mas conhece-se suficientemente bem para saber que se não proceder àquela limpeza não conseguirá dormir.

"Como pode ser irónica a vida..." - pensa, enquanto vai puxando a colcha e depois os lençóis.

Adelaide mete mãos à obra, sem vontade, mas com determinação. Não tarda o seu T1 estará a brilhar.

Não tem orgulho no que faz para ganhar a vida, por isso não deixa que as impurezas do exterior contaminem o seu espaço. Razão pela qual estabeleceu regras para si própria. Sempre que chega a casa troca de roupa, mas não sem antes tomar um banho demorado, esfregando todas as partes do seu corpo, como se estivesse a proceder a uma desinfestação. 

Já deixou de se martirizar pelo que faz. Aprendeu a aceitar o seu destino. Mas ainda lhe custa. Todos os dias lhe custa, ainda que o seu rosto já não o deixe transparecer. 

Agarra-se aos seus sonhos. À ideia de um dia poder voltar aos estudos, formar-se e começar do zero. Tem 23 anos e começou a trabalhar aos 16. Fugiu da casa onde era maltratada todos os dias, pelo padrasto, sem que a mãe fizesse qualquer esforço para o controlar. Julga que nunca a terão procurado, facto que, ainda que lhe tenha doído ao início, se revelou um alívio. 

Viveu nas ruas. Mendigou algum tempo e sentiu-se a pior pessoa do mundo, até que um dia a Dona Ritinha a encontrou. Ofereceu-lhe sopa quente e uma cama, algumas roupas novas e conhecimentos sobre como deveria aproveitar melhor o seu corpo.

Na noite seguinte começou a trabalhar. O seu primeiro cliente foi um sexagenário endinheirado, que cheirava a vinho e que tinha um dente de ouro. 

Adelaide não se recorda do nome dele, mas ainda hoje tem pesadelos com aquele homem. Depois de se ter entregue a ele, de se deixar usar por duas vezes, num estado de semiconsciência, ele deixou-a na mesma cama velha onde Ritinha a tinha mandado "tratá-lo com carinho, pois era um cliente habitual" e desapareceu. Ela ficou a sentir-se suja, pegajosa e malcheirosa. Chorou toda a noite e compreendeu, naquele momento, o significado da palavra solidão. 

A partir daí soube que estava completamente por sua conta e risco. Que tinha de cuidar de si, já que mais ninguém o faria. Continuou a vender o corpo porque ganhava um bom dinheiro, mas nunca deixou de lhe custar, simplesmente aprendeu a viver com isso. Foi traçando pequenos planos para si. Trabalhando para atingir pequenas metas. 

Conseguiu sair da casa da Dona Ritinha, que lhe ficava com 75% do que ganhava. Dividiu um quarto com uma colega de profissão durante algum tempo, depois conseguiu ter um quarto só para si e hoje vive no seu T1, que mantém impecavelmente limpo.

Sonha cada vez mais e melhor para si. Apesar de se sentir cada vez mais cansada. 

(Imagem aqui)

Desafio: desarrumações mentais

15.09.17 | C.S.

Bom dia! 

Como estão? Ontem não tive tempo de passar por cá, estou a tentar entrar no ritmo, é que isto de uma pessoa estar desempregada num dia e de uma hora para a outra já não estar é bestial, mas cansativo. 

Vou responder a um desafia lançado pela minha querida Happy. Vamos lá ver o que sai daqui... 

 

1 - Se te pagassem 100.000€ para posares na capa de uma revista, a segurar uma garrafa de champanhe numa mão e com alguém ao teu lado a dar-te morangos à boca vestido com o fato-de-banho verde do Borat, preferias que essa pessoa fosse o Manuel Luís Goucha ou o Fernando Mendes?

Não podia mesmo ser o Pedro Teixeira?! 

Bom...visto que a opção de recusar não está em cima da mesa, creio que escolhia o Goucha, gosto mais dos modelitos que ele veste. 

 

2 - Ias num cruzeiro, o teu barco naufragava, só havia dois sobreviventes e ambos davam à costa na mesma ilha deserta, com 4 metros x 4 metros. Teriam que obrigatoriamente conviver um com o outro todas as 24 horas do dia e ajudar-se mutuamente para sobreviver. Escolhias naufragar com o Donald Trump ou com o Kim Jong-un?

Talvez eu tentasse afogar-me... Com estas duas hipóteses. 

Mas vou escolher o Kim, pela simples razão de que me parece mais descontrolado neste momento e, ao ser eu a aturá-lo, tinha o alívio de saber que estava a fazer bem ao mundo. 

 

3 - Estás de olhos vendados numa câmara de tortura a ouvir em loop os mesmos 5 CD's. Não sabes quanto tempo vais lá estar, pode ser 1 dia, pode ser um ano. Que banda sonora escolhias: Quim Barreiros ou Ana Malhoa?

A sério?! 

Mantive a esperança de que pelo menos uma pergunta fosse sã. 

Escolho o Quim, sempre podia despejar uma garrafa de vinho, enquanto o ouvia, e recordar-me dos tempos de universitária, é que ele é presença assídua nas queimas das feitas. 

 

4 - Escolhe, rápido: uma martelada no meio da mão direita ou bater com o dedo mindinho do pé esquerdo na quina de um móvel?

Eu já parti do dedo do pé direito, precisamente por uma batida dessas, um mês antes de casar. Por isso, escolhia a martelada na mão, se fosse eu a dá-la podia controlar a força aplicada. 

 

5 - Última pergunta desta ronda: se fosses eleito presidente de Portugal, e te fosse concedido um génio da lâmpada que só te pudesse realizar um único desejo relativamente às tuas acções políticas, tu optavas por aumentar o salário mínimo para 1100€/mês ou fazer com que nunca mais houvesse um incêndio em Portugal?

Difícil, muito difícil. Acho que escolhia os ordenados. Imaginem a quantidade de famílias que teriam uma vida completamente diferente e imediatamente. 

Os incêndios podem não se dar, há sempre essa hipótese, portanto, aumentava o ordenado e depois trabalhava a sério na prevenção de incêndios. 

 

Acabou? Happy, estas perguntas eram um pouco doentias. 

Boa sexta-feira! 

 

Ah!...não é que tenham de responder...mas adorava ler as respostas do HD, do Papagaio e da Maria

Notícias atrozes

13.09.17 | C.S.

O desespero ganha muitas vezes batalhas. Voltaire

 

Acabo de deparar-me com duas notícias que reportam ao dia de ontem e que aconteceram no distrito da Guarda.

Duas notícias que jamais deveriam existir.

Duas crianças que, alegadamente, terão sido vítimas das suas próprias mães. 9 e 11 anos. Uma por ingestão de medicamentos, a outra por asfixia. Vítimas das pessoas que mais os deveriam proteger.

 

Como pode acontecer algo assim?

Pessoalmente acredito que se tratam de pessoas perturbadas, atormentadas, tanto assim é que ambas tentaram colocar termo à sua própria vida. Não o conseguiram. Terão de viver com o ato que cometeram.

 

Julgamos que uma mãe será a última pessoa a cometer um crime contra o próprio filho e, no entanto, às vezes somos surpreendidos com relatos destes.

Acredito, sinceramente, que as mulheres que o fazem julgam que se encontram no fim da linha, onde não há mais nenhum caminho para ser percorrido e onde qualquer réstia de esperança há muito que desapareceu. Talvez só a psicologia ou a psiquiatria consigam explicar algo assim. Ou talvez nem estas ciências o consigam fazer.

Para os comuns mortais estas notícias são sempre um murro no estômago.

 

 (Imagem aqui)

É apenas uma opinião pessoal

12.09.17 | C.S.

Andava eu dar uma vista de olhos nos destaques do sapo, quando me deparo com um texto que foi escrito a propósito do regresso às aulas.

A pessoa em questão decidiu escrever sobre os seus piores professores, diz que também teve muito bons professores, mas escolheu falar dos piores.

E eu pensei: "Vamos lá ler isto, é sempre engraçado ver alguém a tentar satirizar os professores, esses desgraçados que têm uma vida tão facilitada e que são tão bem pagos pelo que fazem e ainda recebem o reconhecimento geral da população.".

Agora a sério, li porque tenho noção que os professores não são perfeitos, têm falhas, não estão todos ao mesmo nível de conhecimentos e há os que têm mais ou menos jeito para lidar com crianças/adolescentes. É do conhecimento geral que em todas as áreas temos bons e maus profissionais ou viveríamos no mundo perfeito. Mas não estava preparada para este texto.

São descritas situações graves, que jamais deveriam acontecer numa sala de aula, mas que, pelos vistos, aconteceram. Contudo, não me deixa de chocar o tom de todo o texto, que não só denuncia situações estranhas, mas que goza com aspetos físicos dos "personagens" narrados ou com a forma como se vestiam. Chega a desejar que um antigo professor esteja morto. Uma pessoa que, segundo as palavras da autora da narrativa, foi expulsa da escola (e bem!!!) onde lecionava, ou seja, que terá sofrido as consequências do seu ato de loucura, (que acredito que tenham sido maiores que esta expulsão). Mas haverá necessidade de desejar-se a morte a alguém? É quase como uma concordância com a pena de morte.

Talvez eu esteja errada em achar que isto é incorreto, mas não consegui evitar vir dar-vos a minha opinião. Creio que há demasiado ódio nestas palavras e aquilo que eu julguei ser uma sátira é, na verdade, um texto maldoso.