Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

há mar em mim

há mar em mim

Idealmente...

30.11.17 | C.S.

Sim, idealmente e segundo o que tinha pensado, hoje estariam a ler uma espécie de Às quintas viajamos... feito por mim própria e baseado na recente viagem que fiz à Madeira. Era o que estava planeado.

 

Acontece que na semana passada, após a toma de um potente antibiótico, livrei-me das 3 semanas de tosse. Pelo menos era o que eu pensava. Tudo parecia estar encaminhando. Segunda-feira estava tudo bem, na terça-feira cheguei a casa extremamente cansada e com uma terrível dor de garganta e ontem, após um dia em que fui professora, mas sobretudo psicóloga, cheguei a casa de rastos. Doía-me todo o corpo e nem um dedo me apeteceu mexer.

 

Resultado: hoje não haverá Madeira para ninguém, mas deixo -vos algumas fotos para criar alguma curiosidade para quando o post aparecer. Isto se eu sobreviver. (So much drama, I know!)

 

 

A Francisca

29.11.17 | C.S.

As ruas são a sua casa. O chão frio a sua cama. A heroína a sua companheira inseparável. 

Há 20 anos atrás era outra. Logicamente mais nova. Ligeiramente mais feliz. 

Francisca nasceu em berço de ouro, que é como quem diz que teve a sorte de nascer no seio de uma família com posses financeiras, que nunca deixou que lhe faltasse nada, nem mesmo a Vespa que ela exigiu aos 14 anos, numa birra descomunal que marcou o dia em que soube que os pais se iriam divorciar. 

Mimada por todos, sempre teve a capacidade de virar as atenções para si, mesmo quando eram os outros os que mais sofriam. 

Mas a vida gosta de figuras de estilo, sobretudo da ironia e, quando a Francisca lutava para concluir a sua licenciatura, colocou-lhe no caminho o Tozé. Um namorado agressivo que rapidamente lhe dominou o espírito de menina mimada e a converteu numa sombra sua. 

A Francisca que sempre tinha enfrentado os pais e exigido aquilo que julgava ser seu por direito, estava agora à mercê dos caprichos do Tozé, que era viciado em jogos de sorte e azar e que tratou, desde cedo, de iniciá-la nos meandros do mundo da droga, local que Francisca jamais conseguiria abandonar. 

Aos 28 anos deu à luz pela primeira vez, num beco escuro, uma menina da qual não consegue recordar o pequenito rosto. Nasceu morta e Francisca deixou-a embrulhada em trapos velhos junto a um contentor de lixo. Nesse dia morreu o que lhe restava de humanidade e a partir desse momento toda a sua vida foi um contínuo declínio.

Prostitui-se para conseguir o dinheiro que os pais deixaram de lhe dar. E a última vez que se recorda de ver os progenitores foi há seis anos atrás, tinha Francisca 34 e procurou-os para lhes pedir ajuda, assustada porque lhe tinham dito que tinha HIV. Mas ao segundo dia de reabilitação agrediu dois enfermeiros e fugiu, deixando definitivamente a alçada paternal que nunca foi suficiente para a segurar. 

Faz hoje quarenta anos, a Francisca, e estará morta antes das 22h, hora em que nasceu. Será brutalmente assassinada por o irmão mais novo do Tozé, após a violar uma e outra vez. 

 

O problema deve ser meu

28.11.17 | C.S.

O A. já me disse por diversas vezes que eu me impressiono com facilidade. 

Não, impressiono não é a palavra. Se vou falar-vos disto tenho de dizer as coisas tal como elas são. Eu enojo-me com facilidade. Pelo menos é o que ele acha. E eu acho que ele tem um pouco de razão, mas também acho que há por aí muita gente que precisava de fazer um curso intensivo em higiene e limpeza pessoal. Não existe? Pois deveria existir. 

 

Vamos a factos.

- Vou no carro, olho para o lado e vejo uma senhora a tirar macacos do nariz e a comer. A comê-los. Pisco os olhos, não acredito no que vejo. Mas para que não restem dúvidas a senhora repete os mesmos gestos uma e outra vez, uma e outra vez... (Aconteceu há dias.)

- Há uns anos tive uma colega de trabalho que tinha tanto tártaro nos dentes que eu era incapaz de falar com ela a encará-la, sentia-me mal com a minha atitude, mas sempre que olhava para a cara dela só via dentes num estado lastimável. Um verdadeiro horror...

- Num transporte público coletivo vai sentado à minha frente um senhor cuja cabeça é composta de caspa com cabelo e não o contrário. E não, não estou a exagerar, até fazia crosta. Fico mal-disposta só de pensar... (Aconteceu há muito pouco tempo.)

- Gente a mascar pastilha elástica de boca aberta é motivo para eu desejar falecer...

- Tenho uma vizinha que deve comprar os sacos do lixo mais baratos que há no mercado, porque não há uma semana em que ela não suje todo o prédio, (a senhora vive no último andar), com aquilo que eu chamo de sopa de lixo. O saco rompe-se sempre e ela vai espalhando sopa de lixo e, consequentemente, deixando um cheiro hediondo. O elevador torna-se um local insuportável. 

- Pessoas que cospem para o chão. Não é preciso dizer mais nada, pois não?!

 

Acham que o problema é meu ou que há por aí muita gente que precisava de ajuda?

(Imagem aqui)

 

Com esta conversa vou já tomar um banho e desinfetar-me três vezes...

 

Tenham um bom dia. 

 

 

 

Paisagens de 2017

27.11.17 | C.S.

Desde que vi o desafio - Paisagens de 2017 - lançado pela equipa do SapoBlogs que fiquei com vontade de participar.

Tive alguma dificuldade em escolher a fotografia, mas decidi-me pela simplicidade de uma foto captada bem perto da minha casa. 

Creio que é uma imagem que demonstra bem o quão belo pode ser um momento tão simples e rotineiro como pôr-do-sol, que acontece todos os dias, só temos de saber parar e admirá-lo. 

 

Aqui fica:

WaterMark_2017-11-16-20-24-32.JPG

 

Considerações de início de semana

27.11.17 | C.S.

Bom dia!

Boa segunda-feira!

 

Como estão? Eu estou a começar a semana cansada, mas de coração cheio. Tenho muitas coisas para vos contar. Quero dizer-vos como correu a surpresa que fiz à B., da qual vos falei aqui, e tenho de vos contar como foi a nossa viagem. Mas não será hoje. 

Ontem eu e o A. chegámos a casa à hora de jantar. Estávamos de rastos. Sim, que isto de viajar é maravilhoso, mas cansativo. Mas é o cansaço que melhor suportamos, sem dúvida, porque a ele estão ligadas as novas memórias e experiências, as novas pessoas e lugares que conhecemos. E é tão bom! 

Hoje vai ser um dia longo, mas eu já ando a pensar no próximo destino... 

 

Deixo-vos uma foto que tirei durante o fim-de-semana. Quem sabe onde é?

WaterMark_2017-11-25-07-43-56.JPG

 

Follow Friday (última de novembro)

24.11.17 | C.S.

Hoje é dia de Follow Friday e hoje trago-vos um blog de opinião que gosto muito de ler: Língua Afiada.

É um blog muito bem escrito e onde podem ser encontrar textos sobre a atualidade e, às vezes, sobre a sua autora, a Psicogata, que é uma querida e que gosta de debater as suas ideias com quem a visita. 

Não deixem de passar por lá...

Tenham uma ótima sexta-feira. E a quem passou por cá ontem deixo o meu muito obrigada. Gosto de vos ter cá. 

Para mim, o Natal começa hoje!

22.11.17 | C.S.

Para uns o Natal já começou. Por esta altura já muita gente foi buscar a sua árvore e tratou de enfeitá-la. Há gente que já tem presentes embrulhados e tudo, que eu bem os vejo quando vou às compras, numa luta louca com o papel e a fita-cola naquelas bancadas DIY. 

Outros haverá que nem querem ouvir falar de Natal antes de dia 20 de dezembro, são as pessoas que fazem as compras à última da hora, que amaldiçoam as filas, mas que todos os anos cometem os mesmos erros. 

Temos ainda aquele grupo onde eu penso que a maioria se insere, que é os que começam a pensar no Natal no início de dezembro. Normalmente tratam da decoração da casa no primeiro fim-se-semana do último mês do ano. Pessoalmente, creio que é o que faz mais sentido, ainda que, por uma questão de organização e economias, às vezes, no início do mês doze já tenha algumas prendinhas compradas. 

(Imagem aqui)

 

Contudo, para mim este ano será diferente. O Natal começa hoje. Dia 22 de novembro. Mas já lá vamos...

Vou-vos confessar mais um pormenor sobre a minha pessoa que vocês ainda não sabem: eu ADORO o Natal.

Adoro mesmo. Julgo que não há época mais feliz no ano. Ainda que esteja frio, ainda que seja uma das épocas do ano em que o pico de gripe dispara, ainda que haja sempre quem resmunga que o Natal já não é o que era, ainda que digam que se tornou consumista, ainda que tanta coisa! 

As luzes, as músicas, a árvore, os filmes, o aconchego da nossa casa, as comidas e a família, claro está, toda reunida. O Natal é tudo isto e mais um pouco. É aquela época em que as pessoas amolecem o coração, desaceleram o stress, apreciam o que se passa à sua volta e pensam verdadeiramente nos outros. 

O Natal é dar e também receber. Se damos amor, recebemos amor. As prendas têm apenas a importância que nós queremos. 

E para mim o Natal de 2017 começa hoje porque sei que vou fazer feliz uma das pessoas que mais adoro. Uma pessoa pequenina, que hoje terá a surpresa de saber que vai fazer uma viagem nos próximos dias, que anda a ser planeada há algum tempo, mas da qual ela nem sonha. A minha pequena B. hoje vai ficar de boca aberta quando me vir à porta da sua escolinha. E é assim que começa o Natal para mim, quando ela me der um abraço apertadinho. 

(Imagem aqui)

Desvaneios sobre os transportes públicos

21.11.17 | C.S.

Gosto de transportes públicos. Sempre gostei. Tenho pena de não andar mais vezes. 

Quanto a mim, regra geral, o nosso país está mal servido de transportes públicos. Sim, porque o país não se resume a Lisboa e Porto. Mas isso são outros quinhentos...

Os transportes públicos sempre me permitiram observar. Essencialmente observar, com o bónus de me poderem levar, também, onde quero. 

O tempo de viagem não é minimamente controlado por nós, por isso, quanto a este ponto, ao embarcar resignamo-nos. 

Há quem aproveite para dormir, quem ouça música, quem ligue à sua lista inteira de contactos, quem leia, quem jogue, quem navegue na internet, quem conte a sua vida inteira a estranhos. E existo eu. Que observo. 

Nos transportes públicos as pessoas acham-se invisíveis, julgam que não são notadas por ninguém e por isso relaxam. Colocam a sua verdadeira cara, quer esta seja de tristeza ou de alegria. Enfrentam o cansaço, a depressão, o medo, o entusiasmo. Perdem-se em pensamentos sobre as suas próprias vidas e as suas vivências. 

Nos transportes públicos tudo acontece, mesmo que tudo pareça estar no mesmo lugar. 

Quando visito um país estrangeiro, o meio de transporte que mais gosto de usar é o metro. Ele é palco de amores, desilusões, apertos, assaltos, expectativas, pressas e encontros. É um pedaço de metal que se move ao sabor do pulsar da cidade que o acolhe. 

E se pensarmos bem, os transportes coletivos são o retrato social perfeito da nossa sociedade, pois neles encerram tudo. 

(Imagem aqui)

A Dona Celeste

20.11.17 | C.S.

A Dona Celeste passa os dias à janela. Em terra de pescadores ela tem vista privilegiada para a azáfama da vila. 

Tem setenta e quatro anos e é hipocondríaca, mas não sabe. Às vizinhas diz que está sempre pior, que já não passa cá outro Natal. Ao final da tarde entretém-se a ver os homens a preparar os barcos para mais uma lide noturna e madruga todos os dias para os ver chegar com o peixe. Entre uma atividade e outra vai espreitando os namoricos dos mais novos, vai controlando a quantidade de vezes que as vizinhas saem de casa e vai vendo quem entra e sai do café da esquina. Sabe de cor os que não resistem ao chamamento do álcool, os que só vão comprar tabaco e os que não se perdem em vícios. 

Lava a roupa à sexta-feira, na máquina que o filho lhe comprou no aniversário passado, mas tem sempre algum pano para esfregar no tanque do seu quintalinho.

Às terças-feiras, de quinze em quinze dias, vai sempre visitar a sua médica de família, que lhe diz, de todas as vezes, que ela tem uma saúde de ferro. "Parece que gosta de gozar com a desgraça alheia" - pensa sempre a dona Celeste quando deixa o gabinete da médica - "Um dia hei de morrer e há de arrepender-se dessas palavras", completa o pensamento. 

Há muitos anos que é viúva. O marido foi engolido pelo mar quando Celeste tinha trinta anos e o seu filho cinco. Teve de criá-lo sozinha. Dedicou-se à costura, oficio que a mãe lhe ensinou quando Celeste não querida saber de agulhas, mas sim de namorados. 

Nunca teve uma vida feliz, mas sim conformada. Nunca saiu do seu distrito. O mundo que conhece é o da sua vila. A vida foi passando num piscar de olhos e Celeste nunca teve grandes ambições, mesmo para o seu filho. Nunca lhe incutiu um espírito aventureiro e não o deixou ir estudar para fora da sua capital de distrito. Conseguiu-o fazendo alguma chantagem emocional com o moço, que sempre foi bastante dependente da mãe. Mas pagou-lhe os estudos, com esforço e horas de trabalho extra viu o filho formar-se em economia. 

Hoje, ao jantar, Dona Celeste irá receber uma notícia que aquecerá o seu coração. Vai descobrir a alegria da palavra avó. 

IMG_20171118_085158_695.jpg

 

 

 

 

 

Sapos do Ano de 2017 - Que grande ideia! Vamos lá votar...

19.11.17 | C.S.

Através do blog do João Farinha fiquei a saber desta iniciativa da autora do blog StoneArt Portugal - a Magda Pais . O que vem confirmar que uma pessoa não se pode afastar muito daqui ou corre o risco de perder excelentes iniciativas/ideias. Vá lá que ainda cheguei a tempo...

 

Aquando dos prémios Blogs do Ano pensei que seria giro se alguém do SapoBlogs lançasse uma votação aqui para a malta do bairro. Mas giro, giro foi descobrir que a Magda passou à ação e está a organizar esta excelente iniciativa. Vão ao post dela e digam quem são os vossos nomeados. AQUI.

 

Eu enviei por e-mail, mas vou deixar-vos aqui a minha lista dos blogs em quem depositei o meu voto. Não é segredo e muitos já foram alvo de destaque nas follow fridays. São blogs de pessoas que todos os dias dão o seu contributo para que a blogosfera seja um sítio melhor e mais interessante. 

 

Eis os meus nomeados, (sinto que devia estar de vestido até aos pés para isto... ahahah!), nas diferentes categorias: 

 

- Opinião: Não é que não houvesse Língua Afiada

 

- Humor: HeteroDoméstico Oh por favorHipster Chique

 

- Moda: O blog da Kat

 

- Música: Músicas que fazem vibrar a alma

 

- Fotografia: João Freitas Farinha - Fotografia

 

- Comida: Para Jantar e Marmitar

 

- Generalista: Ouiosque da JoanaJust Smile Desabafos da Mula

Pág. 1/3