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há mar em mim

há mar em mim

Rasgos de vida

29.08.18 | C.S.

Já deram por vocês a viver um momento e pensarem, naquele exato instante, que é único e irrepetível?

Começam a ter saudades ainda antes de terminar.

Devíamos viver para esses momentos...

O mundo desacelera um pouco.

Estamos numa bolha.

Sentimos.

Cheiramos. 

Não queremos que termine. Nunca. 

Queremos que o tempo pare. Mas ele foge.

Absorvemos tudo. 

Nada importa. 

Há o presente e é tudo quanto baste. 

Sempre. 

A vida plena.

De sabor.

Cor.

Cheiros.

Sentimentos.

A vida repleta.

De alegria.

Risos.

Sol.

Toques.

A vida completa. Num instante. 

Um para sempre fugaz e eterno. 

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(Imagem aqui)

O mês de agosto e as suas particularidades e contradições

28.08.18 | C.S.

Agosto entrou na sua última semana e nós com ele. 

Este é um mês onde, desde que sou professora, vivo sentimentos contraditórios. 

Se por um lado é o mês das minhas férias, por outro, é o mês onde, normalmente, não vou a parte alguma, porque casei com uma pessoa para quem é quase impossível ter férias em agosto. Cenário idílico, não é?

Tenho a sorte de viver no Algarve, sim, tenho a praia a menos de 5 minutos de casa. Mas já viram o Algarve em agosto? Ir ao supermercado e não perder lá duas a três horas da nossa vida é uma vitória. 

Este também é o mês em que recebo mais visitas. Ou para ser sincera, é o mês em que eu e o A. temos dificuldade em ter a nossa casa só para nós. E também isto é contraditório. Eu adoro receber a nossa família e amigos, mas ter a casa cheia, (limpar, cozinhar, lavar, repetir...), o mês todo não é, propriamente, as férias com que se sonha, pois não?

Por isso, acabo muitas vezes agosto a precisar de férias. Devia ao menos fazer uma escapadinha, não é? As como posso fazê-la se não sei se ficarei desempregada? Ainda não consegui fazer o dinheiro esticar e não dá para ir esbanjá-lo quando não se sabe se o que o futuro nos reserva é o desemprego. 

Começam a compreender a magia deste mês? 

Eu bem vos disse que é um mês de contrastes. É um mês onde tenho sempre as emoções à flor da pele, é como se estivesse com T.P.M por tempo indeterminado.

 

Mas ficam as boas memórias, os abraços, as gargalhadas, o sol que nos aquece a pele, o mar que nos refresca até à alma, os cheiros, o pôr-do-sol, as estrelas cadentes os gelados...

Fica o que importa. Permanece o que torna a vida mais feliz. 

 

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(Imagens que fui tirando ao longo do mês)

 

Encher-vos a vida de azul...

21.08.18 | C.S.

Esta semana tenho cá em casa uns amigos que me são muito queridos, por isso não tenho tido muito tempo para vir cá. No entanto, tive de vir aqui agradecer-vos pela forma como ontem tão bem receberam o meu conto. 

Os contos são um dos conteúdos que mais gosto de partilhar convosco e, talvez por isso mesmo, sejam as publicações que mais me deixam ansiosa. Não vos trazia um conto há 4 meses e não estava com muitas expectativas, mas vocês, que me estragam com mimos, passaram por cá e, uma vez mais, acarinharam as minhas palavras. Por isso, obrigada. 

 

Esta é a forma que tenho para vos agradecer...

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 ...enchendo-vos a vida deste nosso azul magnífico. 

 

 

A Teresa

20.08.18 | C.S.

"Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida..." Estas eram as palavras que não conseguia tirar da cabeça desde os acontecimentos da noite anterior. Tinha a voz de Sérgio Godinho a repetir a frase em loop na sua cabeça e nunca gostara muito de o ouvir, apreciara muito mais o Rui Veloso ou o Palma, porém não eram eles que a visitavam nestas horas de angústia.  

 

"Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida..." Teresa perguntava-se, agora, se realmente estaria perante o primeiro dia do resto da sua vida ou se seria o seu primeiro dia enquanto fantasma, sombra, aparição... Ou outra coisa qualquer que lhe queiram chamar. Sim, porque a verdade é que Teresa sentia que tinha morrido na noite anterior. 

 

"Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida..." - Pois então que seja! Que seja, raios! 

Teresa já descera ao inferno mais do que uma vez e sabia que agora estava condenada, não haveria retorno. Nas últimas dez horas passara por sentimentos completamente opostos. Sentira-se feliz e aliviada por momentos, depois foi tomada pelo medo e pelo desespero  que a levaram a esgotar todo o seu stock de lágrimas. Chegada a esse ponto, foi quando Teresa começou a ouvir a música - "Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida..." - queria fugir, mas não sabia para onde. Não havia planeado nada daqueles acontecimentos e acontecera tudo tão rápido que ela ficara ali presa, sem saber o que poderia fazer a seguir. O minúsculo T0 cheirava-lhe a morte e sabia que havia sangue um pouco por todo o lado, talvez até em si. Sabia que se tentasse fugir seria imediatamente apanhada, assim como sabia que não poderia ficar fechada para sempre num cenário de um crime. Seria agora uma criminosa? Como pode alguém passar de vítima a criminosa numa questão de segundos?

 

"Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida..." Hoje seria, efetivamente, o primeiro dia, em três anos, que ninguém lhe chamaria puta. Talvez lhe chamassem assassina, mas não puta. Hoje não lhe diriam que não sabe fazer nada, porque afinal até soube espetar uma faca no pescoço dele. Ele que agora parecia um pedaço de carne descolorado. Como pôde ela temê-lo tanto e por tanto tempo?, perguntava-se. Quantas vezes rezara baixinho para que, depois do trabalho, ele apenas a insultasse e, quanto muito, se ficasse por umas chapadas. Isso aprendera a tolerar, mas quando ele decidia pontapeá-la o mundo abatia-se sobre si. Muitas vezes, tantas!, ele só parava quando ela perdia os sentidos. Teresa nunca pensou que conseguiria aguentar tanta dor, mas de alguma forma o seu corpo era mais resistente do que aparentava. 

 

Em quarenta e um anos Teresa fora maioritariamente infeliz. Com ele lembra-se de ter vivido uns meses de felicidade. Pura. Inocente. Havia, então, acreditado que poderia ter a família com que sempre sonhara. Talvez um ou dois filhos. Mas esses meses foram-se transformando. Esfumando. Até deles não restar nada. E Teresa foi engolida por um mundo de temor e dor constantes. 

 

"Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida..." Talvez seja. Farei a chamada. Marcarei o número. 112. Não custa nada. Hoje, pela primeira vez, pedirei ajuda. 

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(Imagem aqui)

Boa semana!...

20.08.18 | C.S.

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(Imagem aqui)

 

É ou não é?

Quero desejar-vos uma ótima semana.

Eu tive um fim-de-semana muito bom. Um daqueles que nos deixa um grande sorriso na cara, sabem? 

 

Alguém por aqui tem saudades de ler um conto? Um dos meus? Desde abril que não escrevo um, mas hoje, às 11h, deixarei um por cá. 

Um conto novinho em folha, escrito de madrugada (que isto de estar de férias troca-nos os sonos e as rotinas, não é?). Porém tenho de vos avisar... O conteúdo é pesado, talvez até demasiado para uma segunda-feira, mas foi o que se arranjou. A inspiração leva-nos para onde quer... 

 

Beijinhos e boa segunda-feira. 

Passem por cá mais logo. 

Conversas de uma tarde de verão

14.08.18 | C.S.

Há dias calhou perguntar a alguém o que preferia:

- A casa dos teus sonhos ou fazeres uma volta ao mundo?

A pessoa em questão ouvia-me com atenção, sorriu e respondeu sem hesitar: 

- A casa, claro.

 

Eu já sabia que a resposta seria essa. Conheço a pessoa a quem dirigi a pergunta demasiado bem. Educou-me. Transmitiu-me valores. Sei o que a faria feliz. E sei que na minha família a maioria, se não todos, daria a mesma resposta. 

 

- Eu escolheria viajar, sem dúvida. Sem qualquer tipo de hesitação. Já viste como o mundo é grande e ao mesmo tempo tão pequeno que nos é acessível? Quem me dera poder conhecer o maior número de pessoas e culturas... 

(Imagem aqui)

 

E entretanto calei-me. Fiquei por aqui. O que eu estava a dizer, o que eu pudesse argumentar não iria fazer sentido para o meu interlocutor.

Respirei fundo... Fechei os olhos e pensei: não há nada que me ensine tanto quanto viajar. Ir a outros lugares proporciona-nos a oportunidade de nos tornarmos mais humildes e tolerantes, permite-nos relativizar e ajuda-nos a ter cada vez mais empatia e compaixão. 

O que nos ensina uma casa grande? O que nos faz enquanto pessoas um carro da marca X, Y ou Z? Muito pouco ou nada. 

Por outro lado, compreendo muito bem a escolha da casa. Vinda daquela pessoa, conhecendo o contexto em que cresceu e a forma como foi educada, sabendo as privações por que passou, sei que a resposta não poderia ser outra. A casa seria para si um sinónimo de estabilidade, uma forma de deixar de contar tostões, a realização de que havia alcançado algo, visível e palpável.

Compreendo-o. Compreendo-te, pai. Quem me dera poder dar-te a tua estabilidade e segurança. Sei que achas que a resposta que eu te dei é uma perfeita loucura. Mas de alguma forma, quando eu comecei a entender a dimensão daquilo que nos rodeia e a compreender que não temos de nascer, viver e morrer no mesmo sítio, um mundo novo abriu-se para mim e jamais quero que ele se feche. 

Apercebo-me agora que as últimas três ou quatro gerações da nossa família têm vivido confinadas entre quatro paredes. E sabes o que eu sinto? Uma enorme vontade de parti-las todas. A primeira já foi e já consegui rachar a segunda. 

Não há nada como a sensação de sentirmo-nos livres. 

Eu posso ir onde eu quiser. 

(Imagem aqui)

 

 

 

O que faz a C.S. numa segunda-feira...

13.08.18 | C.S.

...de férias (em casa)? 

 

Vai a lugares longínquos? Tem 1001 planos de atividades? Experimenta 105 novos restaurantes? 

 

Não. Nada disso. Faço muito pouco, na verdade. Sou só uma pseudo-blogger-professora-contratada-falida com uma vida muito aborrecida. Têm de compreender...

 

Vejamos:

 - Acordar sem despertador;

 (Imagem aqui)

- Tomar o pequeno-almoço sem pressa nenhuma;

- Tratar da manicura;

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 (Esta foto está no meu InstaStories, é o resultado do ponto acima e do ponto abaixo )

- Comprar um miminho para manter a pele hidratada (logo vos digo se é bom ou não);

- Ir às compras (um verdadeiro inferno nesta altura do ano no Algarve);

(Imagem aqui)

- Almoçar;

- Arranjar coragem para ligar o pc e vir aqui matar saudades vossas;

 (Imagem aqui)

- Ler um bom bocado;

- Pensar durante uns minutos que a partir de 31 de agosto estarei desempregada;

- Reprimir o pensamento anterior porque não vale a pena gastar tempo com isso, porque afinal estou de férias;

- Tratar da roupa e do jantar;

- Jantar com o A.;

- Séries/filme com o A. 

(Imagem aqui)

 

E é isto. Hoje sem praia. Que ela está aqui tão perto e acessível que posso dar-me ao luxo de não meter lá os pés nos dias em que não me apetece. 

 

E vocês? Contem-me tudo! O que fazem quando estão de férias em casa? 

Para vocês...

11.08.18 | C.S.

...uma foto do Algarve que mais gosto. 

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 Aquele que ainda não foi invadido por milhares de turistas, onde ainda existe autenticidade. O Algarve que anda a um ritmo próprio e que nos encanta com as suas cores. 

Adoro o Algarve. Aquele que sobrevive ao turismo massivo e onde ainda é possível falar com as suas gentes. 

Este é o Algarve das cores reais. Ardeu um pedaço esta semana, mas há de reerguer-se.

 

Tenham um ótimo sábado! 😘

Follow Friday de agosto

10.08.18 | C.S.

Bom dia e boa sexta-feira.

 

Como estão? Pelo Algarve as coisas já estão, felizmente, mais calmas e o ar mais respirável. 

 

E hoje é follow friday e eu quero falar-vos de um blog que leio com alguma regularidade e que me encanta com os seus textos e ilustrações. É o blog da Alice. Vão lá. Apreciem. E não se esqueçam de agradecer esta sexta-feira de céu azul.

 

Tenham um ótimo fim-de-semana e obrigada a todos os que passaram por cá nos últimos dias. 

 

 

 

O inferno aqui ao lado...

07.08.18 | C.S.

Monchique está a arder. Há dias que está a arder, mas cada dia parece uma semana. 

Todas as manhãs abro a janela e sinto que o inferno está aqui mesmo ao lado. Tenho a varanda cheia de cinza, o ar está pesado, o céu está cinzento. Quem me dera que fosse chuva, penso. Mas não é. É fumo que anda no ar e o cheiro não engana. 

O inferno anda aqui ao lado. Mas nós fazemos a nossa vida normal. Vou à praia com a família, mas a praia também é um cenário desolador. A água suja, toda ela coberta de cinza. 

Estamos de férias, mas não completamente felizes, porque ninguém é feliz quando se sinte ameaçado. E o inferno está aqui mesmo ao lado. Ao lado da minha casa, a consumir os locais que conheço.

"Tia vamos à água", pede a B. insistentemente, porque quando se tem sete anos não se vê a cinza, nem se sente o temor. E ainda bem. Não podia ser de outra forma. 

Vou com ela à água, mas a tristeza de um horizonte fumarento não me larga. 

O inferno anda aqui ao lado e eu só quero que ele vá embora. 

 

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