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há mar em mim

há mar em mim

O Artur

31.01.19 | C.S.

- Hey! Tu aí... Sim, tu. Tu que olhas para o monitor. Não adianta olhares para o lado ou tentares disfarçar. É mesmo contigo que eu quero falar. 

 

O meu nome é Artur. Nunca saberás se este é o meu verdadeiro nome, mas isso agora não interessa nada. O que interessa é que continues a ler e acredites no que te vou dizer. 

 

Eu já fui uma pessoa como tu. Já tive sonhos e já alimentei esperanças. Votava nas eleições que achava serem importantes. Casei-me, mas não tive filhos. Fui deixado ao fim do terceiro ano de casamento. Trocado por outro. Culpa minha, disse ela, que não a soube estimar. A puta. Mas amava-a. Apenas lhe bati uma vez. 

 

Eu já fui outra pessoa. Já tive uma vida. Nem sempre me escondi atrás do ecrã de um computador. Fui forçado a fazê-lo, sim, forçado.

 

"Por quem?" - perguntas. Pelos mesmos que me raptaram o cão faz amanhã cinco meses. Pelos mesmos que me obrigaram a ficar embriagado na festa da firma e a dizer aquelas alarvidades todas ao chefe. Pelos mesmo que ameaçaram matar a minha mãe se eu continuasse a ligar para a GNR a tentar pedir ajuda. 

 

Esta é agora a minha realidade. Já fui uma pessoa, mas agora já não sou. Pelo menos já não sou eu. Estou confinado a quatro paredes e tudo o que eles me disseram foi que não posso sair daqui. Não posso ver ninguém. Não me deixam fumar. Nem beber. E não, não tenho smartphone. Tiraram-mo, como deves calcular... Pensam que sou o fantoche deles. 

 

Não sei o que querem de mim, mas sei que não quero colaborar mais com eles. Não deixarei que me obriguem a fazer mais coisas contra a minha vontade. Estrangular a vizinha durante a noite foi a gota de água. Nem sequer tinha nada contra ela. A ter alguma coisa a apontar-lhe seria o facto de ela deixar sempre o carro à minha porta e não à dela. Agora nunca mais o vai tirar daqui e eu pergunto-me quem o fará. Mas não importa. Amanhã também já não vou cá estar. Mas vocês vão. E eu preciso da vossa ajuda. 

 

Estão preparados?

 

A vossa missão é contar a verdade. Tão simples quanto isso. Quando ouvirem falar de mim contem o que eu vos transmiti. Digam apenas a verdade. 

(Imagem aqui)

 

NOTÍCIA DE ÚLTIMA HORA - FOI ENCONTRADO MORTO O HOMEM DE 43 ANOS QUE VIOLOU E MATOU A VIZINHA EM ABRAVESES, VISEU. TRATAVA-SE DE UM DOENTE DA ALA PSIQUIÁTRICA DO CENTRO HOSPITALAR CONDE DE FERREIRA, NO PORTO, QUE ESTAVA DESAPARECIDO DESDE O PASSADO DOMINGO. AS AUTORIDADES JÁ ESTÃO A INVESTIGAR, MAS ACREDITA-SE QUE O HOMEM SE TERÁ SUICIDADO. 

O que queres fazer?

30.01.19 | C.S.

O que queres fazer?

 

É terrível esta pergunta.

Assustou-me no 9º ano, quando eu tinha 14 anos e tive de tomar uma decisão para o futuro. Na altura eu sabia duas coisas: que queria que o Benfica fosse sempre campeão e que as únicas aulas que me entusiasmavam verdadeiramente eram as de Português. Dessem-me textos para ler e temas para escrever e eu era uma adolescente feliz.

 

Fantasiava com o amor. Era romântica e nostálgica e sonhava com uma vida melhor. Os livros eram o meu aeroporto, numa altura em que eu ainda não fazia a mínima ideia do aspeto de um. Ninguém me ajudou na decisão, naquele ano de 2001. Porquê? Porque na minha família impera a baixa escolaridade, (os meus avós, maternos e paternos, foram toda a vida analfabetos, por exemplo.), e a minha mãe ouvia-me mas, compreendo hoje, não estava minimamente dentro do sistema de ensino e não tínhamos consciência lá em casa do peso da decisão que eu ia tomar. Sorte a minha, nunca poderia ter sido outra. As humanidades eram o que me apaixonava e os testes psicotécnicos evidenciaram isso mesmo.

 

Fiz o secundário com poucos percalços, mas um deles foi compreender tardiamente que as notas do secundário seriam o meu bilhete de acesso ao ensino superior. Por esta altura comecei a achar que queria uma vida de jornalista, (como não desejar ganhar a vida a escrever?!), ao mesmo tempo em que me rendia à fotografia, ainda que não tivesse qualquer equipamento, fascinava-me o facto de poder conservar para sempre um instante. 

 

Sonhava em viver perto do mar ou mudar-me para o Porto com a minha melhor amiga, onde dividiríamos casa e seriamos universitárias empenhadas.

 

Acontece que nada disto aconteceu. 

 

Por um infeliz acaso eu fiquei mais um ano na secundária e os meus amigos foram às suas vidas. A minha melhor amiga não foi para o Porto, nem para Lisboa, que era a sua segunda opção. Ficou em Évora. E eu? 

 

Eu senti-me meio abandonada durante uns tempos. Depois arregacei as mangas e fiz o que tinha a fazer. Trabalhei durante o verão. Fiz 18 anos e recebi o meu primeiro ordenado no mesmo dia. Entrei no 12º outra vez. Nunca tinha repetido um ano e foi estraníssimo. Saí do grupo de teatro porque já não era a mesma coisa, pois faltavam-me as minhas pessoas, mas melhorei algumas notas e concluí a que havia para concluir. Tirei a carta. E fui pensando no futuro. A professora de Português dizia-me para ler Cartas a Um Jovem Poeta, de Rilke, com o intuito de me inspirar, enquanto a professora de Psicologia me falava de um novo curso na Universidade do Algarve. Também me disse que a língua espanhola era a próxima língua a entrar em força nas escolas. 

 

E eu ponderava. Ponderei até ao último momento. Até não poder mais mesmo. E sem certezas de nada, sem exemplos próximos, tive medo de colocar os meus pais numa situação económica delicada e decidi-me pelo curso que me daria a oportunidade de ficar em casa - Línguas, Literaturas e Culturas - Estudos Portugueses e Espanhóis. 

 

Nunca sonhei ser professora, mas foi no que me tornei. A minha profissão já me deu muitos momentos felizes. E no entanto, não sei se é o que quero ser a vida toda. E este assunto é como uma dorzinha chata. Não mata, mas mói. 

 

Talvez seja só o cansaço a falar. Talvez estas palavras sejam motivadas pela quantidade insana de trabalho que tenho enfrentado ultimamente, (este ano tenho mais de 150 alunos!), mas a verdade é que estou cansada. A segunda verdade é que ainda existe em mim o sonho infantil de viver de e para as palavras. O que é uma grande idiotice, eu sei. E sim, sei como é difícil arranjar emprego hoje em dia e sei que não tenho experiência em mais nada que valha a pena para além do ensino. Eu sei tudo isso. E contudo... 

 

O que queres fazer?

 

Ainda é uma pergunta que me assusta. 

(Imagem aqui)

Um assunto que me preocupa realmente

29.01.19 | C.S.

Quem me visita com regularidade sabe a minha profissão, mas também sabe que eu não falo muito dela. Lá me queixo da instabilidade que lhe é inerente , dos concursos, de uma ou outra conversa tola à hora de almoço, mas pouco mais. 

 

Porquê? Por várias razões, desde o facto de este ser um espaço onde gasto algum (muito?) do meu tempo livre e, como tal, julgo que seja normal que me queira afastar dos assuntos profissionais, por outro lado, tenho bem definida na minha cabeça a ideia de que trabalho com menores e que o que acontece na escola não deve ser exposto, (ao contrário daquilo que muita gente faz, não é verdade? Sim, refiro-me, por exemplo, às fotos de respostas absurdas que os alunos dão nos testes e que volta e meia são colocadas nas redes sociais.). Sou completamente contra esse tipo de exposição, ainda que os alunos não sejam identificados. Acho um ato desses uma grande falta de ética. Mas cada um sabe da sua própria consciência. 

 

Mas esta conversa toda para quê? Para vos dizer que vou abrir uma exceção. Eu dou aulas há cerca de 10 anos e, neste momento, há algo que me assusta verdadeiramente nas escolas. Nada mais, nada menos, que o comportamento dos alunos. (Atenção! Aquilo que vou escrever a seguir prende-se com a minha experiência. Não quero com isto dizer que o mesmo está a acontecer em todas as escolas do país. Até porque em 10 anos eu passei apenas por 12 escolas.)

 

Nestes últimos dez anos tenho verificado que o comportamento dos miúdos, de um modo geral,  se tem alterado neste sentido: têm aumentado os comportamentos de ansiedade, depressão e agressividade e diminuído a capacidade de tolerância, de procurar superar problemas e reagir perante uma dificuldade. Os meninos dizem com extrema facilidade "não sou capaz" e "não sei", mas raramente pronunciam as palavras "vou tentar", "eu ajudo-te" ou "vou conseguir". 

 

O que é isto me demonstra? Que apesar de vivermos numa sociedade onde existe o culto da beleza física, estamos a esquecer de cultivar os egos e isto é preocupante. Estaremos perante uma geração de desistentes, desinteressados e incapazes? Não me parece. Pelo menos recuso-me a acreditar em tal facto. Mas a verdade é que vejo diariamente crianças derrotadas. 

 

Faço muitas vezes uso do reforço positivo, talvez não tantas como deveria, mas é uma preocupação que tenho, porque efetivamente sou levada a crer que muitas das crianças com quem convivo deixaram de ser estimuladas nesse sentido. 

 

Serei eu que tenho andado só por escolas onde este fenómeno é mais visível? Pode ser. Mas a verdade é que as escolas estão cada vez mais heterogéneas, havendo de tudo um pouco. O melhor, o pior e o médio. Por isso, se existe de tudo um pouco, não me parece que seja um problema único e exclusivo da região do país em que trabalho. 

 

E pensam vocês: "Mas, C.S., não há bons alunos? Não há os que ainda demonstram entusiasmo com a aprendizagem?". Há claro que há. Mas a verdade é que são cada vez menos. Cada vez mais raros. 

 

A resolução deste assunto passará apenas pelas escolas? Não me parece... Creio que este problema terá que começar a ser resolvido em casa e até acho que este problema deveria ser assumido, também, pelas entidades governamentais. Mas isso... Isso é tema para outra conversa. 

(Imagem aqui)

E para terminar deixo-vos este link e este

Dou-te a mão e digo: "Vamos!"

28.01.19 | C.S.

Olho pela janela.

O sol brilha lá fora para nos enganar. 

O vento que vem de norte sopra forte e gélido.

Tão frio. Encolhemo-nos perante o seu rigor.

"Quem de dera estar noutro lugar" - penso. 

Sonho com lugares distantes.

Elevo-me.

Levo o pensamento para sítios mais próximos.

Faço planos. Traço metas.

Hei de pôr tudo em prática. 

Aventurar-me no desconhecido.

Porque agitar é preciso.

Mexer com a vida para ver o que ela faz de nós.

Viver sem medo para chegar onde devemos.

Se hoje quero mais. Amanhã já não é tarde. 

Olho para ti. Observo-te.

Sorrio. Dou-te a mão e digo: "Vamos!". 

(Imagem aqui)

Follow Friday | Maria das Palavras

25.01.19 | C.S.

Hoje venho recomendar-vos um blog que, na verdade, já todos vocês devem conhecer. Mas eu tenho visitado mais o blog da Maria e as suas palavras nestes últimos dias, temos trocado até algumas mensagens e acho que ela é uma pessoa incrível. Por isso, sim, apesar de ser um blog que já todos conhecem venho aqui dizer-vos que o recomendo. Vivamente. E em grandes quantidades. 

 

Quando o há mar em mim for grande ele gostava de ser mais como o blog da Maria das Palavras. Giro, divertido, bem escrito e com uma identidade própria. Está lá tudo. 

 

E é isto, gente. É ler para aprender como se faz. 

#5 Traçados dos dias

25.01.19 | C.S.

Bom dia, minhas gotinhas de orvalho! 

 

Siiiiiiiiiiiiiiim! Estou bem disposta. Sim, é por ser sexta-feira.

 

Bem sei que os dias são todos para aproveitar da mesma forma, mas o que é que vocês querem? Eu tenho a sensação que os aproveito mais quando não tenho que cumprir horários. Não é o caso de hoje. Hoje ainda tenho, mas a aproximação do sábado deixa-me assim, por vezes. Para além disso, esta semana que está a chegar ao fim foi um torbilhão de emoções, na quarta-feira à noite pintei o mundo de negro, tal foi o pico de stress. 

 

Mas sobrevivi, gente! Yeahhhhhhhhhh! Viva eu!

(Imagem aqui)

 

Por isso, tomem lá...

 

Querem saber? Acho que o A. ainda não sabe, mas hoje vai levar-me a jantar fora. Temos date!  

(Imagem aqui)

 

Sim, este post foi um emaranhado de ideias e emoções juntas. Já está. Não há nada a fazer... 

Ricardo Araújo Pereira em dose dupla | Obrigada!

24.01.19 | C.S.

Há anos que acompanho o percurso de Ricardo Araújo Pereira e sou verdadeiramente fã do seu trabalho. Acho que não há como não sê-lo. 

 

É o melhor humorista português e uma das pessoas mais inteligentes da nossa praça pública. Admiro a forma como fala de literatura e o conhecimento que demonstra ter da língua portuguesa. "Ai quem me dera..." Canta a Mariza e penso eu.

 

Ricardo A. Pereira brinca com a política, revela consciência social e escreve bem. Agora temos a sorte de tê-lo em dose dupla, na Rádio Comercial, de segunda a sexta, e na TVI, ao domingo. E ainda bem, digo eu, julgando que este é um sentimento partilhado pela maioria dos portugueses. 

 

No meio de tanto lixo que nos chega a casa pela televisão, (abençoada Netflix que me trouxe tanta liberdade de escolha!), o Gente que não sabe estar é uma lufada de ar fresco. Humor inteligente do princípio ao fim. Mas dali já não se espera outra coisa, verdade? 

 

Vejam isto:

 

 

E mais isto:

 

 

Ia fazer um post sobre o tão falado programa de Marie Kondo e como este foi uma desilusão, (só vi o primeiro episódio), uma vez que a senhora não arruma nada, apenas manda fazer. Para além disso, a Marie aconselha a que se dobre a roupa de forma a que esta, antes de ser usada, tenha de ser outra vez passada a ferro. Uma verdadeira loucura! Mas agora o post já não faz sentido, uma vez que esta Mixórdia supera qualquer palavra que eu pudesse escrever. 

 

Resta-me dizer, em nome dos portugueses, obrigada, Ricardo!

Sabem que cara é esta?

23.01.19 | C.S.

(Imagem aqui)

 

É cara de: 

Aqui me queriam, aqui me têm, sem arrependimentos ou culpas, até porque 18 milhões de euros é o que eu pago às minhas irmãs para não as ouvir. 

 

Uma coisa é certa... Acho que nunca vi o CR7 com uma roupa que lhe conferisse tanta pinta. Só pode ser dos ares italianos, porque como todos sabemos, no que toca a moda, eles são uns expert

#4 Traçados dos dias

23.01.19 | C.S.

A minha Dolce Gusto avariou há dias. Já a tinha há uns 6 anos ou mais e serviu-me bem. E a verdade é que até escolheu uma boa altura para me deixar, sabem porquê? É que a Nespresso está com uma ótima campanha na loja online.

 

Resultado: ontem vieram entregar-me a minha nova U. Que bem que me soube o café esta manhã!

 

(Imagem aqui)

 

E bem que eu hoje preciso de café, pois esperam-me duas reuniões que só de pensar nelas começo a suar. Acho que vou passar o dia a contar até 10 mentalmente, enquanto visualizo uma belíssima ilha de areia branca e mar azul cristalino. E se pensar na quantidade de testes que tenho para corrigir... Então, em vez de contar até 10, tenho de contar até 100.

 

Ando numa fase muito stressante no que toca a trabalho, por isso ando com vontade de me iniciar na arte da meditação. Vocês fazem? Contem-me tudo!

 

É que eu tenho deixado que o stress se apodere demasiado de mim e não quero que isso aconteça, pois quando acontece o meu corpo começa a dar-me sinais físicos, por exemplo, o meu dermografismo manifesta-se de imediato e com alguma agressividade. Enfim... Inspira, expira, inspira, expira... Repete! 

 

E era isto que hoje tinha para partilhar convosco. Vão lá viver a vossa quarta-feira com alegria máxima. 

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