Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

há mar em mim

há mar em mim

#7 Pensamentos de uma pessoa em isolamento social

31.03.20 | C.S.

20200331_130136_0000.png

 

Por acaso, o último dia em que fui a um restaurante foi precisamente no último dia em que a vida decorria fora das paredes da minha casa.

E agora, à distância, dou por mim a pensar que se soubesse disso, muito provavelmente, teria feito outra escolha. 😅

Decididamente haveriam batatas fritas à mistura. 🤣

E vocês? Também já chegaram ao estado em que pensam nestas grandes questões da vida moderna? 🤪

Sobre fraquejar...

30.03.20 | C.S.

Entrei na minha quarta semana de confinamento e não consegui evitar sentir, durante todo o dia, um nó na garganta, um peso no peito. Como se estivesse a tentar suster o choro.

Sei que não me posso queixar. Estou bem de saúde, a minha família também e tenho a sorte de ter uma grande varanda onde posso apanhar sol, sentir o vento de norte ou escutar a chuva. Sei disso tudo. Sei que sou uma priveligiada porque, para já, o meu posto de trabalho não corre risco. Mas hoje foi difícil sorrir.

Sinto que não tenho direito a queixar-me porque há tanta gente em situações de risco, tanta gente a trabalhar horas a fio, tanta gente com a vida mais perto da morte...

E no entanto, aqui estou a lamber as minhas próprias feridazinhas. A sentir pena de mim. A repetir palavrões em loop na minha cabeça.

Sim, talvez não tenha direito a lamentar-me. Mas hoje não consigo sentir de outra forma.

Fraquejo e procuro fotos antigas, perdidas no telemóvel, outrora ignoradas e que me parecem agora tão perfeitas e distantes...

 

20190822083353_IMG_4214.JPG

 

 

Eventualmente ficará tudo bem

28.03.20 | C.S.

"Vamos ficar todos bem."
É uma frase que adoptámos para nos dar conforto e esperança. Um frase que pedimos às crianças que pintassem, chutando, dessa forma, o medo para longe.
Uma frase que nos agarra à vida quando morte anda à solta, mais acutilante que nunca.


Mas os números estão aí. Todos os dias, com hora marcada. A cada dia mais assustadores.


Eventualmente ficará tudo bem, exceto para os que partem. Exceto para os que foram para o hospital e não conseguiram sair de lá com vida. Sem oportunidade de ver familiares e amigos, ainda que por uma última vez.


Ficará tudo bem, sim. Mas não esqueceremos quem já cá não estará para os abraços apertados e os jantares demorados.


Estes dias lembram-nos que Pessoa tinha a razão do seu lado quando, sob o heterónimo de Alberto Caeiro escreveu: Quando chegar a Primavera, se eu já estiver morto, as flores florirão da mesma maneira.

IMG_20200322_133253.jpg

 

#6 Pensamentos de uma pessoa em isolamento social

26.03.20 | C.S.

20200326_100732_0000.png

 

Se responderam afirmativamente a esta questão, pessoas, mais vale irem para rua correndo o risco de apanhar o vírus. Digo-vos eu que só quero o vosso bem.

Estou a brincar... Não vão à rua a menos que seja imprescindível. 

 

Fiquem bem. ♥️😘

#5 Pensamentos de uma pessoa em isolamento social

25.03.20 | C.S.

20200325_100022_0000.png

 

Shame on me!
Até me sinto excluída, malta, e em plena quarentena. 

Anda tudo aí a tirar fotos aos seus bonitos pães e depois à bela da fatia besuntada de manteiga, não é?

E eu? Sabem o que eu anda a fazer? A comer papa de aveia, que é um pequeno almoço que estava na moda antes da quarentena e agora já passou à história.

É a vida!
Efeitos colaterais destes nossos novos dias.

"Éramos felizes e não sabíamos" - Parem lá com isso, porra!

24.03.20 | C.S.

(Imagem aqui)

 

Vamos lá a saber...

Quantas vezes já se depararam com esta frase nas redes sociais: Éramos felizes e não sabíamos.

5?

10?

30?

99? Mais... 

Dá vontade de ir à janela gritar: ACABEM LÁ COM A MERDA DA LAMÚRIA QUE JÁ NÃO HÁ PACHORRA, PORRA! 

A sério, ninguém acredita que vocês eram felizes e não sabiam. Porquê? Porque a pessoa tende a reconhecer quando está feliz, normalmente é quando não está doente, a vossa vida corre bem, ordenado garantido no final do mês, não têm dívidas por aí além para pagar, vão jantar fora de vez em quando, com sorte com a cara metade que até já fisgaram, e até têm uma viagenzinha ou duas em vista. É isto, para os comuns mortais não é muito mais que isto. 

A não ser, claro está, que já tenham filhos e aí já entram nas vossas contas o bem-estar deles e o quão realizados os conseguem fazer sentir. Porque a vossa criança é todo o vosso mundo e ai de vocês que julguem ser seres individuais, independentes da família que criaram. Neste caso, a vossa felicidade fica dependente do sorriso das vossas crianças. Mas também é fácil ver isso. Ou não?

Se eles têm entre 0 ou 7 anos e passam 50% do tempo a chorar... Já foram. Não há felicidade que aguente. Vão por mim, não são felizes em quarentena, mas também não o eram antes. 

Se os vossos filhos têm entre 8 e 18 anos e passam mais de 60% do tempo a revirar os olhos... Paciência, também não podem dizer que eram felizes. Mas não se sintam mal, toda a gente sabe que um pré adolescente/adolescente suga a vida a todos os seres vivos com os quais convive, usando para isso a sua irritabilidade crónica e desdém por tudo o que não é um ecrã. 

Se não se encaixam nos perfis acima descritos, parabéns! Com certeza que eram felizes, mas de certezinha que já o sabiam antes, porque pais que têm adolescentes em casa e que não os veem soprar ou revirar os olhos na maior parte do tempo sabem que foram abençoados por uma entidade divina qualquer. 

(Imagem aqui)

 

O problema, minha gente, é que a maioria dos seres vivos que estão a reproduzir a frase que dá o título a este post até à exaustão são... 

(Imagem aqui)

 

INFLUENCERS!!!!! Sim. Ver-da-de!!!! Aquelas que pessoas que passam o seu tempo a viajar e quando não estão a viajar estão a receber cremes, roupas e malas para depois nos tentarem vender. 

Acreditam? 

Elas eram felizes e não sabiam. 

Tenho tanta pena! 

(Imagem aqui)

 

#1 Pensamentos de uma pessoa em isolamento social

21.03.20 | C.S.

IMG_20200319_213444_773.jpg

 

 

Utilizando o Canva, comecei a escrever estes pensamentos que me assolam a mente e a colocá-los no Instagram - podem e devem seguir-me lá - como forma de passar o tempo, claro, mas também de brincar com a situação. Porque nunca a frase "rir é o melhor remédio" me fez tanto sentido. 

Pág. 1/2