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há mar em mim

07
Nov17

Eu tinha razão em não querer saber

C.S.

Ouvi e vi na tv e na internet, durante todo o fim-de-semana, referências a acontecimentos violentos que ocorreram numa discoteca em Lisboa. E sempre que o tema veio ter comigo eu evitei-o.

 

Porquê? É simples. Estou cansada de violência. É algo que aumentou exponencialmente nos últimos anos, pelo menos é assim que eu o sinto. E não, não me refiro só aos atentados, que por enquanto ainda vão acontecendo além fronteiras. Se bem que eu sinto-os já aqui, mas adiante... Refiro-me também ao nosso país, à nossa cidade, à nossa rua... A violência está a tornar-se banal e isso é assustador.

 

Assusta-me que estejamos a habituarmo-nos a um nível tão grande de violência ao ponto de deixarmos de sentir compaixão. Vejo-o por aí... Vejo-o nos mais novos. E é aterrador.

 

Evitei as notícias sobre a discoteca Lisboeta, porque me é fácil imaginar o que terá acontecido, pois já não foi a primeira vez. Todavia, ontem ao jantar eu e o A. conversávamos despreocupadamente, sobre tudo e nada, até que ele diz:

- Vi imagens sobre aquilo que aconteceu no Urban.

Ainda não tínhamos mencionado o assunto cá em casa e eu deveria ter ficado caladinha, mas disparei:

- Ah sim?! E então?

Estava a jantar e não estava preparada para o breve relato que veio a seguir. Ainda que ele não tenha aprofundado grande coisa, porque já sabe como eu sou. Ainda assim, um arrepio percorreu-me o corpo ao ouvi-lo e, imediatamente, lembrei-me de um filme que jamais esquecerei devido à violência nele contida: América Proibida. Esta lembrança e o saber que há gente aqui tão perto disposta a tamanhas barbaridades deixou-me com os olhos rasos de água.

 

Sou tola, eu sei. Mas sempre que puder vou evitar a violência o mais que possa. Não é que queira viver num mundo ilusório, é que a realidade dói-me.

(Imagem aqui)

13
Set17

Notícias atrozes

C.S.

O desespero ganha muitas vezes batalhas. Voltaire

 

Acabo de deparar-me com duas notícias que reportam ao dia de ontem e que aconteceram no distrito da Guarda.

Duas notícias que jamais deveriam existir.

Duas crianças que, alegadamente, terão sido vítimas das suas próprias mães. 9 e 11 anos. Uma por ingestão de medicamentos, a outra por asfixia. Vítimas das pessoas que mais os deveriam proteger.

 

Como pode acontecer algo assim?

Pessoalmente acredito que se tratam de pessoas perturbadas, atormentadas, tanto assim é que ambas tentaram colocar termo à sua própria vida. Não o conseguiram. Terão de viver com o ato que cometeram.

 

Julgamos que uma mãe será a última pessoa a cometer um crime contra o próprio filho e, no entanto, às vezes somos surpreendidos com relatos destes.

Acredito, sinceramente, que as mulheres que o fazem julgam que se encontram no fim da linha, onde não há mais nenhum caminho para ser percorrido e onde qualquer réstia de esperança há muito que desapareceu. Talvez só a psicologia ou a psiquiatria consigam explicar algo assim. Ou talvez nem estas ciências o consigam fazer.

Para os comuns mortais estas notícias são sempre um murro no estômago.

 

 (Imagem aqui)

22
Jun17

Desabafos

C.S.

Sinto-me estranha. Há vários dias que me sinto assim.

Os últimos dias têm sido ricos em acontecimentos, alguns que jamais serão esquecidos e outros que daqui a uns tempos talvez já ninguém se lembre que aconteceram. E, no entanto, não me tem apetecido vir aqui opinar sobre nada disto. Eu que tenho sempre uma opinião, tenho andado bastante calada.

Tenho evitado as notícias, mas hoje em dia elas chegam-nos sem qualquer aviso, até

no telemóvel recebemos "as últimas".

Sou incapaz de compreender o fascínio que há em escrutinar as histórias dos infelizes que perderam a vida naquele impiedoso incêndio.

Não tenho capacidade para assimilar que Judite de Sousa, que passou por uma tragédia pessoal, vá fazer notícias junto de cadáveres, apontando para eles, numa frieza incompreensível. Também me deixa atónita que a tvi, entre tantos jornalistas que tem, tenha decidido escolher, para descer aos infernos, uma pessoa que psicologicamente não está a 100%, lutando ainda com os seus dramas pessoais.

Fico literalmente de boca aberta, pasmada, quando ao fazer zapping me deparo com uma outra senhora jornalista, esta da sic notícias, que em direto vai contando os passos que separam a igreja onde estão a decorrer as cerimónias fúnebres, de uma das vítimas do incêndio de Pedrógão Grande, da entrada do cemitério e durante a curta caminhada vai lamentando que esteja do lado de fora da igreja, por a cerimónia ser privada.

E eu sinto-me estranha com tudo isto.

Depois temos uma Ministra da Administração Interna que gosta de recusar ajudas em tempos de verdadeira crise e caos. Temos gente que aponta o dedo aos GNR, por não cortarem todas as estradas, aos bombeiros, por não serem tão céleres quanto deviam, à meteorologia, porque não previu a queda do raio...

Há gente que fala na tv e que diz que o que faz falta ao país são engenheiros florestais, num discurso oportunista para vender uma profissão do seu interesse.

E eu fico mal disposta com tudo isto.

E são as greves de professores que são verdadeiros tiros no pé e são as fugas de informação sobre os exames nacionais e são os jornalistas que confundem publicidade com notícias e são prazos para cumprir e é um calor dos diabos...

E a mim apetece-me fugir. Dói-me a atualidade e a realidade.

 (Imagem aqui)

 

Desculpem-me, mas hoje não haverá Às quintas viajamos..., voltará na próxima semana.

18
Jun17

Quando nos faltam as palavras...

C.S.

Ontem à noite, recebi um sms informativo dedicado a um incêndio que estava ativo na zona centro do país. Mas só hoje, com o avançar do dia, compreendi a dimensão do acontecimento. A trágica dimensão.

O que se pode dizer perante uma tragédia? Que palavras podemos usar que não soem a cliché? Que lamentamos? Que estamos solidários? Que alguém tem de ser responsabilizado? Que os bombeiros são heróis?

(Imagem aqui)

 

O fogo sempre me assustou. Pela sua violência, pelo cenário de destruição que deixa na sua passagem e pela dor que provoca.

Para mim os bombeiros são o as pessoas mais destemidas que existem, porque conseguem avançar para combater as chamas, sem vacilar, sem pensar no que fica para trás, sem pensar na saída. Sou incapaz de vos explicar o profundo respeito e admiração que sinto perante estas pessoas e, para mim, é totalmente inconcebível que hajam voluntários, numa profissão que deveria estar plenamente consagrada como tal, condignamente remunerada e reconhecida.

 

Vi há pouco imagens avassaladoras. Do fogo. De impotência. De perplexidade. De desespero. De terror.

Vi um senhor, a rondar os 60 anos, que chorava e dizia que não sabia do filho, que tinha perdido tudo... E um outro, mais velho, a desculpar-se pelas lágrimas, dizendo que perdeu muitos amigos, que um terço da população da sua terra desaparecera...

(Imagem aqui)

 

Vi imagens de carros fantasmas, que já foram de alguém e que hoje jazem como sepulturas fora de sítio.

 

E nada disto faz sentido. Estou à espera que digam que este domingo negro não passou de um enorme pesadelo. E espero igualmente que os nossos governantes compreendam a importância de investir dinheiro na proteção civil. Porque a chave não será salvar, será prevenir.

10
Jun17

Preferia não saber...

C.S.

Quinta-feira li uma notícia que mexeu comigo.Triste, real, cruel e desprovida de sentido, num mundo onde se diz que todos estamos ligados e acessíveis.

Preferia não tê-la lido, sem qualquer dúvida que se soubesse minimamente do que se tratava não teria avançado na leitura.

Chamem-me hipócrita, digam que eu prefiro viver numa redoma de vidro, acusem-me de querer fechar os olhos à realidade que me rodeia. Eu aceito tudo isso e admitirei as minhas fraquezas. Sem pestanejar.

A quinta-feira passou e eu falei da notícia com o A., que ficou tão chocado quanto eu.

Veio a sexta e eu não falei da notícia com ninguém, mas também não a esqueci.

E hoje voltou-me à memória. E voltará mais vezes.

Por isso, aqui me têm a usar o blog como se da cadeira de um psicanalista se tratasse, tentando descolar um pouco a imagem que se formou no meu cérebro. A terrível imagem de uma criança de 4 anos, morta de fome e de sede, abraçada à mãe que havia morrido dias antes, deixando-a entregue a si própria entre as paredes do apartamento onde viviam, em Londres.

Solitária, assustada, esfomeada e sedenta. Uma criança de 4 anos que morreu porque ninguém deu pela sua falta, nem pela falta da sua mãe. Contudo, os queixosos vizinhos deram pelo cheiro vindo dos corpos mortos. Calcula-se que a criança terá aguentado entre 10 a 15 dias antes de sucumbir.

E pergunto-me eu... Antes do cheiro, os vizinhos não terão ouvido uma criança desesperada?

Nada disto faz sentido. Nada disto adianta agora. Nada. Desta notícia não fica nada, para além de uma imagem que se cola a nós e de um vazio enorme que sentimos.

 

31
Mai17

Há muito tempo que não vejo os telejornais, mas ontem...

C.S.

Ontem, fazia eu um zapping apressado e despreocupado antes de ir  jantar e eis que o pivô da RTP1 atira-me as seguintes palavras: "São números assustadores. Todos os dias na Europa, a cada 2 minutos, desaparece uma criança. São maioritariamente crianças refugiadas que fogem da guerra e procuram abrigo na Europa.".

 

O quê? A cada 2 minutos desaparece uma criança na Europa? A cada dois, uma criança? Na Europa? 

 

Como podemos ouvir tais números e ficar indiferentes? Como podem os dirigentes europeus conhecer tais números e dormir descansados?

Estamos a falar de crianças, que já viram o inferno, que o atravessaram e chegaram à Europa (sabe-se lá como, em que circunstâncias...), algumas acompanhadas e outras tantas sozinhas, crianças que já perderam tanto, se não mesmo tudo.

 

Gostava de saber o que está genuinamente a Europa a fazer para contrariar estes números. Eu, assim a quente, diria que está a fazer muito pouco ou mesmo nada, porque caso contrário os números não seriam tão assustadores.

Não que o desaparecimento de uma só criança não seja motivo de preocupação, mas o desaparecimento de crianças em grande escala deveria fazer soar todos os alertas possíveis.

Os grandes líderes mundiais em vez de andarem a medir o tamanho das pilinhas deviam preocupar-se com o que realmente importa e arranjar soluções para tantos problemas graves que surgem diariamente.

 

Assusta-me pensar o que é feito com essas crianças... Sei que todos saberemos mais ou menos as respostas, basta-nos pensar um pouco, mas queremos ingorá-las, a bem da nossa sanidade mental.

 

No meu mundo ideal as crianças seriam seres intocáveis, imunes a tudo e a todos.

 

(Imagem aqui)

 

 

23
Mai17

Não há palavras...

C.S.

Quando nos faltam as palavras,

trememos,

sentimos um arrepio que nos percorre o corpo todo. 

 

Quando nos faltam as palavras,

ficamos com cara de tolos

e os olhos aterrorizados.

 

Quando nos faltam as palavras,

aparece um nó na garganta

e um vazio insuportável na cabeça. 

 

Quando nos faltam as palavras,

o medo apodera-se de nós,

consome-nos e ficamos sem saber para onde ir.

 

Ainda há sítio para onde ir? 

 

 

Quando as vítimas são crianças que estão num local a concretizar um sonho, (ver um ídolo ao vivo), as palavras faltam sempre!   

21
Mai17

1,7 milhões de euros e a receber ajudas do Estado... Que tal?

C.S.

Que Portugal é um país lindíssimo, com muito para oferecer, incluindo um clima belíssimo e uma ótima gastronomia, todos nós sabemos.

Que Portugal está cheio de vigaristas que gostas de burlar quem podem, também sabemos. Não é novidade, temos alguns até bastante bem posicionados na nossa sociedade, que é como quem diz, a ocupar grandes cargos.

 

Por isso, esta notícia que vos trago não me surpreende, na medida em que não é novidade que haja gente vigarista no nosso país.

Todavia, custa-me encarar com casos destes por três motivos:

1.º porque pago os meus impostos, com bastante esforço, e todos os dias saio da caminha, de que tanto gosto, para não falhar os meus compromissos e viver uma vida honesta.

2.º porque estes sujeitos andaram a usufruir de dinheiro que poderia servir para ajudar alguém que, de facto, necessitasse.

3.º porque não consigo deixar de sentir que me foram ao bolso. Ao nosso bolso. Ao bolso de todos os portugueses que contribuem para que este país avance.

 (Imagem aqui)

É isto. E é triste. Eles que tenham, nada mais, nada menos, do que aquilo que merecem.

 

 

 

19
Mai17

Isto não pode ser jornalismo

C.S.

Um dia tive o sonho de ser jornalista. Não fui, não sou. 

Contudo, continua a ser uma profissão que me fascina, que acho necessária, porque é urgente saber o que se passa no mundo, de forma imparcial e desprovida de preconceitos. No entanto, tenho para mim que há muitas formas de dar uma notícia e imensas forma de abordar um assunto. 

O Correio da Manhã escolhe sempre o pior caminho. Sensacionalista. Injusto. Não olha a meios para atingir fins. E eu, que não sou jornalista, acho tudo isto um enorme absurdo. 

Que direito tem um jornal ou canal televisivo de exibir imagens de uma suposta violação? Onde se pretende chegar com isto? Noticiar é algo completamente distinto de propagar atos de violência que, do meu ponto de vista, foi aquilo que o Correio da Manhã fez. 

Eu, que não percebo nada sobre a profissão de jornalista, não consigo deixar de pensar na pessoa que terá sofrido os abusos. Não lhe basta ter passado por um momento traumático, que será extremamente difícil de superar e ainda tem de lidar com imagens desse acontecimento e um país inteiro a falar dele. 

Não sou jornalista, mas se fosse queria que o meu nome nunca aparecesse relacionado com este tipo de jornalismo, com este tipo de atitude inexorável. Espero que desta vez o Correio da Manhã seja sancionado à altura do sensacionalismo que propaga. 

(Imagem aqui)

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