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há mar em mim

06
Jun17

E a reposta certa é...

C.S.

 

 

Sim, é verdade. Há sete anos que sou professora. Com tudo aquilo que de bom e de mau implica. Sou professora do ensino público. Ensino língua espanhola a alunos do ensino básico e secundário. 

Todos os anos no final de agosto vivo a experiência de não saber se posso trabalhar mais um ano ou não. E se trabalhar onde é que irei ficar.

Este ano faço diariamente 110km para dar aulas e aquilo que recebo no fim do mês esvai-se, uma boa parte, em gasóleo e portagens. 

 

A parte boa é que existem miúdos que realmente querem aprender e outros que o querem mesmo sem que o  saibam. A parte má é que já fui desrespeitada e ofendida por gente que ainda nem 16 anos tem. 

 

Como vos disse, esta profissão tem coisas de que gosto muito (o sentir que posso passar algum conhecimento para alguém, a parte humana que esta profissão implica, a parte enriquecedora de conviver com tantas história distintas...), mas às vezes não sei se isto será para sempre ou, pelo menos, se será para mais um ano. 

Ora por mim, ora porque o Ministério da Educação acha que sou descartável. 

 

31
Jan17

Pedaços da infância

C.S.

Quando eu era pequenina não haviam muitos livros em minha casa, a explicação é simples, os meus pais nunca foram muito dados à leitura. Lembro-me da minha mãe me comprar uns livros de histórias, da Disney, que mandou vir do Círculo de Leitores, e lembro-me de folhear os livros e adorá-los. Vi-os e li-os muitas vezes, tinha muito cuidado com eles, como aliás tinha com todos os meus brinquedos. Estes livros teriam durado até aos dias de hoje e eu ainda os teria, certamente, se a minha irmã (mais nova) fosse cuidadosa como eu, mas não era, nunca foi. E eu um dia cheguei da escola e vi os meus preciosos livros todos riscados e rasgados. Doeu. Gostava muito deles.

Penso que me encontrei novamente com os livros e com a leitura, com o mesmo entusiasmo e vontade de saber sempre mais sobre o enredo, quando fui para o 5.º ano e a culpada desse facto, não tenho qualquer dúvida, foi a minha querida professora de português, M.J.R.

Tenho a certeza que passei a adorar a língua portuguesa, a leitura e a escrita por causa dela, que nos ensinava e incentivava diariamente. Também transparecia nela uma enorme paixão pela literatura. E foi ela que me desafiou a visitar a biblioteca da escola, a ir buscar livros para ler, para ganhar vocabulário e ir melhorando alguns erros ortográficos que eu teimava em dar.

Aquela biblioteca tornou-se a minha segunda casa, pois eu passava todo o dia na escola e se não estava nas aulas, estava na biblioteca. Li toda a coleção de livros de Uma aventura e a partir daí fui lendo cada vez mais.

A professora M.J.R. foi minha professora até ao 8.º ano e minha diretora de turma também. Gostava de ter oportunidade de voltar a falar com ela, de agradecer-lhe e explicar-lhe a importância que teve na minha vida. Outro dia a minha mãe encontrou-a no supermercado e diz que ela me mandou um beijinho. Achei extraordinário que ela ainda se lembrasse de mim e da minha mãe. Há pessoas que nos marcam e não sabem que o fazem.

Agora fiquei com vontade de contactá-la, talvez ligue para escola e tente saber se ela ainda está por lá.

10-livros-que-podem-te-ajudar-a-ficar-rico-em-2016

 

 

19
Jan17

A nova polémica a envolver professores

C.S.

Adoro o nosso país. Como não adorar? Portugal é um país fantástico, dono de uma enorme diversidade, apesar da sua pequenez. Tem uma costa maravilhosa e um interior sempre pronto a receber bem quem o decida visitar. Mas há coisas no nosso país que me irritam, que me magoam e que são, para mim, difíceis de compreender. Uma delas é a perseguição que há neste país aos professores. Uma profissão que em temos já foi tão digna e respeitada é vista hoje em dia como um dos parasitas da sociedade.

Na verdade não sei bem quando isto terá começado e se terá tido um único porquê ao qual possamos apontar o dedo, mas a verdade é que esta profissão parece ter-se tornado no parente de que ninguém gosta, alvo de imensas críticas, quase todas destrutivas e quase todas sem conhecimento de causa.

A mim parece-me que a opinião pública tem sido muito influenciada pelos meios de comunicação e, neste momento, está instalada mais uma polémica, que procura denegrir o trabalho dos professores na praça pública.

Quero desde já dizer que acho, como a maioria dos portugueses, que os valores que as famílias gastam em manuais escolares é absolutamente exorbitante, que acho que, à semelhança do que acontece noutros países da europa, os alunos deveriam ter acesso aos manuais de forma gratuita nas escolas públicas e que estes deveriam ter uma durabilidade muito maior do que aquela que têm.

Dito isto, tenho de vos confessar que acho uma tremenda idiotice que se ande a acusar os docentes portugueses de se deixarem comprar pelas editoras. E acho-o, pura e simplesmente, porque é uma extraordinária mentira. É verdade que antigamente as editoras ofereciam aos professores um modelo do manual do professor, para que estes pudessem escolher, tal como está previsto na lei, qual o manual com que se trabalhará em determinada escola durante um ciclo de seis anos, (creio). Hoje em dia as coisas já não funcionam assim, as editoras não oferecem o manual a todos os professores que lecionam aquela disciplina, disponibilizam-no aos que participam numa pequena ação de formação e, aí sim, depois disso têm acesso, única e exclusivamente, ao manual, que muitas vezes nem é uma versão concluída. Nada de iPads, iPhones, viagens ou manuais para os filhos.

Não me interpretem mal, não estou a defender as editoras e muito menos a dizer que a forma como este mercado se desenvolve em Portugal é a mais correta. Acho que as editoras, com o aval do ministério da educação, têm nos manuais escolares uma mina de ouro. O que estou a tentar explicar é que acusar todos os professores portugueses de se deixarem comprar pelas editoras é uma completa palermice. Muito longe da realidade e sem qualquer fundo de razão.

Basta que visitem a escola pública que tenham mais perto da vossa residência e vejam o que por lá se passa. Depois contam-me se o que viram por lá foram professores que vivem de forma desafogada, envoltos em novas tecnologias e produtos topo de gama, ou se, por sua vez, se depararam com pessoas que fazem o melhor que podem e sabem, com os meios que as escolas lhes disponibilizam, que têm um número de fotocópias limitado por ano letivo, que muitas vezes levam o seu computador pessoal para poderem trabalhar em condições e, até, tantas vezes levam marmita com comida que aquecem no micro-ondas da sala de professores, se por acaso, existir esse luxo, para puderem poupar algum dinheiro, que acabam por gastar em gasóleo, devido à distância a que trabalham das suas casas.

dia_escola.jpg

 

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