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há mar em mim

21
Mar20

#1 Pensamentos de uma pessoa em isolamento social

C.S.

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Utilizando o Canva, comecei a escrever estes pensamentos que me assolam a mente e a colocá-los no Instagram - podem e devem seguir-me lá - como forma de passar o tempo, claro, mas também de brincar com a situação. Porque nunca a frase "rir é o melhor remédio" me fez tanto sentido. 

18
Mar20

Possível estado de emergência

C.S.

E hoje, que estou fechada em casa, a minha memória traz-me aqui, à serra, aos longos e felizes dias de verão em que andei à descoberta do nosso país.
Olho para esta foto e vejo liberdade.

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Se hoje for decretado o estado de emergência em Portugal perderemos um pouco da nossa liberdade, mas lembrem-se que é por um bem maior, é para que possamos mais rapidamente sair das nossas casas e voltarmos a estar juntos, voltarmos a abraçar, voltarmos a poder ir onde nos apetecer.

Separados mas mais juntos que nunca, por um bem maior.

14
Mar20

Como consegui acalmar o suficiente para dormir bem

C.S.

Eu não sou uma pessoa dada a ansiedade. Normalmente. Mas estamos a viver uma situação atípica e a ansiedade apanhou-me. E eu não quero. Não a posso deixar instalar-se. 

 

Ontem, antes de ir para a cama, sozinha, porque o A. foi fazer o turno da noite, comecei a pensar que tinha de fazer algo ou a noite não ia ser fácil, sentia um peso no peito. "Pensa, Cátia, pensa..." - um duche quente, seguido de um chá são sempre boas opções. Mas foi no duche que verdadeiramente a ideia me apareceu clara. 

 

"Volta ao passado, vai buscar o que já conheces." - sorri com este pensamento e após vestir o pijama corri a procurar um caderno que sabia ter em branco, esquecido. Comecei um diário. Munida de caneta da bic, deixei que os pensamentos fluíssem. Escrevi quatro páginas. Não sei se fazem muito nexo, mas foram a minha terapia. 

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Um diário foi o que me ajudou a mim. Pode não resultar convosco, mas devem encontrar o que resulta: meditação, ouvir música clássica ou heavy metal, jogar uma coisa qualquer no telemóvel/tablet, fazer palavras cruzadas, fazer listas, escrever uma carta, ler, navegar pelas páginas das lojas de roupa, contar carneiros, instalar uma app de sons relaxantes... Não há respostas erradas, desde que a atividade que escolham vos limpe a mente e vos dê a serenidade necessário para adormecer, a mesma que eu consegui através de um caderninho velho. 

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13
Mar20

É tempo de pensar em todos

C.S.

Quem me dera encontrar as palavras certas para vos confortar. Mas esta semana tem custado a passar, com a vida em suspenso, planos adiados, trabalho acumulado e sonhos que se desfazem é difícil reunir o ânimo de vir até cá. E não falta tempo.

 

Sinto que tenho estado entorpecida. Recordo os dias da semana passada como se tivessem sido há muito, muito tempo. Lembro-me das caras de desilusão das minhas alunas quando lhes disse que íamos cancelar a visita de estudo a Espanha, agendada para dia 03/03. Disse-lhes que as preferia ver zangadas do que com pneumonia e aí ficaram sem resposta, mas nos seus olhos vi que me acusavam de excesso de zelo. Não me importei, antes assim.

 

Lembro-me de passar a semana a comentar com os meus colegas que o assunto era mais sério do que parecia no início e, aos poucos, todos se foram começando a consciencializar que sim. Ia pondo gel desinfetante nas mãos quando mais ninguém o fazia. Todos comentavam que havia gente na escola que tinha regressado de Itália. E todos queríamos acreditar que tudo iria correr bem porque, afinal, estavam na escola com o consentimento das autoridades de saúde. E foi o que se viu...

 

Lembro-me que participei numa  feira organizada pela câmara municipal, com a representação de todas as escolas da cidade, quinta, sexta e sábado, e lembro-me de pensar: "não devíamos estar aqui, mas porque não foi isto cancelado?!", enquanto olhava para os miúdos a fazerem coreografias ensaiadas ou enquanto reencontrava velhos conhecidos que me cumprimentavam afavelmente e aos quais não tive coragem de dizer para manterem a distância recomendada.

 

Lembro-me de tudo isto e penso que era inevitável que tenhamos chegado aqui, porque somos de afetos e porque tendemos a acreditar que só acontece aos outros.

 

Agora? Agora é manter a calma e sermos os melhores cidadãos de que há memória, ou seja, cumprir com o que nos é pedido. Acalmar. Ficar em casa quem pode ficar. Ter muito cuidado e tomar todas as medidas preventivas a quem anda na rua, a quem tem mesmo de ir trabalhar. Ajudemo-nos.

 

Separados mas juntos. A pensar nos idosos, a pensar em quem tem asma, a pensar nos doentes cardíacos, nos diabéticos, nos doentes oncológicos...

Separados mas juntos, para que todos possamos voltar a ser, o mais rápido possível, o povo caloroso, beijoqueiro e afável que somos, mas até lá contenção. Separados mas juntos. 

 

É tempo de pensar em todos. 

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Imagem retirada da conta de IG de Nádia Sepúlveda.

 

(E ainda bem que o governo tomou as medidas que tomou ontem, até poderiam ter ido mais além. Mas já foi bom. Esperemos que cheguem.)

 

11
Mar20

Um domingo (quase) perfeito

C.S.

Domingo esteve um dia espetacular.

Aproveitei-obem, parecia que estava a adivinhar que ia entrar numa espécie de quarentena. Digo espécie porque não estou em isolamento social oficial, ou seja, não me foi dito que me teria de submeter a ele, mas a minha consciência é o que me manda fazer após duas pessoas, (com quem não tive contacto direto), do meu local de trabalho testarem positivo ao covid-19 e, consequentemente, o meu local de trabalho estar encerrado.


É engraçado que eu gosto tanto de escrever, mas às vezes as palavras não saem, ficam presas dentro de mim. E só hoje tive realmente vontade de vir até cá.


Acho que por esta altura já ninguém diz que é uma simples gripe. Ao menos isso. Agora falta que tenhamos consciência do que está realmente a acontecer e atuemos em consonância. Sejamos responsáveis, respeitadores e conscientes de que estamos todos no mesmo barco.

 

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