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há mar em mim

há mar em mim

A feira

08.11.18 | C.S.

Ardem-me os olhos. Estão cansados. 

É quase hora de ir para a cama. 

Mas há ruído. 

Ouço o barulho da feira daqui. 

Parece-me estranho uma feira em novembro. 

Cresci num local onde só há feira quando vem o bom tempo. Final de junho.

Vivo aqui há 3 anos e ainda não me habituei a esta. 

Nunca a vi, só a oiço. 

O barulho parece não combinar com o anoitecer às 18h ou o frio. 

Na feira da minha infância havia luz do dia até às 21h. Havia a leveza das mangas curtas e o fresco da noite que sucede ao calor das tardes de junho no alentejo. Havia os gelados e a certeza de que na manhã seguinte não era dia de escola, porque a feira chegava na altura certa, como uma celebração perfeita do fim das aulas e do início das férias grandes. 

A feira que se chama de S. João, mas que dura para lá do S. Pedro, aquele que confere o feriado do município, era local de encontros garantidos, poucos inesperados, uma vez que toda a cidade converge para o mesmo ponto. 

Havia alegria, música, gargalhadas, carroceis, farturas, luzes, cheiro a cerveja, a frango e a polvo assado na brasa.

Ia-se à feira em família. Encontravam-se os amigos. Ponha-se a conversa em dia.

Éramos felizes ali. Na feira. Em junho. Era simples ser feliz.

Esta não me faz feliz. 

Esta não é minha.

Esta é só um barulho chato que me atrasa o sono.

E nada mais. 

(Imagem aqui)

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