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há mar em mim

há mar em mim

Espreitar o futuro? Não, obrigada.

07.11.18 | C.S.

Se te deixassem espreitar o futuro querias saber o que ele tem guardado para ti?

 

Um dia destes eu e o A. debatíamos esta questão. Ele foi perentório ao afirmar que não queria saber. Eu ponderei. Acabei por dizer que provavelmente também não espreitaria, mas ponderei. É que eu sou tremendamente curiosa, mas a verdade é que um vislumbre do futuro poderia fazer com que deixássemos de ter um propósito. Um motivo para sairmos da cama. 

E se o que descobríssemos não nos agradasse? 

Ou se nos agradasse por inteiro? 

Se nos mostrasse algo que não queríamos ver, com certeza que o quereríamos alterar. E se não fosse possível? Como encararíamos a vida sabendo que o que nos espera no futuro é uma tremenda desilusão?

Por outro lado, se o que vislumbrássemos fosse uma espécie de sonho tornado realidade não poderíamos cair no erro de dá-lo como garantido? Não deixaríamos de nos esforçar? Que implicações teria tal comportamento?

 

Pensando bem, o desconhecimento acaba por nos dar mais motivação, torna-nos a vida mais leve.

Fernando Pessoa tinha razão:

Ah, poder ser tu, sendo eu!

Ter a tua alegre inconsciência,

E a consciência disso! Ó céu!

Ó campo! Ó canção! A ciência

 

Pesa tanto e a vida é tão breve!

Entrai por mim dentro! Tornai

Minha alma a vossa sombra leve!

Depois, levando-me, passai!

 

 (Imagem aqui)

 

 

Concordam?

Qual é a vossa opinião? 

Espreitavam?

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