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há mar em mim

Sobre a Eutanásia

Eutanásia.

Creio que é um assunto que ninguém aborda de ânimo leve. É algo sério, porque mexe diretamente com a vida. Com o fim dela, mais concretamente. 

Quando penso neste assunto há uma pergunta que se formula imediatamente na minha mente: se não fossem os avanços da medicina os doentes terminais não morreriam mais rapidamente? 

E logo surge outra: não estaremos a ser egoístas ao negar o fim de um sofrimento contínuo a alguém?

Julgo que todos sabemos que caso o recurso à eutanásia passasse a ser opção só o seria em casos muito concretos e sob uma legislação própria. Ninguém cairá no erro de julgar que o país passaria a aplaudir o suicídio, pois não?

Dizer sim à eutanásia é garantir que uma pessoa em sofrimento prolongado e num estado considerado irreversível possa dizer algo semelhante a isto:"eu sei que vou morrer, sei que não irei melhorar e que os dias que me restam não me trarão qualquer alegria, por isso escolho quando será o meu fim". 

Não será legítimo que possamos ter esta opção?

Não gostavam de ter esta opção caso se vissem perto do fim e em agonia contínua?

E ter essa opção é só isso mesmo, ter opção, ninguém é obrigado a fazê-lo.

Afinal o que se ganha em prolongar o sofrimento? É que eu não consigo pensar em nada positivo que advenha dessa situação. 

Deveríamos ser capazes, enquanto sociedade, de abordar e refletir acerca destes assuntos de forma racional, sem deixar que crenças religiosas interfiram no nossos discernimento. 

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 (Imagem aqui)

 

Ontem, de tudo aquilo que li no rescaldo do "Não" do Parlamento, ficaram na minha memória as palavras que Bruno Nogueira escreveu no seu Instagram:

Ganhou o não. O sim, ao que parece, mata.
Nada como esperar em sofrimento e dor, a definhar e a agonizar numa cama, a cuspir sangue e a respirar entre tubos e máquinas, que quando tiver agenda deus logo nos chama para junto dele. Ou o Homem-Aranha. Ou qualquer outro super-herói que conheçam e que apreciem particularmente.
Aguentar que alguém seja espremido até ser só osso e pele e um gemido que se parece mesmo com a pessoa que viveu lá dentro. Até não vos conhecer de tão morto que está, mas vivo à força. Que as dores o façam contorcer-se até querer voltar a ser ninguém.
E talvez aí sim, quando sobrar só uma carcaça com pouco por onde espremer, talvez aí valha a pena morrer. 
Até lá, eles que aguentem, que a nossa vez ainda vai longe.

 

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