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há mar em mim

26
Out20

¡España, cariño, cómo te echo de menos!

C.S.

Na última semana li um livro cuja a ação se desenvolve entre Madrid e Valência, mas sobretudo Madrid, e fui invadida por uma saudade tremenda de um país que, não sendo o meu, posso dizer que adoro. Em Espanha já vivi momentos de pura felicidade e é um país ao qual estou ligada diariamente pelo meu trabalho. 

Acreditem ou não, um dos momentos mais duros para mim, no confinamento, foi quando começaram a fechar as fronteiras, senti que a Europa estava a erguer muros, ainda que invisíveis, e dei por mim a dizer mais do que uma vez "Eu só queria ir ali a Sevilha". Sevilha vibrante. Sevilha cheia de música e luz e gargalhadas e turistas e cultura... Tão perto (demoro o mesmo tempo a chegar a Sevilha que demoro a chegar a Lisboa) e sentia-a tão longe. Tão triste. 

Esta manha acordei com a notícia de que Espanha voltou a decretar estado de emergência, que pode durar até maio de 2021. Maio de 2021! E eu voltei a sentir um vazio. Depois vi imagens noturnas de Madrid e Barcelona completamente desertas. Madrid e Barcelona silenciosas, escuras e frias. Madrid e Barcelona a precisar de calor humano, que agora se parece ter convertido em algo pérfido. Não consegui evitar sentir um nó na garganta e os olhos rasos de água. 

¡España, cariño, cómo te echo de menos!

 

(Imagem aqui)

24
Out20

Será isto uma carta de amor?!

C.S.

Não faço ideia daquilo que aqui venho fazer. Mas hoje senti que o meu corpo me impelia a escrever. 

Há meses que não pego no blog. Desde maio que não há posts novos. Desde julho que não abria sequer esta página. Sinto que nada mudou e, no entanto, tudo está diferente. E hoje os meus dedos queriam pressionar as teclas do computador e é nisso que estou, a satisfazer uma vontade quase física. É possível que sintamos fisicamente a necessidade de escrever? Julgo que sim. 

E sendo sincera convosco, não consigo deixar de sentir-me ridícula. Por voltar aqui. Porque parece que este espaço já não faz qualquer sentido, porque a pessoa que o iniciou já não é a mesma, e ainda bem. Porque na maior parte do tempo sinto que não há nada que eu possa ter a dizer que valha a pena ficar escrito. Mas ainda nunca consegui chegar aqui e apagar esta espécie de diário. Um click e puff! fechado para sempre. Uma memória apenas. Por isso abandono-o aos poucos, deixo-o a ganhar pó. Até que a escrita me traz aqui de novo. A escrita que é quase terapia. A escrita que durante o pior momento da quarentena me salvou, não a digital, a de sempre, de caderno e bic, um diário que mantive só para mim.  Se a escrita fosse um homem eu diria que mantemos uma relação dessas mesmo complicadas, dessas que nos cortam a respiração e nos toldam os sentidos, que não são inteiramente saudáveis, mas às quais não conseguimos resistir. 

Porra! Será isto uma carta de amor às palavras que não consigo escrever?!

(Imagem aqui)

14
Mar20

Como consegui acalmar o suficiente para dormir bem

C.S.

Eu não sou uma pessoa dada a ansiedade. Normalmente. Mas estamos a viver uma situação atípica e a ansiedade apanhou-me. E eu não quero. Não a posso deixar instalar-se. 

 

Ontem, antes de ir para a cama, sozinha, porque o A. foi fazer o turno da noite, comecei a pensar que tinha de fazer algo ou a noite não ia ser fácil, sentia um peso no peito. "Pensa, Cátia, pensa..." - um duche quente, seguido de um chá são sempre boas opções. Mas foi no duche que verdadeiramente a ideia me apareceu clara. 

 

"Volta ao passado, vai buscar o que já conheces." - sorri com este pensamento e após vestir o pijama corri a procurar um caderno que sabia ter em branco, esquecido. Comecei um diário. Munida de caneta da bic, deixei que os pensamentos fluíssem. Escrevi quatro páginas. Não sei se fazem muito nexo, mas foram a minha terapia. 

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Um diário foi o que me ajudou a mim. Pode não resultar convosco, mas devem encontrar o que resulta: meditação, ouvir música clássica ou heavy metal, jogar uma coisa qualquer no telemóvel/tablet, fazer palavras cruzadas, fazer listas, escrever uma carta, ler, navegar pelas páginas das lojas de roupa, contar carneiros, instalar uma app de sons relaxantes... Não há respostas erradas, desde que a atividade que escolham vos limpe a mente e vos dê a serenidade necessário para adormecer, a mesma que eu consegui através de um caderninho velho. 

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11
Mar20

Um domingo (quase) perfeito

C.S.

Domingo esteve um dia espetacular.

Aproveitei-obem, parecia que estava a adivinhar que ia entrar numa espécie de quarentena. Digo espécie porque não estou em isolamento social oficial, ou seja, não me foi dito que me teria de submeter a ele, mas a minha consciência é o que me manda fazer após duas pessoas, (com quem não tive contacto direto), do meu local de trabalho testarem positivo ao covid-19 e, consequentemente, o meu local de trabalho estar encerrado.


É engraçado que eu gosto tanto de escrever, mas às vezes as palavras não saem, ficam presas dentro de mim. E só hoje tive realmente vontade de vir até cá.


Acho que por esta altura já ninguém diz que é uma simples gripe. Ao menos isso. Agora falta que tenhamos consciência do que está realmente a acontecer e atuemos em consonância. Sejamos responsáveis, respeitadores e conscientes de que estamos todos no mesmo barco.

 

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20
Fev20

A ideia que não larga

C.S.

Em janeiro fiquei doente. Nada de especial. Uma constipação. Fui ao médico porque tenho de ter cuidado quando fico com tosse, uma vez que já tive pneumonia e uma lesão num pulmão. Fiz a medicação e a coisa foi passando. Mas volta e meia lá vinha a dor de garganta, o pingo. Mal-estar no trabalho, que exige constantemente que fale. Uma moinha no ouvido. Andei assim o mês de janeiro e parte de fevereiro. 

Não estava propriamente doente, mas também não me sentia a 100%. Voltei ao médico. Uma inflamação chatinha e o sistema imunitário em baixo. Quatro dias de atestado médico em casa, para recuperar, para descansar. Uma pausa inoportuna mas necessária. 

É o que estou a fazer. 

Mas...

O que é que acontece?

É uma história que se repete, na verdade. 

Sempre que estou em casa, de férias ou por estar doente, há uma ideia que me persegue. Persegue é a palavra certa, porque ela parece que está hibernada, escondida quando eu ando embrenhada na rotina dos meus dias, mas basta que a rotina abrande e ela atinge-me. Sempre certeira. Ora de forma mais abrupta, ora de mansinho, às vezes até parece que através de sinais. E eu fico sempre meio perdida. Meio atrapalhada. Meio sem saber o que fazer.

A ideia é esta: o trabalho que estás a fazer não é para sempre. Pelo menos não é o que te realizará completamente. 

E é isto. 

Ano após ano. 

A puta da ideia não me larga. Dá-me um intervalo, mas parece que está colada a mim. 

(Imagem aqui)

22
Jan20

Fui renovar o meu passaporte e...

C.S.

De todas as burocracias que temos de tratar ao longo das nossas vidas esta é a que menos me custa fazer, para ser sincera, quase que a faço com alegria. Porquê? A resposta é óbvia, não é? 

O passaporte representa liberdade, a oportunidade para descobrir todo um mundo novo. Traz-nos também uma certa independência. Muitas vezes olho para o passaporte e penso: És livre de ir onde quiseres, não é este um sentimento libertador? 

Ir. Conhecer novas culturas e novas pessoas. Ir e seres tu própria fora da tua zona de conforto. Ir e lidar com o imprevisto. Ir e descobrir mais, mais sobre ti e mais sobre tudo o que te rodeia. Viajar é isto. 

Viajar é das coisas que mais felicidade me traz, só de pensar no assunto já fico com um sorriso indisfarçável no rosto, e 2020 será o ano em que vou viajar para um dos destinos que consta na minha bucket list. E não, ainda não vos vou dizer qual é. Mas vai ser incrível! 

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(Imagem aqui)

21
Jan20

O amor está nos detalhes

C.S.

O tempo voa. Não tarda fará 5 anos que me casei. 5. A mim ainda me parece que foi ontem que fui escolher o vestido. Por outro lado, assim que sou invadida por este pensamento, os meus botões dizem-me imediatamente: A sério? Ontem? Parece que foi há uma eternidade. 

É engraçado o tempo. A noção que temos dele. Brinca connosco, faz de nós gato-sapato. 

A verdade é que comecei a namorar com o meu marido tinha 21 anos, eu, ele tinha 23. Casei aos 28. E agora já vou com 33. Vivemos juntos há 7. 

A nossa vida traduzida em números. Mas não é nos números que reside a fórmula para isto durar. É nos gestos de ternura. Na sensação de namoro que se mantém. É no bilhete que ele me deixa escrito em cima da mesa da cozinha quando sai para trabalhar mais cedo. É no bolo preferido dele, que lhe compro às vezes, para o surpreender. É nos planos de viagem que fazemos em conjunto. É no entrelaçar dos pés, debaixo da manta do sofá, enquanto vemos as nossas séries. É nos jantares que fazemos fora. É nas mensagens que vamos enviando ao longo do dia. É no olharmos um para o outro antes de adormecer. E, às vezes, também é nas discussões, que rapidamente atiramos para trás das costas. 

O amor está todo nos detalhes. No dia a dia a dois. No cuidar. No querer. Querer muito a outra pessoa e querer muito que o casamento dure, porque enquanto quisermos faremos o que for preciso para o alimentar. E como veem, às vezes, tudo o que é preciso é vermo-nos antes de adormecer. 

(imagem aqui)

20
Jan20

Qual é o segredo?

C.S.

Ontem publiquei na minha conta de instagram exatamente as mesmas linhas que publiquei aqui. E alguém me fez a pergunta que eu também já fiz tantas vezes: Qual é o segredo?.

Eu tentei responder da forma mais honesta possível, ainda assim, não fiquei contente. E aqui estou, porque o blog permite-me dar uma resposta mais extensa.

 

Afinal, qual é o segredo para se conseguir perder 20kg? 

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A verdade é que não há segredo. Não há fórmulas mágicas. Não há truques. Lamento mas é a mais pura verdade. Vou-vos dizer o que o meu treinador do ginásio me disse: É simples. Difícil, mas simples. Para perder peso temos que queimar mais calorias do que aquelas que consumimos. 

Antes de iniciar a dieta eu já treinava, de forma regular, há cerca de um ano, e nesse ano não perdi peso nenhum. Zero. Porquê? Porque eu comia normalmente. E normalmente para mim era só comer porcarias? Não, longe disso, até porque eu já tinha tentado algumas dietas e já tinha consciência de que devia preferir leite magro ao meio gordo, por exemplo. Já sabia que o pão escuro é mais interessante a nível nutricional que o pão branco. Raramente comia fritos e nunca bebia sumos ou refrigerantes. 

E não emagrecia. Porquê? Em primeiro lugar porque o meu metabolismo era suuuper lento. E depois porque consumia muitos mais hidratos de carbono do que aqueles que preciso (pão, massa, arroz, batata...). 

 

Então o que é que eu fiz para começar a perder peso? 

Cheguei a um peso com o qual não me identificava-me minamente e com o qual não estava confortável. Compreendi que tinha de mudar. Que era urgente fazê-lo. Deixei de fazer pesquisas na internet e de ler sobre as mais variadas dietas. Tinha de agir. 

E assim foi. Parei de me lamentar e decidi que tinha de por um ponto final nisto. Procurei uma nutricionista, que me foi recomendada por algumas pessoas que conheço e em quem confio. Conversei com ela, contei-lhe a minha história e como cheguei àquele peso. Traçámos um plano adequado a mim, com o qual me comprometi a 100%. 

Isto foi antes da minha viagem a Marraquexe. Combinámos que após a viagem voltaria lá e daria início à minha mudança. Dito e feito. 

Se custou? Claro que custou. Os primeiros dias são os piores, é verdade, mas depois habituamo-nos e começamos a sentir-nos bem. Começamos a gostar mais do espelho.

Óbvio que durante todo o percurso há sempre dias em que nos apetece muito comer. Comer um pastel de nata. Comer uma empada. Comer uma pizza. E o segredo, aqui, é falarem com a pessoa que vos está a acompanhar. Não guardem as angustias para vocês. Digam o que sentem. Contem-lhe o que vos apetece. De certeza que do outro lado vos darão uma solução. Faz toda a diferença.

E garantam que a(s) pessoa(s) que partilha o dia a dia convosco está 100% dedicada em ajudar-vos. É essencial. Ter quem vos mime e diga que são capazes. Ter alguém que acredita em nós, porque há momentos em que achamos que não somos capazes. Mas somos, claro que somos. E devemos ter alguém que nos lembre disto.

Eu sou uma sortuda. Tenho um super marido. Sempre presente e incansável. 

 

Inicialmente eu queria perder 15kg. Foi o peso que eu e a minha nutricionista achámos ser realista. Depois cheguei aos -15kg e naturalmente continuei o meu percurso, até atingir os -20kg, que é onde me encontro hoje. Se quero ficar por aqui? Não, porque ainda não estou onde quero. Mas estou tranquila. Estou orgulhosa de mim mesma e ciente daquilo que consegui. Isto tem sido um processo de aprendizagem. E descobri que as dietas não dão resultados a todas as pessoas porque todos somos diferentes e cada corpo tem necessidades diferentes, daí a importância de estarmos acompanhados de alguém que estudou para saber como é que isto funciona. Temos de confiar em quem é profissional e menos no Google ou nas redes sociais ou na vizinha... Temos de confiar em nós, também. Sempre. 

 

E o exercício? Continuei a fazer, naturalmente passei de duas vezes por semana para três e só vos posso dizer que gosto cada vez mais de treinar, porque me sinto cada vez melhor e tenho consciência que agora faço tanto que antes não era capaz. Gosto de vir amassada para casa. Essencialmente, gosto da sensação de estar a superar-me. 

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O post ficou enorme, mas tinha de vir aqui dizer-vos que o segredo é querer mudar e trabalhar muito para que isso aconteça. É deixar as calças 48 e passar para umas 42 com o nosso esforço.

O segredo somos nós próprios. 

 

19
Jan20

Sobre o que não é

C.S.

Quando decidi perder peso meti na cabeça que compraria umas jardineiras de ganga e um biquíni novo. 15kg. 15kg e compro as jardineiras. 
Perdi 7kg, 10kg, 14kg, 20kg. 20kg desde abril de 2019. E ainda não comprei as jardineiras. Nem o biquíni. 
Mas há dias fui mostrar umas análises à minha ginecologista e ela disse: "neste momento há zero risco de ter diabetes, na verdade está muito saudável". E eu sorri. Sorri para mim mesma.
Afinal isto não é sobre roupa. 

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