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há mar em mim

10
Jun17

Preferia não saber...

C.S.

Quinta-feira li uma notícia que mexeu comigo.Triste, real, cruel e desprovida de sentido, num mundo onde se diz que todos estamos ligados e acessíveis.

Preferia não tê-la lido, sem qualquer dúvida que se soubesse minimamente do que se tratava não teria avançado na leitura.

Chamem-me hipócrita, digam que eu prefiro viver numa redoma de vidro, acusem-me de querer fechar os olhos à realidade que me rodeia. Eu aceito tudo isso e admitirei as minhas fraquezas. Sem pestanejar.

A quinta-feira passou e eu falei da notícia com o A., que ficou tão chocado quanto eu.

Veio a sexta e eu não falei da notícia com ninguém, mas também não a esqueci.

E hoje voltou-me à memória. E voltará mais vezes.

Por isso, aqui me têm a usar o blog como se da cadeira de um psicanalista se tratasse, tentando descolar um pouco a imagem que se formou no meu cérebro. A terrível imagem de uma criança de 4 anos, morta de fome e de sede, abraçada à mãe que havia morrido dias antes, deixando-a entregue a si própria entre as paredes do apartamento onde viviam, em Londres.

Solitária, assustada, esfomeada e sedenta. Uma criança de 4 anos que morreu porque ninguém deu pela sua falta, nem pela falta da sua mãe. Contudo, os queixosos vizinhos deram pelo cheiro vindo dos corpos mortos. Calcula-se que a criança terá aguentado entre 10 a 15 dias antes de sucumbir.

E pergunto-me eu... Antes do cheiro, os vizinhos não terão ouvido uma criança desesperada?

Nada disto faz sentido. Nada disto adianta agora. Nada. Desta notícia não fica nada, para além de uma imagem que se cola a nós e de um vazio enorme que sentimos.

 

19
Mai17

Isto não pode ser jornalismo

C.S.

Um dia tive o sonho de ser jornalista. Não fui, não sou. 

Contudo, continua a ser uma profissão que me fascina, que acho necessária, porque é urgente saber o que se passa no mundo, de forma imparcial e desprovida de preconceitos. No entanto, tenho para mim que há muitas formas de dar uma notícia e imensas forma de abordar um assunto. 

O Correio da Manhã escolhe sempre o pior caminho. Sensacionalista. Injusto. Não olha a meios para atingir fins. E eu, que não sou jornalista, acho tudo isto um enorme absurdo. 

Que direito tem um jornal ou canal televisivo de exibir imagens de uma suposta violação? Onde se pretende chegar com isto? Noticiar é algo completamente distinto de propagar atos de violência que, do meu ponto de vista, foi aquilo que o Correio da Manhã fez. 

Eu, que não percebo nada sobre a profissão de jornalista, não consigo deixar de pensar na pessoa que terá sofrido os abusos. Não lhe basta ter passado por um momento traumático, que será extremamente difícil de superar e ainda tem de lidar com imagens desse acontecimento e um país inteiro a falar dele. 

Não sou jornalista, mas se fosse queria que o meu nome nunca aparecesse relacionado com este tipo de jornalismo, com este tipo de atitude inexorável. Espero que desta vez o Correio da Manhã seja sancionado à altura do sensacionalismo que propaga. 

(Imagem aqui)

08
Mai17

Há coisas que eu não consigo compreender...

C.S.

Ontem à tarde eu e o A. fomos dar um passeio, a tarde estava convidativa, fazia sol e muitas famílias tiveram a mesma ideia que nós, claro, ainda por cima era dia da mãe. Às tantas, nós passeávamos de mãos dadas, conversando, sobre tudo e nada, alegremente, quando nos deparámos com duas mães, conversando também elas entre si, que seguravam, cada uma, a sua trela. E o que tinham as trelas na ponta? Os respetivos filhos. Eu e o A. calámo-nos e entreolhámo-nos. Cada um pensando no absurdo daquela cena.

Nós ainda não temos filhos. Podem acusar-me de não saber do que falo, mas não vos parece que estas senhoras ao optarem por este sistema, mais do que serem cautelosas, estão, de certa forma, a desresponsabilizar-se de transmitir regras às crianças? Não lhes estão a explicar porque não se podem afastar, estão a impor-lhes limites físicos, estão a priva-las da sua liberdade. Ou sou eu que estou a ver isto mal?

Pareceu-me uma cena triste.

 

22
Mar17

Jeroen, o mesquinho

C.S.

Jeroen Dijsselbloem é este o nome que hoje mais se deve ter teclado por aí. Eu diria que não é para menos.

Há uns dias disse-vos aqui que odeio generalizações e é bem verdade. Generalizar não faz qualquer sentido, mesmo que estejamos a falar de um grupo minoritário, agora imaginem fazer uma generalização que ofende de uma assentada, não um, não dois, não três, mas quatro países. QUATRO! Estava inspirado o senhor Jeroen. Conseguiu que todos os países do sul da Europa (e não só) o odiassem.

Pode ter sido algo momentâneo, algo que se desabafa, mas ainda assim pergunto-me se este senhor acha mesmo que em Portugal, Espanha, Itália e Grécia apenas se bebe vinho e come mulheres. Acrescente-se ainda, como se a afirmação não fosse suficientemente má, que ela subentende um papel secundário para as mulheres, colocando-as em pé de igualdade com um objeto inanimado que apenas serve para ser adquirido por um bando se selvagens incapazes de controlar os seus desejos.

Não consigo deixar de imaginar este sujeitinho a chegar a casa, depois da sua bela entrevista, e a pousar as suas chaves numa mesa qualquer ao lado de uma moldura que contém variadíssimas fotos das suas férias em família. Fotos que apresentam a família Dijsselbloeem sorridente e contente em terras do submundo tal como o são as localidades de Santorini, Florença, Barcelona e Lisboa... Joroen olha a moldura com desdém e pensa: "Bem vos disse que um dia iriam pagar caro por terem ficado com todo o sol da Europa, hoje foi esse dia".

Mas talvez ele amanhã já não pense assim. Talvez ele seja afastado do cargo que tem e se veja impedido de viajar para todos os países que têm temperaturas médias acima dos 22ºC. Quem sabe...

Enquanto aguardamos os próximos capítulos, façamos um brinde em memória da honra morta deste senhor.

 

 

 

21
Mar17

6. Coisinhas que me irritam

C.S.

Já andavam com saudades das minhas irritações? Ou pensavam que isto já me tinha passado? A verdade é que não passou e, volta e meia, lá nasce ou renasce uma irritação em mim. Esta, da qual vos vou falar hoje, já é antiga e não desaparece enquanto as pessoas que praticam tal comportamento não deixarem de o fazer. Sabem o que lhes devia acontecer?

Isto:

(Imagem aqui)

 

Como já vos disse em alguns posts, eu vivo perto, bem pertinho do mar. O mar é algo que eu adoro e que sempre me fascinou e julgo que grande parte da população portuguesa, (eu vou arriscar dizer que mais de 90%), se junta a mim neste gosto, fora as pessoas que não gostam de areia, fora as pessoas que têm medo e/ou não gostam de água, claro está.

Assim sendo, alguém me explica por que raio há gente retardada que atira, deixa, não apanha... o lixo que faz junto ao mar?!

Todos gostam de chegar à praia e ver um areal perfeitinho, certo? Limpo e convidativo. Então porque é que se continuam a ver latas, beatas, fraldas, garrafas das mais variadas espécies, entre tantas outras coisas, no mar, na areia, nas dunas, nas rochas... Porquê? PORQUÊ?

Nunca se deve ser radicalista, mas neste caso eu vou sê-lo e vou afirmar que jamais alguém conseguirá encontrar uma justificação, (atenção que nem digo que tenha de ser boa), para tais comportamentos.

 

(Imagem aqui)

15
Mar17

Preferia não ter ouvido...

C.S.

Cada vez mais, deixem que vos diga, odeio pessoas com pensamentos extremistas.

Ontem, estava eu numa pausa do meu trabalho, tranquila a beber a minha água, quando ouvi algo que quase me fez deitar água pelo nariz.

Numa mesa ao lado estavam três colegas a conversar animadamente, disse-lhes "bom dia", quando passei, e sentei-me na mesa ao lado, não estava a prestar atenção a nada do que diziam, até que um deles diz: "se há raça que eu exterminava, era a raça cigana". Oi? Ouvi bem? Exterminavas? Mas agora és quem? O Hitler? Eis que, não contentes com isto, diz outra que também estava naquela mesa: "eram os ciganos e os alentejanos, não fazem falta". E aí eu petrifiquei. Creio até que, por momentos, o meu cérebro parou. Mas que gente é esta? Supostamente instruída e que apregoa sem qualquer despeito tamanhas alarvidades.

Poderão vocês tentar justificar, como eu tentei, que se calhar ouvi tudo fora de contexto e aquilo até podia ser uma qualquer brincadeira de mau gosto. Contudo, não deixa de ser diarreia verbal, que mais valia apodrecer para todo o sempre naquelas cordas vocais.

Quando é que começámos a ser assim tão intolerantes? Se há coisa que não suporto são aquelas afirmações do tipo: "todos os alentejanos são uns preguiçosos", "os algarvios são todos sovinas", "os nortenhos são todos bimbos", "os espanhóis são todos arrogantes"... Como podem ousar afirmar tal coisa? Por acaso já contactaram com TODOS os alentejanos, algarvios, nortenhos, espanhóis, ciganos, refugiados, romenos, búlgaros, ou raio que os parta?!

Generalizar é cair na perfeita estupidez, é afirmar, sem que seja necessário que realmente o façam, que caminham por esta vida de olhos vendados.

 

 

 

 

28
Fev17

Depois do glamour um banho de realidade...

C.S.

Tal como vos havia confidenciado no final da semana passada, aproveitei estes dias para carregar baterias, relaxar, fazer atividades ao ar livre e namorar muito com o meu mais que tudo. Entre este meu plano de relaxamento e a tão falada noite de Óscares que passou e à qual estive atenta não li, nem vi muitas notícias, às vezes sinto que necessito de desligar do mundo para manter a sanidade mental.

E não é que assim que me procuro informar fico a saber que um fadista português decidiu partilhar com o mundo que é racista e homofóbico?! As redes sociais são ótimas, mas quando não existiam estas pessoas diziam disparates apenas no café da esquina a quem se dispunha a ouvi-las, hoje temos os seus pensamento propagados como uma praga.

Mais uma passagem de olhos pelas informações do dia e eis que embato numa notícia que me entristece profundamente e me dá vontade de desejar que o planeta terra seja colonizado por uns E.T. que tenham como missão espalhar a paz e o amor, qual misse universo, qual quê!

Em pleno ano 2017 continuam a ser recorrentes as notícias sobre escravatura. Podem ver aqui àquilo a que me refiro.

Como pode um ser humano achar-se superior a outro ao ponto do explorar. Como pode alguém ter coragem de usar crianças? Como é que é possível existir tanta riqueza neste nosso mundo e permitir-se que situações destas aconteçam?

Tantas perguntas e por mais respostas que se dessem nenhuma poderia justificar o injustificável. O ser humano é atroz. Capaz do pior. Preferia ter ido dormir na ignorância, pelo menos iria demorar menos a adormecer. Estes banhos de realidade fazem-me estremecer.

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