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há mar em mim

01
Mai17

Fences (com Denzel Whashington e Viola Davis)

C.S.

No sábado vi finalmente este filme.

Fences é um filme sobre pessoas, emoções e tormentos do passado. Também aborda a temática do racismo, esta é transversal a todo o filme, sem se tornar no epicentro da história. 

 

Não quero revelar demasiado da história para não estragar o filme a quem ainda não o viu, mas tenho de vos dizer que a personagem de Denzel Whashington vos vai provocar sentimentos contraditórios, irão sentir compaixão pela história deste homem, mas ao mesmo tempo vão desprezar muitas atitudes que ele tem. Em certos diálogos que tem com os filhos, sobretudo com o mais novo, Cory, vemos um homem que se deixa levar pelos problemas do seu passado, que não foi fácil, e projeta todo o seu rancor no presente.

 

Este filme demonstra-nos, uma vez mais, a qualidade de Denzel e Viola enquanto atores. Que grandes interpretações! Foi bem merecido o Óscar que Viola Davis levou para casa pelo seu desempenho nesta longa metragem.

 

Contem com um filme de emoções fortes, mas cuja ação se passa praticamente toda no mesmo sitio, a casa e, sobretudo, o quintal do casal. É no quintal que anda a ser construída uma cerca, (que acaba por dar nome ao filme), que assume um papel metafórico e simbólico.

Aconselho-vos a ver este filme, pois faz-nos refletir sobre a forma como vivemos as nossas vida e como deixamos que o passado nos afete.

(Imagem aqui)

15
Mar17

Preferia não ter ouvido...

C.S.

Cada vez mais, deixem que vos diga, odeio pessoas com pensamentos extremistas.

Ontem, estava eu numa pausa do meu trabalho, tranquila a beber a minha água, quando ouvi algo que quase me fez deitar água pelo nariz.

Numa mesa ao lado estavam três colegas a conversar animadamente, disse-lhes "bom dia", quando passei, e sentei-me na mesa ao lado, não estava a prestar atenção a nada do que diziam, até que um deles diz: "se há raça que eu exterminava, era a raça cigana". Oi? Ouvi bem? Exterminavas? Mas agora és quem? O Hitler? Eis que, não contentes com isto, diz outra que também estava naquela mesa: "eram os ciganos e os alentejanos, não fazem falta". E aí eu petrifiquei. Creio até que, por momentos, o meu cérebro parou. Mas que gente é esta? Supostamente instruída e que apregoa sem qualquer despeito tamanhas alarvidades.

Poderão vocês tentar justificar, como eu tentei, que se calhar ouvi tudo fora de contexto e aquilo até podia ser uma qualquer brincadeira de mau gosto. Contudo, não deixa de ser diarreia verbal, que mais valia apodrecer para todo o sempre naquelas cordas vocais.

Quando é que começámos a ser assim tão intolerantes? Se há coisa que não suporto são aquelas afirmações do tipo: "todos os alentejanos são uns preguiçosos", "os algarvios são todos sovinas", "os nortenhos são todos bimbos", "os espanhóis são todos arrogantes"... Como podem ousar afirmar tal coisa? Por acaso já contactaram com TODOS os alentejanos, algarvios, nortenhos, espanhóis, ciganos, refugiados, romenos, búlgaros, ou raio que os parta?!

Generalizar é cair na perfeita estupidez, é afirmar, sem que seja necessário que realmente o façam, que caminham por esta vida de olhos vendados.

 

 

 

 

16
Fev17

Cenas tristes do quotidiano

C.S.

Todos os dias, para poder ir trabalhar, passo na mesma estrada. É considerada uma das piores e mais problemáticas do país (iupi!!!) e eu não tenho alternativa. Ou melhor, tenho, mas custa os olhos da cara. E eu prezo os meus olhos.

E todos os dias são mais de 100km para ir trabalhar. Ao preço a que estão os combustíveis todos compreenderão a minha dor. Mas enfim. Bola para a frente... Porque para a frente é que é o caminho e eu nunca posso chegar atrasada, não me perdoariam.

 

Nesta estrada movimentada e caótica existe um troço que costuma estar povoado, não só de carros, mas também de senhoras, entre três a quatro em menos de 1km.

Eu sou super distraída no que toca a alguns assuntos e só passada uma dúzia de vezes de fazer o bendito percurso é que comecei a ver que por ali haviam sempre senhoras. Achei, nos primeiros dias, que estariam à espera de alguém e depois achei que estavam a pedir boleia e depois fez-se luz, elas até têm cadeiras para esperarem sentadas e estão sempre de mini saias ou de mini vestidos. Mesmo quando o termómetro do meu carro marca -1ºC.

 

Já perceberam? Já perceberam o que fazem estas senhoras para ganhar a vida? Caramba, vocês são mesmo mais atentos que eu.

Mas agora, chegados a este ponto, estão vocês a pensar: "C.S., demoraste tanto tempo a perceber?". Sim, demorei, sou um bocado despistada, o que é que querem?!

E agora pensam: "Mas porque está ela a divagar neste assunto?!". Calma, explico já.

Porque num destes dias, lá ia eu no meu difícil percurso, quando reparei que por lá se encontrava um carro (familiar) "a fazer negócio" e tinha um daqueles autocolantes que dizem: "Bebé a bordo". E eu sustive a respiração. Abanei a cabeça para não pensar no assunto. Mas não consegui não pensar no bebé que normalmente anda naquele carro e que é agarrado e beijado por aquele senhor que estava interessado numa senhora que ganha a vida à beira da estrada a prostituir-se.

 

Não sei o que vocês acham, mas eu acho triste. Acho que todos estes protagonistas da vida real tem uma história triste, cheia de um nevoeiro denso, daqueles que demora dias e dias e dias a desaparecer.

 

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