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há mar em mim

28
Mar20

Eventualmente ficará tudo bem

C.S.

"Vamos ficar todos bem."
É uma frase que adoptámos para nos dar conforto e esperança. Um frase que pedimos às crianças que pintassem, chutando, dessa forma, o medo para longe.
Uma frase que nos agarra à vida quando morte anda à solta, mais acutilante que nunca.


Mas os números estão aí. Todos os dias, com hora marcada. A cada dia mais assustadores.


Eventualmente ficará tudo bem, exceto para os que partem. Exceto para os que foram para o hospital e não conseguiram sair de lá com vida. Sem oportunidade de ver familiares e amigos, ainda que por uma última vez.


Ficará tudo bem, sim. Mas não esqueceremos quem já cá não estará para os abraços apertados e os jantares demorados.


Estes dias lembram-nos que Pessoa tinha a razão do seu lado quando, sob o heterónimo de Alberto Caeiro escreveu: Quando chegar a Primavera, se eu já estiver morto, as flores florirão da mesma maneira.

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24
Mar20

"Éramos felizes e não sabíamos" - Parem lá com isso, porra!

C.S.

(Imagem aqui)

 

Vamos lá a saber...

Quantas vezes já se depararam com esta frase nas redes sociais: Éramos felizes e não sabíamos.

5?

10?

30?

99? Mais... 

Dá vontade de ir à janela gritar: ACABEM LÁ COM A MERDA DA LAMÚRIA QUE JÁ NÃO HÁ PACHORRA, PORRA! 

A sério, ninguém acredita que vocês eram felizes e não sabiam. Porquê? Porque a pessoa tende a reconhecer quando está feliz, normalmente é quando não está doente, a vossa vida corre bem, ordenado garantido no final do mês, não têm dívidas por aí além para pagar, vão jantar fora de vez em quando, com sorte com a cara metade que até já fisgaram, e até têm uma viagenzinha ou duas em vista. É isto, para os comuns mortais não é muito mais que isto. 

A não ser, claro está, que já tenham filhos e aí já entram nas vossas contas o bem-estar deles e o quão realizados os conseguem fazer sentir. Porque a vossa criança é todo o vosso mundo e ai de vocês que julguem ser seres individuais, independentes da família que criaram. Neste caso, a vossa felicidade fica dependente do sorriso das vossas crianças. Mas também é fácil ver isso. Ou não?

Se eles têm entre 0 ou 7 anos e passam 50% do tempo a chorar... Já foram. Não há felicidade que aguente. Vão por mim, não são felizes em quarentena, mas também não o eram antes. 

Se os vossos filhos têm entre 8 e 18 anos e passam mais de 60% do tempo a revirar os olhos... Paciência, também não podem dizer que eram felizes. Mas não se sintam mal, toda a gente sabe que um pré adolescente/adolescente suga a vida a todos os seres vivos com os quais convive, usando para isso a sua irritabilidade crónica e desdém por tudo o que não é um ecrã. 

Se não se encaixam nos perfis acima descritos, parabéns! Com certeza que eram felizes, mas de certezinha que já o sabiam antes, porque pais que têm adolescentes em casa e que não os veem soprar ou revirar os olhos na maior parte do tempo sabem que foram abençoados por uma entidade divina qualquer. 

(Imagem aqui)

 

O problema, minha gente, é que a maioria dos seres vivos que estão a reproduzir a frase que dá o título a este post até à exaustão são... 

(Imagem aqui)

 

INFLUENCERS!!!!! Sim. Ver-da-de!!!! Aquelas que pessoas que passam o seu tempo a viajar e quando não estão a viajar estão a receber cremes, roupas e malas para depois nos tentarem vender. 

Acreditam? 

Elas eram felizes e não sabiam. 

Tenho tanta pena! 

(Imagem aqui)

 

21
Mar20

#1 Pensamentos de uma pessoa em isolamento social

C.S.

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Utilizando o Canva, comecei a escrever estes pensamentos que me assolam a mente e a colocá-los no Instagram - podem e devem seguir-me lá - como forma de passar o tempo, claro, mas também de brincar com a situação. Porque nunca a frase "rir é o melhor remédio" me fez tanto sentido. 

18
Mar20

Possível estado de emergência

C.S.

E hoje, que estou fechada em casa, a minha memória traz-me aqui, à serra, aos longos e felizes dias de verão em que andei à descoberta do nosso país.
Olho para esta foto e vejo liberdade.

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Se hoje for decretado o estado de emergência em Portugal perderemos um pouco da nossa liberdade, mas lembrem-se que é por um bem maior, é para que possamos mais rapidamente sair das nossas casas e voltarmos a estar juntos, voltarmos a abraçar, voltarmos a poder ir onde nos apetecer.

Separados mas mais juntos que nunca, por um bem maior.

14
Mar20

Como consegui acalmar o suficiente para dormir bem

C.S.

Eu não sou uma pessoa dada a ansiedade. Normalmente. Mas estamos a viver uma situação atípica e a ansiedade apanhou-me. E eu não quero. Não a posso deixar instalar-se. 

 

Ontem, antes de ir para a cama, sozinha, porque o A. foi fazer o turno da noite, comecei a pensar que tinha de fazer algo ou a noite não ia ser fácil, sentia um peso no peito. "Pensa, Cátia, pensa..." - um duche quente, seguido de um chá são sempre boas opções. Mas foi no duche que verdadeiramente a ideia me apareceu clara. 

 

"Volta ao passado, vai buscar o que já conheces." - sorri com este pensamento e após vestir o pijama corri a procurar um caderno que sabia ter em branco, esquecido. Comecei um diário. Munida de caneta da bic, deixei que os pensamentos fluíssem. Escrevi quatro páginas. Não sei se fazem muito nexo, mas foram a minha terapia. 

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Um diário foi o que me ajudou a mim. Pode não resultar convosco, mas devem encontrar o que resulta: meditação, ouvir música clássica ou heavy metal, jogar uma coisa qualquer no telemóvel/tablet, fazer palavras cruzadas, fazer listas, escrever uma carta, ler, navegar pelas páginas das lojas de roupa, contar carneiros, instalar uma app de sons relaxantes... Não há respostas erradas, desde que a atividade que escolham vos limpe a mente e vos dê a serenidade necessário para adormecer, a mesma que eu consegui através de um caderninho velho. 

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13
Mar20

É tempo de pensar em todos

C.S.

Quem me dera encontrar as palavras certas para vos confortar. Mas esta semana tem custado a passar, com a vida em suspenso, planos adiados, trabalho acumulado e sonhos que se desfazem é difícil reunir o ânimo de vir até cá. E não falta tempo.

 

Sinto que tenho estado entorpecida. Recordo os dias da semana passada como se tivessem sido há muito, muito tempo. Lembro-me das caras de desilusão das minhas alunas quando lhes disse que íamos cancelar a visita de estudo a Espanha, agendada para dia 03/03. Disse-lhes que as preferia ver zangadas do que com pneumonia e aí ficaram sem resposta, mas nos seus olhos vi que me acusavam de excesso de zelo. Não me importei, antes assim.

 

Lembro-me de passar a semana a comentar com os meus colegas que o assunto era mais sério do que parecia no início e, aos poucos, todos se foram começando a consciencializar que sim. Ia pondo gel desinfetante nas mãos quando mais ninguém o fazia. Todos comentavam que havia gente na escola que tinha regressado de Itália. E todos queríamos acreditar que tudo iria correr bem porque, afinal, estavam na escola com o consentimento das autoridades de saúde. E foi o que se viu...

 

Lembro-me que participei numa  feira organizada pela câmara municipal, com a representação de todas as escolas da cidade, quinta, sexta e sábado, e lembro-me de pensar: "não devíamos estar aqui, mas porque não foi isto cancelado?!", enquanto olhava para os miúdos a fazerem coreografias ensaiadas ou enquanto reencontrava velhos conhecidos que me cumprimentavam afavelmente e aos quais não tive coragem de dizer para manterem a distância recomendada.

 

Lembro-me de tudo isto e penso que era inevitável que tenhamos chegado aqui, porque somos de afetos e porque tendemos a acreditar que só acontece aos outros.

 

Agora? Agora é manter a calma e sermos os melhores cidadãos de que há memória, ou seja, cumprir com o que nos é pedido. Acalmar. Ficar em casa quem pode ficar. Ter muito cuidado e tomar todas as medidas preventivas a quem anda na rua, a quem tem mesmo de ir trabalhar. Ajudemo-nos.

 

Separados mas juntos. A pensar nos idosos, a pensar em quem tem asma, a pensar nos doentes cardíacos, nos diabéticos, nos doentes oncológicos...

Separados mas juntos, para que todos possamos voltar a ser, o mais rápido possível, o povo caloroso, beijoqueiro e afável que somos, mas até lá contenção. Separados mas juntos. 

 

É tempo de pensar em todos. 

IMG_20200312_210730.jpg

Imagem retirada da conta de IG de Nádia Sepúlveda.

 

(E ainda bem que o governo tomou as medidas que tomou ontem, até poderiam ter ido mais além. Mas já foi bom. Esperemos que cheguem.)

 

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