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há mar em mim

29
Jan19

Um assunto que me preocupa realmente

C.S.

Quem me visita com regularidade sabe a minha profissão, mas também sabe que eu não falo muito dela. Lá me queixo da instabilidade que lhe é inerente , dos concursos, de uma ou outra conversa tola à hora de almoço, mas pouco mais. 

 

Porquê? Por várias razões, desde o facto de este ser um espaço onde gasto algum (muito?) do meu tempo livre e, como tal, julgo que seja normal que me queira afastar dos assuntos profissionais, por outro lado, tenho bem definida na minha cabeça a ideia de que trabalho com menores e que o que acontece na escola não deve ser exposto, (ao contrário daquilo que muita gente faz, não é verdade? Sim, refiro-me, por exemplo, às fotos de respostas absurdas que os alunos dão nos testes e que volta e meia são colocadas nas redes sociais.). Sou completamente contra esse tipo de exposição, ainda que os alunos não sejam identificados. Acho um ato desses uma grande falta de ética. Mas cada um sabe da sua própria consciência. 

 

Mas esta conversa toda para quê? Para vos dizer que vou abrir uma exceção. Eu dou aulas há cerca de 10 anos e, neste momento, há algo que me assusta verdadeiramente nas escolas. Nada mais, nada menos, que o comportamento dos alunos. (Atenção! Aquilo que vou escrever a seguir prende-se com a minha experiência. Não quero com isto dizer que o mesmo está a acontecer em todas as escolas do país. Até porque em 10 anos eu passei apenas por 12 escolas.)

 

Nestes últimos dez anos tenho verificado que o comportamento dos miúdos, de um modo geral,  se tem alterado neste sentido: têm aumentado os comportamentos de ansiedade, depressão e agressividade e diminuído a capacidade de tolerância, de procurar superar problemas e reagir perante uma dificuldade. Os meninos dizem com extrema facilidade "não sou capaz" e "não sei", mas raramente pronunciam as palavras "vou tentar", "eu ajudo-te" ou "vou conseguir". 

 

O que é isto me demonstra? Que apesar de vivermos numa sociedade onde existe o culto da beleza física, estamos a esquecer de cultivar os egos e isto é preocupante. Estaremos perante uma geração de desistentes, desinteressados e incapazes? Não me parece. Pelo menos recuso-me a acreditar em tal facto. Mas a verdade é que vejo diariamente crianças derrotadas. 

 

Faço muitas vezes uso do reforço positivo, talvez não tantas como deveria, mas é uma preocupação que tenho, porque efetivamente sou levada a crer que muitas das crianças com quem convivo deixaram de ser estimuladas nesse sentido. 

 

Serei eu que tenho andado só por escolas onde este fenómeno é mais visível? Pode ser. Mas a verdade é que as escolas estão cada vez mais heterogéneas, havendo de tudo um pouco. O melhor, o pior e o médio. Por isso, se existe de tudo um pouco, não me parece que seja um problema único e exclusivo da região do país em que trabalho. 

 

E pensam vocês: "Mas, C.S., não há bons alunos? Não há os que ainda demonstram entusiasmo com a aprendizagem?". Há claro que há. Mas a verdade é que são cada vez menos. Cada vez mais raros. 

 

A resolução deste assunto passará apenas pelas escolas? Não me parece... Creio que este problema terá que começar a ser resolvido em casa e até acho que este problema deveria ser assumido, também, pelas entidades governamentais. Mas isso... Isso é tema para outra conversa. 

(Imagem aqui)

E para terminar deixo-vos este link e este

08
Nov17

O Renato

C.S.

- Vai para a puta que te pariu!

A frase ecoa-lhe na cabeça, uma e outra vez, uma e outra vez, uma e outra vez... Até que as palavras percam o significado.

 

Renato tem 9 anos e ouviu a frase pela primeira vez. Foi-lhe dirigida a si, com toda a violência que as palavras podem conter, porque vinha distraído a contar as moedas que tinha na carteira e esbarrou, sem querer, num miúdo mais velho. Pediu desculpa, mas de nada lhe serviu. O outro olhou-o com desdém e usou o imperativo no seu tom mais agressivo ao mesmo tempo que concentrou toda a sua força nas mãos para empurrar Renato, que acabou por cair aparatosamente no chão.

 

Renato tinha vontade de contar à mãe, quando chegasse a casa, mas seria incapaz de lhe reproduzir o vocábulo usado e como não sabia o que havia de fazer para acalmar os sentimentos maus que se apoderavam dele, chorou. Chorou muito, escondido na casa-de-banho, onde ninguém o pudesse ver. Os seus pais eram, sem dúvida, as pessoas de quem mais gostava no mundo e sentiu uma tremenda injustiça por a mãe ser ofendida assim, despropositada, violenta e amargamente, em pleno recreio.

 

Após ter chorado as suas frustrações e inseguranças Renato traçou um plano: iria falar com a sua professora sobre o que lhe tinha acontecido. Os pais sempre o haviam ensinado a agir perante alguma injustiça e era isso mesmo que ele tinha decidido fazer. Não iria denunciar o seu colega, não o queria punir, mas sim instruir. Assim, Renato, aos 9 anos, foi o impulsionador, na sua escola, de uma campanha bem sucedida contra o bullying e a violência nos recreios.

 

Não sabia o Renato que aquele episódio iria marcar a sua vida para sempre, já que o sentido de justiça nunca mais o abandonou e ele tornou-se no melhor juiz que poderia ser.

20
Jun17

Rodrigo Guedes de Carvalho, para mim, um dos melhores

C.S.

"Devemos todos ajudar a construir um mundo onde as crianças vejam que os adultos não faltam à sua palavra." Rodrigo Guedes de Carvalho

 

Concordo em absoluto com a afirmação que o jornalista da sic faz. Creio que, se não temos a certeza de conseguir cumprir uma promessa que fazemos a uma criança, então, mais vale que fiquemos calados. Porque eles não se vão esquecer do que prometemos, vão ficar à espera e se não conseguirmos cumprir a desilusão será enorme.

Um dia a minha mãe prometeu-me algo que, infelizmente, na hora "H" não pôde cumprir. Hoje compreendo perfeitamente os motivos dela, mas na altura, com os meus 6/7 anos aquilo constituiu uma enorme mágoa que demorou a passar.

Não se esqueçam que os miúdos também aprendem por imitação de comportamentos.

31
Mai17

Há muito tempo que não vejo os telejornais, mas ontem...

C.S.

Ontem, fazia eu um zapping apressado e despreocupado antes de ir  jantar e eis que o pivô da RTP1 atira-me as seguintes palavras: "São números assustadores. Todos os dias na Europa, a cada 2 minutos, desaparece uma criança. São maioritariamente crianças refugiadas que fogem da guerra e procuram abrigo na Europa.".

 

O quê? A cada 2 minutos desaparece uma criança na Europa? A cada dois, uma criança? Na Europa? 

 

Como podemos ouvir tais números e ficar indiferentes? Como podem os dirigentes europeus conhecer tais números e dormir descansados?

Estamos a falar de crianças, que já viram o inferno, que o atravessaram e chegaram à Europa (sabe-se lá como, em que circunstâncias...), algumas acompanhadas e outras tantas sozinhas, crianças que já perderam tanto, se não mesmo tudo.

 

Gostava de saber o que está genuinamente a Europa a fazer para contrariar estes números. Eu, assim a quente, diria que está a fazer muito pouco ou mesmo nada, porque caso contrário os números não seriam tão assustadores.

Não que o desaparecimento de uma só criança não seja motivo de preocupação, mas o desaparecimento de crianças em grande escala deveria fazer soar todos os alertas possíveis.

Os grandes líderes mundiais em vez de andarem a medir o tamanho das pilinhas deviam preocupar-se com o que realmente importa e arranjar soluções para tantos problemas graves que surgem diariamente.

 

Assusta-me pensar o que é feito com essas crianças... Sei que todos saberemos mais ou menos as respostas, basta-nos pensar um pouco, mas queremos ingorá-las, a bem da nossa sanidade mental.

 

No meu mundo ideal as crianças seriam seres intocáveis, imunes a tudo e a todos.

 

(Imagem aqui)

 

 

12
Abr17

Ver o mundo pelos olhos de uma criança

C.S.

As crianças entusiasmam-se com extrema facilidade e aborrecem-se ainda com mais rapidez.

Adoram animais, flores e saltar em poças de água. Ver desenhos animados pode ser o ponto alto do dia.

WP_20170411_11_54_19_Pro[953].jpg

Interpretam o mundo com grande facilidade e adoram descobrir coisas novas. Não têm medo ou vergonha de pedir beijinhos e abraços onde quer que seja.

A memória nunca lhes falha e raramente se sentem cansados. São elásticos e sérios entusiastas dos mais variados sabores de gelados.

Reconhecem o certo e o errado e para eles não há meio termo. Alguns são mais fáceis de persuadir que outros, mas dificilmente resistem a uma ida ao parque e umas quantas voltas de carrossel.

São pequeninos, frágeis e precisam de toda a nossa atenção. São capazes de nos fazer rir com as coisas mais tolas e o melhor dia das suas vidas está sempre a acontecer.

WP_20170411_11_36_59_Pro[952].jpg

Acho que devíamos todos aprender mais com as crianças.

09
Fev17

Uma sugestão para oferecer a mini pessoas

C.S.

 

Eu acho que livros são das melhores prendas que se podem oferecer às crianças. A infância é a altura certa para estimular a leitura e, verdade seja dita, ainda nunca conheci uma criança que não goste de livros.

Por tudo isto, já não é a primeira vez que ofereço um livro à minha mini pessoa favorita, a minha sobrinha, que fez há bem pouco tempo seis aninhos. Contudo, é a primeira vez que lhe ofereço um livro que é realmente para ela, quero com isto dizer que o livro em questão foi feito propositadamente a pensar nela.

Eu descobri a página do facebook da Your Story por acaso, mas gostei muito do conceito. Livros de histórias para os pequenotes e que fazem deles os personagens principais. Maravilha! Existem seis histórias diferentes que vocês podem personalizar e até escolher a lição que querem que os vossos pequeninos aprendam com aquele livro. Achei super interessante.

Arrisquei encomendar sem ter referencias, ou seja, sem saber de alguém conhecido que já tenha adquirido um destes livros, mas ainda bem que o fiz. Os métodos de pagamento são super fáceis, o livro chegou no limite de dias estipulado e a história não desilude em nada e tem ilustrações fantásticas. Ainda podem incorporar uma dedicatória personalizada, isto por cerca de 29€, aproximadamente. E verdade que não é muito barato para um livro infantil, mas é o único que é criado propositadamente a pensar nas vossas mini pessoas.

Podem consultar a página da Your Story aqui.

 

Nota: Eu não tenho qualquer ligação à marca, não estou a promover nada e lerem isto não vos deu direito a qualquer desconto (desculpem!), simplesmente achei uma ideia muito gira, fiquei satisfeita com o produto que encomendei e pensei que alguns de vocês, que poderão não conhecer a marca, gostariam de conhecê-la.

 

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