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há mar em mim

22
Dez20

E os ensinamentos de 2020?

C.S.

Sinto que toda a gente retirou grandes ensinamentos de 2020, mas eu continuo com dúvidas. Provavelmente com mais do que tinha há um ano atrás. E novos receios, claro.
Mas também novos sonhos. E afinal a idade não nos traz certezas de nada (pelo menos a mim), dá-nos, sim, mais confiança para nos fazermos ouvir e também o discernimento de saber quando é melhor estar calados.
2020 não foi uma revelação, mas como tudo, também teve momentos bons. E porque cada história pode ser contada de variados pontos de vista, eu quero recordar esta como um daqueles dias chuvosos que terminam com um pôr do sol glorioso. Porque no final é sempre melhor optarmos por ser felizes.

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09
Dez20

Fazer as pazes com 2020

C.S.

Ontem estava a anotar na agenda coisas já para o mês de fevereiro e depois parei. Pensei. Não tarda faz um ano que me enviaram para casa, confinada, onde fiquei mais de 50 dias até começar a sair. 9 de março. Impossível esquecer.


Para onde foi o tempo este ano?


E depois lembrei-me que pintamos a casa; que fizemos uma escapadinha para celebrar os 5 anos de casamento; que compramos um toldo vertical para nos proteger a varanda do sol quente do verão; que tive a minha sobrinha comigo 3 semanas quando começamos a desconfinar; que trabalhei imenso; que fiz uma escapadinha a Cabanas de Tavira, que é já aqui ao lado, mas que foram os únicos dias deste ano que tiveram gosto a férias; que arranjamos uma forma de desperdiçar menos água; que li 40 livros; que me senti completamente realizada no dia em que fiz 34 anos; que a minha mãe me fez o melhor bolo de aniversário de sempre; que a minha sobrinha me organizou uma festa surpresa (5 adultos e 2 crianças); que consegui ir à feira do livro de Lisboa; que ele perdeu o apêndice, mas correu tudo bem; que sonhei com as férias que cancelei, com as Maldivas e com um mês inteiro em Madrid; que me apaixonei pela voz maravilhosa de Ella Fitzgerald...

Claro que houve imensas coisas más. Mas estas são as que vou guardar. E tenho a certeza que se pensarem também conseguirão fazer uma lista semelhante.

Se calhar está na hora de começar a fazer as pazes com 2020, para que possamos sair a sentir-nos mais leves. 

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07
Nov20

Eternos insatisfeitos

C.S.

Há pessoas que nascem com um propósito. Gente que vem ao mundo quase com o destino traçado. Gente que cresce e nunca hesita, que sabe exatamente o que responder ao clássico "O que queres ser?". 

E há outros que não. Os que vagueiam. Os que acabam a fazer alguma coisa de que até poderão vir a gostar, mas sem nunca se sentirem completamente realizados. Os que têm dúvidas. Dúvidas sempre. Tem aos 14 e continuam com elas aos 18. Os que estranhamente seguirão com dúvidas pelos 20's adentro. Que chegam aos 30's com esperança de que as dúvidas se acabem, quase a desejar que se resignem. Alguns conseguem-no. 

E os que não? Os que avança pelos 30's com uma inquietação constante. Que em vez de diminuir com o tempo parece que se agiganta. 

Em que se tornarão estes eternos insatisfeitos? 

Algum dia se renderão?

Algum dia admitirás?

 

05
Nov20

Que desordem vagueia por aqui

C.S.

Hoje está um espetacular dia de outono. Faz frio, o céu está carregado e as nuvens movem-se com alguma rapidez ao sabor de um vento que vem do mar. 

É mais um daqueles dias que me faz questionar tudo o que me rodeia, numa série de pensamentos que se apoderam de mim mesmo sem serem convidados. Às vezes sinto que tenho tantas coisas para contar que podia colocá-las por escrito e no final teria um livro. Mas imediatamente oprimo esse pensamento.

"Como se tu fosses alguma vez capaz de escrever um livro."

"Como se o que tens para dizer interessasse a alguém."

"Como se tu tivesses coragem."

"Como se as palavras não te falhassem." 

"Como se..."

Ficamos mais introspetivos com a idade? Merda. Merda! Merdaaaaa! 

"Porque não te contentas em ser apenas aquilo que és e ambicionas a algo que não conseguirás proporcionar-te?"

Estou presa? É isso? Estarei presa a mim própria? Ou só ainda não adquiri confiança suficiente para, pelo menos uma vez, acreditar que sim serei capaz, sozinha, por mim e por mais ninguém?

28
Out20

A melancolia do outono

C.S.

É tão belo o outono e tão melancólico.

Deixa-nos entre o fascínio e o desespero.

Adormece-nos a euforia dos dias mais quentes e torna-nos mais introspetivos.

Adoramo-lo. Mas o frio vai-se agarrando à nossa pele. E as folhas vão caindo e lembrando que nada é para sempre. 

É essencialmente poético e, no entanto, não deixa de ser triste, quando as folhas são só um emaranhado de restos pisados e molhados pela chuva que vai caindo. Como os nossos sentimentos. 

Na nossa cabeça escutamos músicas tristes e antigas, talvez até um crepitar de lenha a arder, na tentativa de encontrar algum conforto. 

A brutalidade do outono atinge-nos sempre, pelo seu esplendor. Pela sua mutação. Pela lembrança de que estamos mais perto de cair também. 

Mas a primavera sempre chega. 

(Imagem aqui)

26
Out20

¡España, cariño, cómo te echo de menos!

C.S.

Na última semana li um livro cuja a ação se desenvolve entre Madrid e Valência, mas sobretudo Madrid, e fui invadida por uma saudade tremenda de um país que, não sendo o meu, posso dizer que adoro. Em Espanha já vivi momentos de pura felicidade e é um país ao qual estou ligada diariamente pelo meu trabalho. 

Acreditem ou não, um dos momentos mais duros para mim, no confinamento, foi quando começaram a fechar as fronteiras, senti que a Europa estava a erguer muros, ainda que invisíveis, e dei por mim a dizer mais do que uma vez "Eu só queria ir ali a Sevilha". Sevilha vibrante. Sevilha cheia de música e luz e gargalhadas e turistas e cultura... Tão perto (demoro o mesmo tempo a chegar a Sevilha que demoro a chegar a Lisboa) e sentia-a tão longe. Tão triste. 

Esta manha acordei com a notícia de que Espanha voltou a decretar estado de emergência, que pode durar até maio de 2021. Maio de 2021! E eu voltei a sentir um vazio. Depois vi imagens noturnas de Madrid e Barcelona completamente desertas. Madrid e Barcelona silenciosas, escuras e frias. Madrid e Barcelona a precisar de calor humano, que agora se parece ter convertido em algo pérfido. Não consegui evitar sentir um nó na garganta e os olhos rasos de água. 

¡España, cariño, cómo te echo de menos!

 

(Imagem aqui)

24
Out20

Será isto uma carta de amor?!

C.S.

Não faço ideia daquilo que aqui venho fazer. Mas hoje senti que o meu corpo me impelia a escrever. 

Há meses que não pego no blog. Desde maio que não há posts novos. Desde julho que não abria sequer esta página. Sinto que nada mudou e, no entanto, tudo está diferente. E hoje os meus dedos queriam pressionar as teclas do computador e é nisso que estou, a satisfazer uma vontade quase física. É possível que sintamos fisicamente a necessidade de escrever? Julgo que sim. 

E sendo sincera convosco, não consigo deixar de sentir-me ridícula. Por voltar aqui. Porque parece que este espaço já não faz qualquer sentido, porque a pessoa que o iniciou já não é a mesma, e ainda bem. Porque na maior parte do tempo sinto que não há nada que eu possa ter a dizer que valha a pena ficar escrito. Mas ainda nunca consegui chegar aqui e apagar esta espécie de diário. Um click e puff! fechado para sempre. Uma memória apenas. Por isso abandono-o aos poucos, deixo-o a ganhar pó. Até que a escrita me traz aqui de novo. A escrita que é quase terapia. A escrita que durante o pior momento da quarentena me salvou, não a digital, a de sempre, de caderno e bic, um diário que mantive só para mim.  Se a escrita fosse um homem eu diria que mantemos uma relação dessas mesmo complicadas, dessas que nos cortam a respiração e nos toldam os sentidos, que não são inteiramente saudáveis, mas às quais não conseguimos resistir. 

Porra! Será isto uma carta de amor às palavras que não consigo escrever?!

(Imagem aqui)

30
Mar20

Sobre fraquejar...

C.S.

Entrei na minha quarta semana de confinamento e não consegui evitar sentir, durante todo o dia, um nó na garganta, um peso no peito. Como se estivesse a tentar suster o choro.

Sei que não me posso queixar. Estou bem de saúde, a minha família também e tenho a sorte de ter uma grande varanda onde posso apanhar sol, sentir o vento de norte ou escutar a chuva. Sei disso tudo. Sei que sou uma priveligiada porque, para já, o meu posto de trabalho não corre risco. Mas hoje foi difícil sorrir.

Sinto que não tenho direito a queixar-me porque há tanta gente em situações de risco, tanta gente a trabalhar horas a fio, tanta gente com a vida mais perto da morte...

E no entanto, aqui estou a lamber as minhas próprias feridazinhas. A sentir pena de mim. A repetir palavrões em loop na minha cabeça.

Sim, talvez não tenha direito a lamentar-me. Mas hoje não consigo sentir de outra forma.

Fraquejo e procuro fotos antigas, perdidas no telemóvel, outrora ignoradas e que me parecem agora tão perfeitas e distantes...

 

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