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há mar em mim

16
Jan19

Sabes lá tu o que é ser eu!

C.S.

E tu sabes lá!...

Sabes lá o que é andar sempre à pressa, 

ter a cabeça a prémio só por existir. 

Tu sabes lá!...

O que é chegar a casa já de noite,

não ter tempo para mais nada que não seja subsistir. 

E tu sabes lá!...

As horas que passo acordado,

a pensar, desesperado, numa forma de escapulir. 

Tu sabes lá!...

Não sabes o que farias se fosses eu. 

Não sabes minimamente o que me corroeu. 

Tu não sabes. 

Não sabes o que é entregar o coração diariamente.

Não sabes o que é viver doente.

Não sabes que te amo desesperadamente. 

Não sabes que o meu amor sempre te pertenceu.

Tu não sabes.

Simplesmente não sabes.

Sabes lá tu o que é ser eu!

(Imagem aqui)

12
Nov18

É o tempo que nos faz

C.S.

O tempo é, para mim, um dos grandes mistérios do universo. 

Não é palpável. Muitas vezes não o sentimos e, no entanto, se olharmos com atenção conseguimos vê-lo.

Este fim-de-semana que passou vi O Tempo.

Vi-O.

Vi-o claramente. 

Pude observar a forma como ele passa por nós. Impiedoso. Acutilante. 

Vi-o nas rugas da minha mãe. 

Estava nos cabelos brancos do meu pai.

Transformou a minha irmã. Já não é a menina de quem tenho de cuidar. É agora outra coisa. Quase adulta, acho. Feliz, espero. 

Estava em casa dos meus sogros. Quase disfarçado. Mergulhando tudo numa espécie de decadência. 

Mostrou-se evidente nos meus primos... Nos de 5, 11, 21 e 40 anos. 

E quando o vi na minha sobrinha quase lhe implorei que andasse devagarinho. Que a deixe ser menina, inocente e feliz sempre. 

Muitas vezes não sei o que o tempo fez comigo. 

Sei que me moldou. 

Porque não para. 

Não volta.

Não se arrepende. 

O tempo que nos trespassa e repassa.

E corre. A um ritmo perfeito e só seu, que ninguém consegue acompanhar. 

O tempo que se ri de nós. 

Ano, após ano, na sua eternidade. 

Ri. Brinca. Faz o que quer. 

Deixa-nos viver.

Mas de vez em quando exibe-se.

Olha-nos nos olhos, só para nos lembrar que anda por aqui. 

Lembra-nos que, ao contrário de nós, é imortal. 

Que nós não temos tempo a perder.

(Imagem aqui)

 

21
Mar18

A capacidade de dizer: Que se f**a!

C.S.

Quem me conhece sabe bem que eu não sou rapariga para dizer palavrões.

Nunca fui. Acho feio andar por aí a praguejar. 

No entanto, como é do conhecimento geral, a idade traz-nos muitas coisas. Algumas más, mas muitas boas.

A mim, de entre as coisas boas com que me agraciou, trouxe-me a capacidade de dizer: Que se f**a!

Não me interpretem mal. Isto não significa que eu agora ando por aí a toda a hora a mandar tudo e todos às urtigas. 

Não...

Significa, isso sim, que me trouxe o discernimento para saber que há coisas pelas quais não vale a pena andar a consumir-me, simplesmente, porque não merecem o esforço. 

Significa que já sou capaz de enfrentar as vozes que na minha cabeça tanto se faziam ouvir dizendo coisas como: 

- vais falhar;

- não vais ser capaz;

- cala-te;

- a tua opinião não interessa;

- ninguém quer saber.

 

Hoje sou capaz de dizer: 

Que se foda!

Se eu falhar o mundo não acaba. 

Se não falhar, pode ser que algo de bom aconteça.

20
Mar18

O que mais me comove no mundo

C.S.

O que mais me comove no mundo é o amor.

Em todas as suas formas. 

Por mais ingénuo e banal que possa ser este pensamento, é genuíno. 

O amor não se gasta. 

É absolutamente intemporal.

Pensem nos romances que sobre ele já se escreveram.

Nos filmes que o retrataram. 

Nas canções que o imortalizaram. 

O amor é o combustível do ser humano.

O que nos move.

Cada dia. Todos os dias.

Vivemos para amar, porque não sobrevivemos sem amor. 

Somos dependentes de amor desde o primeiro momento em que começamos a existir. 

E à medida em que nos vamos desenvolvendo, também a nossa capacidade de amar vai sendo aumentada. 

Moldada.

Até que começa a ser expressada.

Sem amor só restaria atrocidade no mundo. 

Se não amasse, a raça humana já teria sido extinta há muito. 

E o mais maravilhoso e assombroso, tudo de uma só rajada, é que nós conseguimos ensinar a amar. 

O ser humano, que é capaz das mais pavorosas ações, possuí a grandiosa capacidade de instruir para o amor. 

Nós conseguimos curar-nos.

Assim o desejemos.

Amando. 

Tão simples amar!

Tão complexo como amar...

Amando!

Curando.

Amando em nós. 

Amando por nós.

Amando para nós.

 

O que mais me comove no mundo é, sem dúvida, o amor...

 

love-autumn-tree_759_thinkstockphotos-177812216.jp

(Imagem aqui)

 

14
Mar18

Um sentido para a vida

C.S.

Todos nós, sem exceção, procuramos um sentido para a nossa existência. Uns fazem uma procura deliberada, outros tentam encontrá-la sem saber. 

Há quem se resigne. Há quem nunca desista. 

E esta busca louca faz-nos viver numa espécie de limbo. Um lugar de ninguém. 

Certamente que não é a meta, mas também já não é a casa de partida. 

Uns rezam.

Uns viajam.

Uns defendem causas.

Uns matam.

Uns dão vida. 

Uns perdem-se para sempre.

Uns tratam dos que os rodeiam.

Uns isolam-se.

Uns debatem futebol como se nada mais importasse.

Uns casam.

Uns ficam para sempre sós.

Uns são ricos.

Uns são pobres.

Uns enlouquecem.

Uns...

Todos nós. 

Seria mais fácil, a vida, se soubéssemos de antemão o que queremos atingir?

Alguma vez nos resignaríamos à simplicidade? 

À aceitação?

À calma? 

É a vida mais preenchida quando andamos à procura de algo que desconhecemos? 

O que queres?

O que quero eu?

Inspiro.

Expiro.

Inspiro.

Expiro.

Espero que passe. Que não volte...

Que seja desta!

Espero...

E tudo recomeça.

 

(Imagem aqui)

21
Nov17

Desvaneios sobre os transportes públicos

C.S.

Gosto de transportes públicos. Sempre gostei. Tenho pena de não andar mais vezes. 

Quanto a mim, regra geral, o nosso país está mal servido de transportes públicos. Sim, porque o país não se resume a Lisboa e Porto. Mas isso são outros quinhentos...

Os transportes públicos sempre me permitiram observar. Essencialmente observar, com o bónus de me poderem levar, também, onde quero. 

O tempo de viagem não é minimamente controlado por nós, por isso, quanto a este ponto, ao embarcar resignamo-nos. 

Há quem aproveite para dormir, quem ouça música, quem ligue à sua lista inteira de contactos, quem leia, quem jogue, quem navegue na internet, quem conte a sua vida inteira a estranhos. E existo eu. Que observo. 

Nos transportes públicos as pessoas acham-se invisíveis, julgam que não são notadas por ninguém e por isso relaxam. Colocam a sua verdadeira cara, quer esta seja de tristeza ou de alegria. Enfrentam o cansaço, a depressão, o medo, o entusiasmo. Perdem-se em pensamentos sobre as suas próprias vidas e as suas vivências. 

Nos transportes públicos tudo acontece, mesmo que tudo pareça estar no mesmo lugar. 

Quando visito um país estrangeiro, o meio de transporte que mais gosto de usar é o metro. Ele é palco de amores, desilusões, apertos, assaltos, expectativas, pressas e encontros. É um pedaço de metal que se move ao sabor do pulsar da cidade que o acolhe. 

E se pensarmos bem, os transportes coletivos são o retrato social perfeito da nossa sociedade, pois neles encerram tudo. 

(Imagem aqui)

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