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há mar em mim

05
Nov20

Que desordem vagueia por aqui

C.S.

Hoje está um espetacular dia de outono. Faz frio, o céu está carregado e as nuvens movem-se com alguma rapidez ao sabor de um vento que vem do mar. 

É mais um daqueles dias que me faz questionar tudo o que me rodeia, numa série de pensamentos que se apoderam de mim mesmo sem serem convidados. Às vezes sinto que tenho tantas coisas para contar que podia colocá-las por escrito e no final teria um livro. Mas imediatamente oprimo esse pensamento.

"Como se tu fosses alguma vez capaz de escrever um livro."

"Como se o que tens para dizer interessasse a alguém."

"Como se tu tivesses coragem."

"Como se as palavras não te falhassem." 

"Como se..."

Ficamos mais introspetivos com a idade? Merda. Merda! Merdaaaaa! 

"Porque não te contentas em ser apenas aquilo que és e ambicionas a algo que não conseguirás proporcionar-te?"

Estou presa? É isso? Estarei presa a mim própria? Ou só ainda não adquiri confiança suficiente para, pelo menos uma vez, acreditar que sim serei capaz, sozinha, por mim e por mais ninguém?

24
Out20

Será isto uma carta de amor?!

C.S.

Não faço ideia daquilo que aqui venho fazer. Mas hoje senti que o meu corpo me impelia a escrever. 

Há meses que não pego no blog. Desde maio que não há posts novos. Desde julho que não abria sequer esta página. Sinto que nada mudou e, no entanto, tudo está diferente. E hoje os meus dedos queriam pressionar as teclas do computador e é nisso que estou, a satisfazer uma vontade quase física. É possível que sintamos fisicamente a necessidade de escrever? Julgo que sim. 

E sendo sincera convosco, não consigo deixar de sentir-me ridícula. Por voltar aqui. Porque parece que este espaço já não faz qualquer sentido, porque a pessoa que o iniciou já não é a mesma, e ainda bem. Porque na maior parte do tempo sinto que não há nada que eu possa ter a dizer que valha a pena ficar escrito. Mas ainda nunca consegui chegar aqui e apagar esta espécie de diário. Um click e puff! fechado para sempre. Uma memória apenas. Por isso abandono-o aos poucos, deixo-o a ganhar pó. Até que a escrita me traz aqui de novo. A escrita que é quase terapia. A escrita que durante o pior momento da quarentena me salvou, não a digital, a de sempre, de caderno e bic, um diário que mantive só para mim.  Se a escrita fosse um homem eu diria que mantemos uma relação dessas mesmo complicadas, dessas que nos cortam a respiração e nos toldam os sentidos, que não são inteiramente saudáveis, mas às quais não conseguimos resistir. 

Porra! Será isto uma carta de amor às palavras que não consigo escrever?!

(Imagem aqui)

19
Nov19

Erro

C.S.

(Imagem aqui)

 

Com que frequência admito o erro?

Como lido com ele? 

Como reajo?

E como reagem vocês? Como? Já se questionaram?

É muito bonita aquela frase que todos sabemos papaguear: "Errar é humano". Atiramo-la como quem pede desculpas pouco sentidas, porque só queremos acelerar a fundo e esquecer que somos falíveis. 

O erro, quando temos coragem do enfrentar, pode transformar-nos. O problema é a incerteza dessa transformação. Queremos sempre que tudo o que nos acontece seja para melhor. Certo? 

Ninguém troca para umas botas piores, um carro pior, uma casa pior, um emprego pior... Até nas nossas relações amorosas achamos sempre que estamos a escolher melhor. "A próxima é que vai ser..." Convencemo-nos. Porque a anterior foi um erro. Um erro! 

Foi mesmo? 

Se olharmos o erro de frente, sem medo, o que é que ele nos vai mostrar? A resposta é simples, mas dolorosa. Vai mostrar-nos exatamente o que passamos a vida a tentar esconder: que somos falíveis. Somos falíveis! Todos nós, sem exceção. 

Eu erro

Tu erras

Ele erra 

Nós erramos

Vós errais

Elas erram

Todos os dias, sem exceção. O erro faz parte da nossa existência, mas temos vergonha do admitir, por isso costumamos camuflá-lo, reprimi-lo ou ignorá-lo. 

Ah... Se nós ousássemos. Se fossemos movidos a coragem...

Já pensaram onde poderiam chegar? Quem poderiam ser? Que fantasmas poderiam enfrentar? 

Não é o erro que nos paralisa, é o nosso comportamento perante a sua presença. Por isso, decidi olhar para o erro. Analisá-lo. Descobrir a sua composição. Tal como Gedeão analisou a Lágrima

Querem saber a que conclusão cheguei? 

Não sei se querem... Mas não há volta a dar. Vieram até cá. Já sabiam onde isto vos poderia levar... Um erro?

Quem saberá?!

As conclusões não foram fáceis. Tive de ir ao fundo de mim. Regressar. Observar. Esperar. 

Quase que hibernava. Quase que desistia... 

Mas depois compreendi

38% de medo.

29% de cansaço.

16% de distração.

11% de decisão.

5% de impulso.

1% de intenção.

Mas 100% humano. 

É nosso. Não há volta a dar. 

É nosso. E é tempo do enfrentar. 

Chega de consentir que ele nos paralise.

Chega de permitir que nos envergonhe.

Chega de deixar que nos diminua. 

Chega!

O erro é meu e assumo-o. Vou encará-lo. Expô-lo e excomungá-lo. Ultrapassá-lo. 

E depois? Depois...

Respiro fundo. 

Sorrio.

E vou...

Que outros erros hão de vir. 

Mas eu já não sou prisioneira deles. 

Já não me escondo. 

O erro. Que vontade de rir. 

O erro?

Afinal pode mesmo existir. 

 

(Texto original que enviei a uma grande amiga minha, que é atriz, e que depois de adaptá-lo, deu origem à peça Erro, Berro, Barro, que esteve em cena no passado mês de maio na S.M.U.P., Cascais.) 



16
Jan18

Quando as palavras se ausentam

C.S.

Não me tem apetecido escrever...

As palavras têm-me fugido. Têm deixado de ser.

Não se materializam. Nem no papel. Nem no ecrã. 

As palavras têm ficado por nascer. 

Fogem-me e eu não tenho corrido atrás. 

Esfumam-se e eu tenho ficado a ver.

Na inércia de escrever, deixo os dias correr.

 

A vida avança. Sem escrita.

Dias que não são contados. 

Personagens que não são falados. 

Faltam-me as palavras.

Sem prosa ou poesia. 

Sem drama. 

As palavras pela rama.

Sem prefixos ou sufixos. Nada pelo meio. 

 

Não me tem apetecido escrever...

Mas outro dia há de nascer.

P_20180115_173630.jpg

(Tirei esta foto ontem. O pôr-do-sol não estava um espanto?)

 

 

 

 

16
Jun17

"Somos todos escritores, só que uns escrevem e outros não." Saramago

C.S.

Andava eu a passear pela página da Wook, (site que visito com frequência e que julgo que todos conhecerão...), quando me deparei com o livro Enquanto Acreditar em Ti, de Raquel Strada. Da Raquel Strada? Da Strada da tv? Daquela que está sempre irrepreensivelmente vestida?

Olha...a Strada, agora, também escreve. Pensei eu. Porreiro. Gira, bem vestida e escritora. O que se pode querer mais?!

E imediatamente a minha memória foi buscar um artigo que li no Expresso o ano passado (2016), que me deixou de boca aberta, por ser uma absoluta surpresa para mim. Na altura ainda não tinha o blog, não comentei com ninguém o que tinha lido e passados uns dias já nem me lembrava do assunto, mas hoje a minha memória ressuscitou-o.

"C.S., és tão naif", estarão alguns a pensar. E eu terei de concordar, porque durante anos esta realidade passou-me ao lado, imaginando que quem vê o seu nome na capa de um livro é porque realmente o merecia, mas parece que isto não é assim tão linear.

 

(Atenção! Esclareço, antes de prosseguir, que não faço a mínima ideia de quais as capacidades de escrita da Raquel Strada e acredito que ela possa, realmente, ser a autora do livro, não é isso que está aqui em causa, de todo. Não me interpretem mal.)

 

O artigo do Expresso intitula-se: Os fantasmas que escrevem os livros dos famosos. E agora perguntam aqueles que, como eu, desconheciam esta realidade: "O quê?".

É verdade, parece que ao nível internacional isto é "o pão nosso de cada dia" e que por cá, na nossa santa terrinha, já se começa a fazer o mesmo. Passo a explicar de forma sintética: as editoras querem vender, certo? Os famosos, por serem quem são, vendem. Portanto, não importa a destreza que tenham ou não nas artes da escrita, porque as editoras contratam alguém anónimo que a possua. E não sou eu que o afirmo, é o jornalista do Expresso, atentem:

 

«As editoras querem associar um rosto mediático a um título que venda. E todas as partes saem a ganhar. Talvez aqui o leitor seja o único defraudado. Espantado? São as regras do jogo no mercado das editoras.

E como o segredo é a alma do negócio, o nome destes fantasmas da escrita nem aparece na ficha técnica (ou se aparece é de forma discreta na qualidade de ‘colaborador’) para que a ilusão da proximidade do leitor com a figura pública visada não saia beliscada e as vendas sejam um sucesso.»

 

Que acham disto? Era clara para vocês esta realidade?

Eu não consigo deixar de achar que é feita uma espécie de jogo sujo com os leitores, pois pensam que estão a comprar algo que não o é, ou que pelo menos, que não corresponde inteiramente à realidade.

As biografias, por exemplo, talvez sejam os textos que mais sentido fazem, para mim, socorrerem-se desta técnica, porque uma pessoa pode ter uma vida extraordinária para contar, mas não dominar as palavras e aí, sim, necessita de alguém que conte as suas vivências por si. Todavia, acham correto o uso de escritores fantasma quando se trata, por exemplo, de um romance?

Deixo-vos com esta interrogação, reflitam e partilhem comigo, talvez seja eu que esteja a ver este negócio com maus olhos, quando na verdade é algo, ao que parece, banal. Talvez com os vossos comentários me façam mudar de opinião...

Parece que Saramago nunca fez tanto sentido:

«Somos todos escritores, só que uns escreve e outros não.»

(Imagem aqui)

 

 

 

13
Jun17

Para contentamento geral (ou talvez não)...

C.S.

e a pedido de várias famílias que se uniram à causa da querida miss queer, venho anunciar-vos que o post A Mafalda terá o seu desenvolvimento amanhã, por volta das 09:30h.

Depois de se tornar o post mais comentado aqui da zona, de ter gerado protestos e manifestações, não me responsabilizo minimamente por as vossas expectativas saírem defraudadas.

Agora deixem-me ir ali cozinhar o desenrolar da história...

 

(Se calhar deveria ter pensado primeiro se a consigo concluir antes de me vir comprometer, não? ) Ups!

 

P.S.: E pensar que em 2016 considerei inscrever-me num workshop de escrita criativa... (E considerei-o por ter saudades de escrever e não saber bem o que queria dizer ou fazer.) Este blog e vocês têm servido para me estimular a escrita, despreocupada e livre, como eu gosto. Estou-vos muito agradecida por isso. Obrigada.

09
Fev17

1 mês de Há mar em mim

C.S.

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 Passou um mês desde que iniciei este blog. É pouco, eu sei. Mas para mim é muito, porque ele tem servido, com distinção, o motivo pelo qual foi criado: voltar a encontrar-me com a escrita despreocupada.

Nunca tive um blog, já tinha pensado em experimentar, mas nunca avançava, porque achava sempre que me ia faltar conteúdo. Este ano decidi finalmente tentar, sem preocupações, querendo apenas que este espaço sirva o propósito de me permitir escrever sobre o que me apetecer. Como vocês, que me têm acompanhado, (obrigada, obrigada, obrigada... ), já devem ter percebido, às vezes apetece-me falar de assuntos mais sérios e outras vezes apetecem-me temas leves, que nos permitam fugir um pouco da loucura do quotidiano. Também serviu para tornar um difícil mês de janeiro em algo que, fazendo o balanço, foi positivo.

Passou um mês e não vos consigo dizer quantos mais se seguirão, mas por agora estou feliz. Hoje há muito mar em mim.

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