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há mar em mim

11
Ago18

Para vocês...

C.S.

...uma foto do Algarve que mais gosto. 

IMG_20180811_112504_404.jpg

 Aquele que ainda não foi invadido por milhares de turistas, onde ainda existe autenticidade. O Algarve que anda a um ritmo próprio e que nos encanta com as suas cores. 

Adoro o Algarve. Aquele que sobrevive ao turismo massivo e onde ainda é possível falar com as suas gentes. 

Este é o Algarve das cores reais. Ardeu um pedaço esta semana, mas há de reerguer-se.

 

Tenham um ótimo sábado! 😘

07
Ago18

O inferno aqui ao lado...

C.S.

Monchique está a arder. Há dias que está a arder, mas cada dia parece uma semana. 

Todas as manhãs abro a janela e sinto que o inferno está aqui mesmo ao lado. Tenho a varanda cheia de cinza, o ar está pesado, o céu está cinzento. Quem me dera que fosse chuva, penso. Mas não é. É fumo que anda no ar e o cheiro não engana. 

O inferno anda aqui ao lado. Mas nós fazemos a nossa vida normal. Vou à praia com a família, mas a praia também é um cenário desolador. A água suja, toda ela coberta de cinza. 

Estamos de férias, mas não completamente felizes, porque ninguém é feliz quando se sinte ameaçado. E o inferno está aqui mesmo ao lado. Ao lado da minha casa, a consumir os locais que conheço.

"Tia vamos à água", pede a B. insistentemente, porque quando se tem sete anos não se vê a cinza, nem se sente o temor. E ainda bem. Não podia ser de outra forma. 

Vou com ela à água, mas a tristeza de um horizonte fumarento não me larga. 

O inferno anda aqui ao lado e eu só quero que ele vá embora. 

 

P_20180807_110451.jpg

 

16
Out17

Coisas que não (me) fazem sentido

C.S.

Num ano em que o país está a ser completamente devastado por incêndios, em que se perderam vidas, em que o outono não representou o fim do pesadelo, mas veio confirmá-lo ainda mais, parece-me algo estranho que a SIC decida incorporar esta temática numa das suas novelas.

Não vejo este tipo de programa há anos, mas o dito canal de tv tem insistido em passar, nos últimos dias, um anúncio à sua novela, Espelho de qualquer coisa, em que as imagens mostradas são: chamas, bombeiros e uma estrada cercada pelo fogo. Faz-vos lembrar alguma coisa?

Posso estar errada, mas parece-me desadequado abordar esta temática, quando ela ainda está tão presente, num programa de entretenimento e quando é do conhecimento geral que há pessoas que ateiam fogos pelo simples espetáculo de o ver a consumir tudo à sua volta.

Acho estranho e parece-me uma exploração da tragédia. Mas isto sou eu...

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Tinha este texto agendado para o final do dia de hoje. Estou incrédula com o que se passou ontem. Vi algumas imagens. Um horror... Perderam-se mais de 30 vidas. Tanta dor, tanto sofrimento, tanto desespero. E o governo que não sabe lidar com nada disto. E o país não está preparado para nada disto. Mas quem estaria?

 

 

 

22
Jun17

Desabafos

C.S.

Sinto-me estranha. Há vários dias que me sinto assim.

Os últimos dias têm sido ricos em acontecimentos, alguns que jamais serão esquecidos e outros que daqui a uns tempos talvez já ninguém se lembre que aconteceram. E, no entanto, não me tem apetecido vir aqui opinar sobre nada disto. Eu que tenho sempre uma opinião, tenho andado bastante calada.

Tenho evitado as notícias, mas hoje em dia elas chegam-nos sem qualquer aviso, até

no telemóvel recebemos "as últimas".

Sou incapaz de compreender o fascínio que há em escrutinar as histórias dos infelizes que perderam a vida naquele impiedoso incêndio.

Não tenho capacidade para assimilar que Judite de Sousa, que passou por uma tragédia pessoal, vá fazer notícias junto de cadáveres, apontando para eles, numa frieza incompreensível. Também me deixa atónita que a tvi, entre tantos jornalistas que tem, tenha decidido escolher, para descer aos infernos, uma pessoa que psicologicamente não está a 100%, lutando ainda com os seus dramas pessoais.

Fico literalmente de boca aberta, pasmada, quando ao fazer zapping me deparo com uma outra senhora jornalista, esta da sic notícias, que em direto vai contando os passos que separam a igreja onde estão a decorrer as cerimónias fúnebres, de uma das vítimas do incêndio de Pedrógão Grande, da entrada do cemitério e durante a curta caminhada vai lamentando que esteja do lado de fora da igreja, por a cerimónia ser privada.

E eu sinto-me estranha com tudo isto.

Depois temos uma Ministra da Administração Interna que gosta de recusar ajudas em tempos de verdadeira crise e caos. Temos gente que aponta o dedo aos GNR, por não cortarem todas as estradas, aos bombeiros, por não serem tão céleres quanto deviam, à meteorologia, porque não previu a queda do raio...

Há gente que fala na tv e que diz que o que faz falta ao país são engenheiros florestais, num discurso oportunista para vender uma profissão do seu interesse.

E eu fico mal disposta com tudo isto.

E são as greves de professores que são verdadeiros tiros no pé e são as fugas de informação sobre os exames nacionais e são os jornalistas que confundem publicidade com notícias e são prazos para cumprir e é um calor dos diabos...

E a mim apetece-me fugir. Dói-me a atualidade e a realidade.

 (Imagem aqui)

 

Desculpem-me, mas hoje não haverá Às quintas viajamos..., voltará na próxima semana.

18
Jun17

Quando nos faltam as palavras...

C.S.

Ontem à noite, recebi um sms informativo dedicado a um incêndio que estava ativo na zona centro do país. Mas só hoje, com o avançar do dia, compreendi a dimensão do acontecimento. A trágica dimensão.

O que se pode dizer perante uma tragédia? Que palavras podemos usar que não soem a cliché? Que lamentamos? Que estamos solidários? Que alguém tem de ser responsabilizado? Que os bombeiros são heróis?

(Imagem aqui)

 

O fogo sempre me assustou. Pela sua violência, pelo cenário de destruição que deixa na sua passagem e pela dor que provoca.

Para mim os bombeiros são o as pessoas mais destemidas que existem, porque conseguem avançar para combater as chamas, sem vacilar, sem pensar no que fica para trás, sem pensar na saída. Sou incapaz de vos explicar o profundo respeito e admiração que sinto perante estas pessoas e, para mim, é totalmente inconcebível que hajam voluntários, numa profissão que deveria estar plenamente consagrada como tal, condignamente remunerada e reconhecida.

 

Vi há pouco imagens avassaladoras. Do fogo. De impotência. De perplexidade. De desespero. De terror.

Vi um senhor, a rondar os 60 anos, que chorava e dizia que não sabia do filho, que tinha perdido tudo... E um outro, mais velho, a desculpar-se pelas lágrimas, dizendo que perdeu muitos amigos, que um terço da população da sua terra desaparecera...

(Imagem aqui)

 

Vi imagens de carros fantasmas, que já foram de alguém e que hoje jazem como sepulturas fora de sítio.

 

E nada disto faz sentido. Estou à espera que digam que este domingo negro não passou de um enorme pesadelo. E espero igualmente que os nossos governantes compreendam a importância de investir dinheiro na proteção civil. Porque a chave não será salvar, será prevenir.

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