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há mar em mim

08
Nov17

O Renato

C.S.

- Vai para a puta que te pariu!

A frase ecoa-lhe na cabeça, uma e outra vez, uma e outra vez, uma e outra vez... Até que as palavras percam o significado.

 

Renato tem 9 anos e ouviu a frase pela primeira vez. Foi-lhe dirigida a si, com toda a violência que as palavras podem conter, porque vinha distraído a contar as moedas que tinha na carteira e esbarrou, sem querer, num miúdo mais velho. Pediu desculpa, mas de nada lhe serviu. O outro olhou-o com desdém e usou o imperativo no seu tom mais agressivo ao mesmo tempo que concentrou toda a sua força nas mãos para empurrar Renato, que acabou por cair aparatosamente no chão.

 

Renato tinha vontade de contar à mãe, quando chegasse a casa, mas seria incapaz de lhe reproduzir o vocábulo usado e como não sabia o que havia de fazer para acalmar os sentimentos maus que se apoderavam dele, chorou. Chorou muito, escondido na casa-de-banho, onde ninguém o pudesse ver. Os seus pais eram, sem dúvida, as pessoas de quem mais gostava no mundo e sentiu uma tremenda injustiça por a mãe ser ofendida assim, despropositada, violenta e amargamente, em pleno recreio.

 

Após ter chorado as suas frustrações e inseguranças Renato traçou um plano: iria falar com a sua professora sobre o que lhe tinha acontecido. Os pais sempre o haviam ensinado a agir perante alguma injustiça e era isso mesmo que ele tinha decidido fazer. Não iria denunciar o seu colega, não o queria punir, mas sim instruir. Assim, Renato, aos 9 anos, foi o impulsionador, na sua escola, de uma campanha bem sucedida contra o bullying e a violência nos recreios.

 

Não sabia o Renato que aquele episódio iria marcar a sua vida para sempre, já que o sentido de justiça nunca mais o abandonou e ele tornou-se no melhor juiz que poderia ser.

21
Mai17

1,7 milhões de euros e a receber ajudas do Estado... Que tal?

C.S.

Que Portugal é um país lindíssimo, com muito para oferecer, incluindo um clima belíssimo e uma ótima gastronomia, todos nós sabemos.

Que Portugal está cheio de vigaristas que gostas de burlar quem podem, também sabemos. Não é novidade, temos alguns até bastante bem posicionados na nossa sociedade, que é como quem diz, a ocupar grandes cargos.

 

Por isso, esta notícia que vos trago não me surpreende, na medida em que não é novidade que haja gente vigarista no nosso país.

Todavia, custa-me encarar com casos destes por três motivos:

1.º porque pago os meus impostos, com bastante esforço, e todos os dias saio da caminha, de que tanto gosto, para não falhar os meus compromissos e viver uma vida honesta.

2.º porque estes sujeitos andaram a usufruir de dinheiro que poderia servir para ajudar alguém que, de facto, necessitasse.

3.º porque não consigo deixar de sentir que me foram ao bolso. Ao nosso bolso. Ao bolso de todos os portugueses que contribuem para que este país avance.

 (Imagem aqui)

É isto. E é triste. Eles que tenham, nada mais, nada menos, do que aquilo que merecem.

 

 

 

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