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há mar em mim

02
Dez20

Notícias que me estragam o dia

C.S.

Todos sabemos que, com esta pandemia, vamos entrar numa crise económica superior à de 2008. Sabemos que vivemos num país que, não contando com prémios de turismo ou resultados futebolísticos, anda sempre na cauda da Europa. Um país que não tem verbas para a cultura, que ignora as dificuldades que os setores da restauração e do divertimento noturno atravessam, que fingiu que reforçou o SNS, que tem escolas com amianto, sem aquecimento e onde chove (sim! é verdade, asseguro-vos), que não tem creches nem lares suficientes, etc. Mas que continua a financiar bancos e que vai dar 11 milhões de euros para um evento que se está a realizar online, Web Summit. Sim, é verdade. 

E isto é revoltante. É desesperante. Porque não consigo deixar de sentir que neste país estão constantemente a gozar comigo. Connosco. Com cada um de nós. 

"Portugal é pobre."

"Apertem o cinto."

"Cada português tem uma dívida de x euros."

Quantas vezes já ouvimos estas frases? Quantas vezes mais iremos ouvi-las? 

Quando teremos coragem para dizer que basta? Estamos fartos. 

E sabem o que é que eu sinto? Verdadeiramente? Que não é uma questão de políticos mais à esquerda ou mais à direita, porque todos eles parecem ingorar-nos. Esquecer-nos quando se sentam na Assembleia.

E se assim é o que nos sobra? Provavelmente juntarmo-nos e fazermo-nos ouvir. Aceitam-se ideias. 

 

 

 

13
Nov20

2020 - o filme de péssima qualidade

C.S.

Muito se dirá sobre este 2020 no futuro. Muito se tem dito sobre ele no presente. Independentemente da forma como tem afetado cada um de nós, creio que será difícil encontrar alguém que o considere um bom ano. Estamos todos mais do que prontos para nos despedirmos dele e, de preferência, sem grandes alaridos, porque não há grande coisa pela qual celebrar. 

Em março, fui das primeiras a ser enviada para casa. Quando toda a gente foi posta em casa eu levava uma semana e meia de confinamento, porque surgiu um caso no meu local de trabalho. Foi um mês duro. Muito duro. E a bem da minha sanidade mental desliguei-me das notícias. E depois da TV. 

Passados tantos meses (parece que passou uma vida) continuo a querer saber o mínimo. Mas na era da informação rapidíssima tudo se sabe, não é? 

Ontem o meu concelho passou a estar sinalizado. E este mau filme de ficção científica, em que estamos metidos, parece não ter fim. 

Olho à minha volta e o que vejo é gente resignada. Estamos por tudo. Parece que 2020 nos quebrou inevitavelmente.  

Mas este ano maldito vai perseguir-nos muito mais do que desejamos. Porque vai deixar marca na nossa memória e na forma como nos relacionamos. E porque nos vai meter numa crise económica sem precedentes. 

E esta sou eu... A não querer pensar muito no assunto. A não querer dar muita importância. A não querer valorizar os problemas... Mas como fugimos desta longa metragem horrível em que nos meteram?! 

26
Out20

¡España, cariño, cómo te echo de menos!

C.S.

Na última semana li um livro cuja a ação se desenvolve entre Madrid e Valência, mas sobretudo Madrid, e fui invadida por uma saudade tremenda de um país que, não sendo o meu, posso dizer que adoro. Em Espanha já vivi momentos de pura felicidade e é um país ao qual estou ligada diariamente pelo meu trabalho. 

Acreditem ou não, um dos momentos mais duros para mim, no confinamento, foi quando começaram a fechar as fronteiras, senti que a Europa estava a erguer muros, ainda que invisíveis, e dei por mim a dizer mais do que uma vez "Eu só queria ir ali a Sevilha". Sevilha vibrante. Sevilha cheia de música e luz e gargalhadas e turistas e cultura... Tão perto (demoro o mesmo tempo a chegar a Sevilha que demoro a chegar a Lisboa) e sentia-a tão longe. Tão triste. 

Esta manha acordei com a notícia de que Espanha voltou a decretar estado de emergência, que pode durar até maio de 2021. Maio de 2021! E eu voltei a sentir um vazio. Depois vi imagens noturnas de Madrid e Barcelona completamente desertas. Madrid e Barcelona silenciosas, escuras e frias. Madrid e Barcelona a precisar de calor humano, que agora se parece ter convertido em algo pérfido. Não consegui evitar sentir um nó na garganta e os olhos rasos de água. 

¡España, cariño, cómo te echo de menos!

 

(Imagem aqui)

22
Mai20

Unidos pelo presente e futuro da Cultura em Portugal

C.S.

Não, não sou artista. Infelizmente. Mas sou leitora, espectadora, ouvinte, faço parte do público. Gosto de olhar para quadros, mesmo que não os saiba interpretar. E adoro fotografia.
Aplaudo. Rio. Choro. Às vezes grito. Outras vezes fico sem palavras.
Já me arrepiei. Já fiquei frustrada. Já ri até às lágrimas.
Mas nunca fiquei indiferente.
A Cultura é capaz de nos proporcionar tudo isto e ainda mais. Fica em nós. Transforma-nos. Identifica-nos. Se a genética nos explica a nossa origem, a cultura faz de nós quem somos, porque somos altamente influenciados pelos livros que lemos, os filmes que vimos, as séries/programas de tv que consumimos, as músicas que ouvimos em loop, a peça de teatro que vimos e não esquecemos...
Não tenho qualquer dúvida de que eu não seria a pessoa que sou hoje se não tivesse aprendido a apreciar a leitura aos 10 anos. Ou se não tivesse ido ao teatro sempre que podia, na adolescência, na companhia da minha melhor amiga, que hoje é atriz. Ou se não tivesse crescido a ouvir Rui Veloso e os Da Weasel nos anos 90. Ou se não tivesse visto todos os filmes que vi. 

Eu não sei o que seria. Mas não seria a mesma coisa, porque a cultura molda-nos. E nós precisamos dela para crescer.
É altura de retribuir.
É altura do país retribuir.

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      (Imagem criada com a APP Canva)

28
Mar20

Eventualmente ficará tudo bem

C.S.

"Vamos ficar todos bem."
É uma frase que adoptámos para nos dar conforto e esperança. Um frase que pedimos às crianças que pintassem, chutando, dessa forma, o medo para longe.
Uma frase que nos agarra à vida quando morte anda à solta, mais acutilante que nunca.


Mas os números estão aí. Todos os dias, com hora marcada. A cada dia mais assustadores.


Eventualmente ficará tudo bem, exceto para os que partem. Exceto para os que foram para o hospital e não conseguiram sair de lá com vida. Sem oportunidade de ver familiares e amigos, ainda que por uma última vez.


Ficará tudo bem, sim. Mas não esqueceremos quem já cá não estará para os abraços apertados e os jantares demorados.


Estes dias lembram-nos que Pessoa tinha a razão do seu lado quando, sob o heterónimo de Alberto Caeiro escreveu: Quando chegar a Primavera, se eu já estiver morto, as flores florirão da mesma maneira.

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18
Mar20

Possível estado de emergência

C.S.

E hoje, que estou fechada em casa, a minha memória traz-me aqui, à serra, aos longos e felizes dias de verão em que andei à descoberta do nosso país.
Olho para esta foto e vejo liberdade.

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Se hoje for decretado o estado de emergência em Portugal perderemos um pouco da nossa liberdade, mas lembrem-se que é por um bem maior, é para que possamos mais rapidamente sair das nossas casas e voltarmos a estar juntos, voltarmos a abraçar, voltarmos a poder ir onde nos apetecer.

Separados mas mais juntos que nunca, por um bem maior.

13
Mar20

É tempo de pensar em todos

C.S.

Quem me dera encontrar as palavras certas para vos confortar. Mas esta semana tem custado a passar, com a vida em suspenso, planos adiados, trabalho acumulado e sonhos que se desfazem é difícil reunir o ânimo de vir até cá. E não falta tempo.

 

Sinto que tenho estado entorpecida. Recordo os dias da semana passada como se tivessem sido há muito, muito tempo. Lembro-me das caras de desilusão das minhas alunas quando lhes disse que íamos cancelar a visita de estudo a Espanha, agendada para dia 03/03. Disse-lhes que as preferia ver zangadas do que com pneumonia e aí ficaram sem resposta, mas nos seus olhos vi que me acusavam de excesso de zelo. Não me importei, antes assim.

 

Lembro-me de passar a semana a comentar com os meus colegas que o assunto era mais sério do que parecia no início e, aos poucos, todos se foram começando a consciencializar que sim. Ia pondo gel desinfetante nas mãos quando mais ninguém o fazia. Todos comentavam que havia gente na escola que tinha regressado de Itália. E todos queríamos acreditar que tudo iria correr bem porque, afinal, estavam na escola com o consentimento das autoridades de saúde. E foi o que se viu...

 

Lembro-me que participei numa  feira organizada pela câmara municipal, com a representação de todas as escolas da cidade, quinta, sexta e sábado, e lembro-me de pensar: "não devíamos estar aqui, mas porque não foi isto cancelado?!", enquanto olhava para os miúdos a fazerem coreografias ensaiadas ou enquanto reencontrava velhos conhecidos que me cumprimentavam afavelmente e aos quais não tive coragem de dizer para manterem a distância recomendada.

 

Lembro-me de tudo isto e penso que era inevitável que tenhamos chegado aqui, porque somos de afetos e porque tendemos a acreditar que só acontece aos outros.

 

Agora? Agora é manter a calma e sermos os melhores cidadãos de que há memória, ou seja, cumprir com o que nos é pedido. Acalmar. Ficar em casa quem pode ficar. Ter muito cuidado e tomar todas as medidas preventivas a quem anda na rua, a quem tem mesmo de ir trabalhar. Ajudemo-nos.

 

Separados mas juntos. A pensar nos idosos, a pensar em quem tem asma, a pensar nos doentes cardíacos, nos diabéticos, nos doentes oncológicos...

Separados mas juntos, para que todos possamos voltar a ser, o mais rápido possível, o povo caloroso, beijoqueiro e afável que somos, mas até lá contenção. Separados mas juntos. 

 

É tempo de pensar em todos. 

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Imagem retirada da conta de IG de Nádia Sepúlveda.

 

(E ainda bem que o governo tomou as medidas que tomou ontem, até poderiam ter ido mais além. Mas já foi bom. Esperemos que cheguem.)

 

11
Mar20

Um domingo (quase) perfeito

C.S.

Domingo esteve um dia espetacular.

Aproveitei-obem, parecia que estava a adivinhar que ia entrar numa espécie de quarentena. Digo espécie porque não estou em isolamento social oficial, ou seja, não me foi dito que me teria de submeter a ele, mas a minha consciência é o que me manda fazer após duas pessoas, (com quem não tive contacto direto), do meu local de trabalho testarem positivo ao covid-19 e, consequentemente, o meu local de trabalho estar encerrado.


É engraçado que eu gosto tanto de escrever, mas às vezes as palavras não saem, ficam presas dentro de mim. E só hoje tive realmente vontade de vir até cá.


Acho que por esta altura já ninguém diz que é uma simples gripe. Ao menos isso. Agora falta que tenhamos consciência do que está realmente a acontecer e atuemos em consonância. Sejamos responsáveis, respeitadores e conscientes de que estamos todos no mesmo barco.

 

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21
Fev20

Que coisas se sabem neste país, mas que se ignoram?

C.S.

Não me espanta esta notícia

Se não a quiserem ir ler, eu dou-vos o atalho: todos os arguidos, no caso da derrocada na estrada de Borba, (onde morreram cinco pessoas, se bem se lembram), - alegadamente - sabiam das condições em que a mesma se encontrava. 

Espantados? Eu não. 

Imaginam porque não? Porque trabalho numa escola que tem fendas assustadoras. Todos os dias professores, alunos e funcionários falamos do assunto. Os miúdos tiram fotos e fazem vídeos das fendas e vão partilhando entre si. Não pensem que são duas ou três. Não! São várias, por toda a escola, que parece que pode ruir a qualquer momento. É medonho. 

E não fazem nada? - pensam vocês.

Fazemos o que podemos, mas se calhar não o que devíamos (que na minha modesta opinião era fechar a escola por tempo indeterminado, até que o ministério da educação tomasse uma atitude). 

Já fechamos a escola em protesto, um dia. Alunos, professores e funcionários. O meu grande espanto foi que nem um encarregado de educação (E.E.) se juntou a nós, com exceção do representante dos EE.

Que efeito surtiu? Alguém, entretanto, foi à escola, viu, analisou e nada ainda foi feito. Disseram que é algo facilmente reparável. Pois, sim... Deve ser, deve...

Se a escola ruir e se se der um enorme acidente também irão concluir que toda a gente sabia do risco disso acontecer e nada se fez. Todos os dias, quando ando lá pelos corredores, penso nisto. 

Tal como várias pontes deste país estão em risco de ruir e toda a gente que deveria saber, talvez saiba e pouco ou nada faz. 

Tal como se sabe que ainda há imensas escolas cheia de amianto, e as consequências que isso pode trazer para a saúde, e nada é feito. 

Sim, se estão a pensar se a minha escola além de poder ruir tem amianto, a resposta é afirmativa. Está cheia dele. Se mesmo assim vou trabalhar? Vou. Vamos. E mais de 1000 alunos também andam por lá diariamente. 

 

Mas o ministro da educação ontem esteve no 5 para a meia noite, criou uma conta de instagram e passou a ser fixe. Sim, isso é que interessa. 

(Imagem aqui)

 

Tenham uma ótima sexta-feira. 

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