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há mar em mim

22
Dez20

E os ensinamentos de 2020?

C.S.

Sinto que toda a gente retirou grandes ensinamentos de 2020, mas eu continuo com dúvidas. Provavelmente com mais do que tinha há um ano atrás. E novos receios, claro.
Mas também novos sonhos. E afinal a idade não nos traz certezas de nada (pelo menos a mim), dá-nos, sim, mais confiança para nos fazermos ouvir e também o discernimento de saber quando é melhor estar calados.
2020 não foi uma revelação, mas como tudo, também teve momentos bons. E porque cada história pode ser contada de variados pontos de vista, eu quero recordar esta como um daqueles dias chuvosos que terminam com um pôr do sol glorioso. Porque no final é sempre melhor optarmos por ser felizes.

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28
Out20

A melancolia do outono

C.S.

É tão belo o outono e tão melancólico.

Deixa-nos entre o fascínio e o desespero.

Adormece-nos a euforia dos dias mais quentes e torna-nos mais introspetivos.

Adoramo-lo. Mas o frio vai-se agarrando à nossa pele. E as folhas vão caindo e lembrando que nada é para sempre. 

É essencialmente poético e, no entanto, não deixa de ser triste, quando as folhas são só um emaranhado de restos pisados e molhados pela chuva que vai caindo. Como os nossos sentimentos. 

Na nossa cabeça escutamos músicas tristes e antigas, talvez até um crepitar de lenha a arder, na tentativa de encontrar algum conforto. 

A brutalidade do outono atinge-nos sempre, pelo seu esplendor. Pela sua mutação. Pela lembrança de que estamos mais perto de cair também. 

Mas a primavera sempre chega. 

(Imagem aqui)

18
Nov19

À segunda sejamos positivos...

C.S.

Tenho 33 anos e a sorte de ter (ainda) poucas rugas. Mas tenho uma na testa bem acentuada.

Eu que sou uma pessoa bastante otimista devo concentrar naquele pedaço do meu rosto, entre as sobrancelhas, todas as minhas preocupações. Mas não faz mal. Já a aceitei. É minha.

Começo a compreender que é bom termos marcas do tempo que passa por nós, porque afinal nós somos passageiros e quanto mais o tempo passa por nós, mais nós ganhamos. Isso mesmo, leram bem, ganhamos. Não andamos cá a perder a juventude, andamos cá a ganhar identidade, experiências e sonhos.

Não se deixem enganar. Quem menos teme o tempo, melhor o aproveita. Parece-me claro agora. 

Querem um conselho?

Em caso de dúvida, façam sempre o que vos apetecer. 

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Boa semana!

15
Nov19

Reflexão outonal

C.S.

Troveja lá fora e faz frio. E eu apercebo-me que tinha saudades de um outono a sério. Só tenho pena do pouco tempo que tenho tido para o apreciar.

Sim, que o outono requer tempo e uma caneca de café quentinho. Requer mantas e livros, mas também passeios a pé, sem destino certo e o frio a colar-se-nos à cara. 

 

Quando vivia em Évora adorava passear pelas ruas nesta altura do ano, sozinha, percorria ruas e ruelas e visitava as lojas do comércio local a pensar já nas prendas de Natal. Gostava de ver a noite cair, sentir a temperatura a descer e o cheiro das castanhas assadas a invadir-me mesmo que eu não quisesse. Eram tranquilas estas tarde e onde eu passava mais tempo era na livraria Nazaré, perdida entre os livros e, antes de regressar a casa, ainda visitava o Templo Romano, só para passar por ele e certificar-me de que tudo estava certo. 

 

Tem graça como, por vezes e sem esperarmos, as coisas se tornam evidentes. Apercebo-me agora que não é só o tempo que me falta. Falta-me também uma cidade que tenha o encanto certo para um agradável passeio de outono. Portimão tem alguns atributos, mas não é uma cidade pitoresca. Longe disso. É incrível, na verdade. Vivo nesta cidade há cinco anos, já fiz alguns amigos aqui, tenho locais que visito com frequência e, ainda assim, apercebo-me que gosto pouco deste local. Faltam-lhe árvores e sobram-lhe prédios e mais prédios. Existe nesta urbe uma total desordenação e a beleza do mar não chega para esconder todos os seus defeitos. E no outono ainda menos...

(Imagem aqui)

03
Set19

Em setembro recomeço!

C.S.

Setembro. Acabaram-se as férias. E digo-o sem qualquer mágoa. Que hoje é dia de recomeçar! E para recomeçar quer-se alegria e entusiasmo, que uma pessoa não deve enfrentar a vida de outra forma. 

Em breve farei um post sobre a viagem que fiz do sul ao Douro e Centro de Portugal. No meu Instagram fui colocando fotos e fazendo alguns stories, podem - e devem! - ir lá espreitar. Mas será aqui que deixarei as minhas emoções e dicas. 

E para vos colocar na expectativa do que aí vem, deixo-vos esta pequena reflexão, que escrevi ontem, acompanhada de foto. 

 

O ser humano nunca será perfeito. E daí? O imperfeito é mais atrativo, no sentido em que não é previsível e a luta pela perfeição mantém-nos atentos.

Não podemos baixar a guarda porque todos os dias recebemos notícias das atrocidades que nós, humanos, somos capazes de fazer. Por isso continuamos a lutar contra os nossos instintos, a lutar por melhores valores, a lutar pelo que acreditamos... A lutar pela perfeição. Que é inatingível. Mas que nos mantém focados. 

O segredo estará em saber que nunca seremos perfeitos, mas que a beleza da vida reside no caminho que traçamos em busca do melhor de nós. 

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As Galerias Imperfeitas foram o que mais me impressionou no Mosteiro da Batalha. Inacabadas, é certo. Mas completamente perfeitas na sua imperfeição. 

 

E agora que já me vieram visitar, vão lá ter um ótimo dia, gente gira!

Eu vou agora para a minha escola nova. O meu novo local de trabalho durante os próximos onze meses. E sinto receio e entusiasmo na mesma medida. Não é tão bela a vida?! Vamos lá!...

 

 

 

 

07
Nov18

Espreitar o futuro? Não, obrigada.

C.S.

Se te deixassem espreitar o futuro querias saber o que ele tem guardado para ti?

 

Um dia destes eu e o A. debatíamos esta questão. Ele foi perentório ao afirmar que não queria saber. Eu ponderei. Acabei por dizer que provavelmente também não espreitaria, mas ponderei. É que eu sou tremendamente curiosa, mas a verdade é que um vislumbre do futuro poderia fazer com que deixássemos de ter um propósito. Um motivo para sairmos da cama. 

E se o que descobríssemos não nos agradasse? 

Ou se nos agradasse por inteiro? 

Se nos mostrasse algo que não queríamos ver, com certeza que o quereríamos alterar. E se não fosse possível? Como encararíamos a vida sabendo que o que nos espera no futuro é uma tremenda desilusão?

Por outro lado, se o que vislumbrássemos fosse uma espécie de sonho tornado realidade não poderíamos cair no erro de dá-lo como garantido? Não deixaríamos de nos esforçar? Que implicações teria tal comportamento?

 

Pensando bem, o desconhecimento acaba por nos dar mais motivação, torna-nos a vida mais leve.

Fernando Pessoa tinha razão:

Ah, poder ser tu, sendo eu!

Ter a tua alegre inconsciência,

E a consciência disso! Ó céu!

Ó campo! Ó canção! A ciência

 

Pesa tanto e a vida é tão breve!

Entrai por mim dentro! Tornai

Minha alma a vossa sombra leve!

Depois, levando-me, passai!

 

 (Imagem aqui)

 

 

Concordam?

Qual é a vossa opinião? 

Espreitavam?

24
Out18

A vida (mais ou menos) como é...

C.S.

Somos eternos insatisfeitos.

Bem sabemos...

Queremos sempre o que jamais teremos. 

Complicamos a nossa vida.

Aos 5 só queremos gastar todas as horas do dia a brincar. O tempo nunca é suficiente. 

Quando temos 15 queremos ser adultos, conduzir, experimentar tudo...

Chegam os 20 e tudo nos parece possível, exceto o dinheiro para não ter de depender dos pais.

Aos 30 desejamos poder ter 20 outra vez, repetí-los eternamente.

Nos 40 queremos que tudo esteja estável, mas a vida não é assente em pilares, mas sim em pântanos. Temos de aprender onde pisar. 

Aos 50 sentimos uma juventude fictícia.

Já nos 60 lembramo-nos melhor do que aconteceu aos 15 do que aquilo que jantámos ontem.

Nos 70 queremos acreditar que os filhos e os netos ficarão para sempre bem.

Aos 80 desejamos não ter dores.

Nos 90 existem dois tipos de pessoas: as que desejam chegar aos 100 e as que desejam morrer.

(Imagem aqui)

 

01
Mar18

Deixa-te ir...

C.S.

06:50h

 

Escrevo-vos de um dos lugares dianteiros de um autocarro.

Atrás de mim estão mais de trinta jovens adolescentes entusiasmados e que falam tão alto que nos é difícil acreditar que acordaram há menos de uma hora. 

Vamos a Lisboa e o dia não está para brincadeiras. Ainda assim, esperam-nos para uma peça de teatro no Jerónimos, durante a manhã, e uma exposição à tarde. 

Os dias de chuva, só por si, são melancólicos, juntem-lhes uma viagem longa de autocarro e têm o pack completo.

Olho para os miúdos e penso no que me distingue deles... 

A idade, obviamente. E com ela?

A experiência? Em quê? 

Deixamos a vida correr. Ela acontece inevitavelmente. Molda-nos como se fôssemos um pedaço de argila. 

Mas somos verdadeiramente mais dotados aos 30 que aos 15? 

Ou simplesmente encaramos os medos de outra forma? 

Mais destemida? Não me parece... 

Mais camuflada, talvez. 

Às vezes sinto um peso enorme nos ombros e julgo que não se deve apenas aos vestígios que me ficam no corpo do treino funcional. 

Responsabilidade. Pesa como o caraças!

Talvez seja essa a grande diferença entre a juventude e a vida adulta. Invariavelmente a responsabilidade apanha-nos. Às vezes apetecia-me fugir dela e usaria sete pés se os tivesse. Acreditem.

No entanto, sinto-me mais livre hoje.

Mais livre aos 30 que aos 15.

Sem dúvida. 

Fecho os olhos. Respiro fundo. E ponho a playlist a tocar. 

 

 

 

15
Fev18

Inquietações

C.S.

Houve um tempo em que eu saltaria de paraquedas sem pensar duas vezes. Consigo identificar bem esse tempo porque sei exatamente o momento em que terminou. 

Gosto de pensar que hoje ainda me atreveria a saltar. Mas pensaria muito mais sobre o assunto. Sentir-me-ia muito mais atemorizada. 

Diz-se que a idade molda-nos e traz-nos medos. A idade. E as circunstâncias? Se eu não tivesse chocado frontalmente com uma árvore, aos 24 anos, talvez eu ainda fosse uma pessoa dessas que se atiram de cabeça sem pensar duas vezes. Talvez fosse mais livre. Livre de medos, pelo menos.

Às vezes dou por mim a pensar que quero ser aventureira. Que teria coragem de ir sem saber onde. E teria. Sei que teria. Desde que fosse acompanhada. 

Outras vezes nasce em mim a vontade de fazer uma viagem sozinha. Talvez para me descobrir. Talvez para me testar. Talvez para provar que até consigo ser destemida. Mas no meu intimo sei que não me vejo à deriva sozinha. E isto aflige-me. Porque me sinto condicionada.

Esta inquietação antitética faz parte do que sou. Mas o que seria se não a tivesse? Como seria a minha vida se estas dúvidas não residissem em mim? 

Creio que não me resta mais nada a não ser continuar à procura de respostas para as quais nem sei se tenho as perguntas certas.

Este mar que há em mim às vezes fica revolto. 

(Imagem aqui)

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