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há mar em mim

19
Out18

Corrupção

C.S.

Corrupção (s.f.)

(latim corruptio-onisdeterioraçãoseduçãodepravação)

 

1. Ato ou efeito de corromper ou de se corromper.

2. [Antigo]  Deterioração física de uma substância ou de matéria orgânicapor apodrecimento ou oxidação (ex.: após vários meses no mara corrupção dos mantimentos era inevitável). = DECOMPOSIÇÃO, PUTREFAÇÃOPUTRESCÊNCIA

3. Alteração do estado ou das características originais de algo. = ADULTERAÇÃO

4. Comportamento desonestofraudulento ou ilegal que implica a troca de dinheirovalores ou serviços em proveito próprio (ex.: os suspeitos foram detidos sob alegação de corrupção e desvio de fundos).

5. [Figurado]  Degradação moral (ex.: corrupção de valores). = DEPRAVAÇÃOPERVERSÃO

 
In Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, [consultado em 18-10-2018].
 

(Imagem aqui)

Se alguém me perguntasse eu diria que esta é a palavra que tem definido Portugal nos últimos anos. Pode ser uma afirmação injusta? Irrefletida? Pode, sem dúvida. Mas não deixa de ser aquilo que sinto e penso.
Tenho a sensação que 3 em cada 5 notícias, sobre o nosso país, visam este tema e não creio que seja algo dos nossos dias, mas talvez hoje se investigue mais e se tente expor mais os casos que ocorrem. Se assim for, ainda bem. Espero que continuem a fazê-lo. Mas têm de fazê-lo com mais ferocidade e, sobretudo, com mais pulso firme na hora de aplicar sentenças.
 
A corrupção existe. É feita com intenção e, julgo que quase sempre, para satisfazer interesses próprios. 
Quanto a mim, este tema espelha uma sociedade apodrecida, onde não se olha a meios para atingir fins. A corrupção é como uma praga que dizima valores e gente honesta. A corrupção escarnece de quem trabalha e se esforça para pagar as suas contas. Cospe em quem deveria ser reconhecido por mérito. Pisa quem se rege pela verdade e transparência. 
 
Infelizmente, muitos casos que são detetados não têm a devida punição e permite-se que se pague corrupção com penas suspensas e recurso a dinheiro. Dinheiro! Dinheiro que, ironia das ironias, é normalmente o fator que leva as pessoas a corromperem-se. 
 
Anseio pelo dia em que a palavra corrupção comece a ser esquecida e, por fim, caia totalmente em desuso. Quando é que esse dia chegará para Portugal?
 

3096-CHARGE-ACABAR-COM-A-CORRUPÇÃO-27-07-2018.jp

(Imagem aqui)

 
 
07
Nov17

Eu tinha razão em não querer saber

C.S.

Ouvi e vi na tv e na internet, durante todo o fim-de-semana, referências a acontecimentos violentos que ocorreram numa discoteca em Lisboa. E sempre que o tema veio ter comigo eu evitei-o.

 

Porquê? É simples. Estou cansada de violência. É algo que aumentou exponencialmente nos últimos anos, pelo menos é assim que eu o sinto. E não, não me refiro só aos atentados, que por enquanto ainda vão acontecendo além fronteiras. Se bem que eu sinto-os já aqui, mas adiante... Refiro-me também ao nosso país, à nossa cidade, à nossa rua... A violência está a tornar-se banal e isso é assustador.

 

Assusta-me que estejamos a habituarmo-nos a um nível tão grande de violência ao ponto de deixarmos de sentir compaixão. Vejo-o por aí... Vejo-o nos mais novos. E é aterrador.

 

Evitei as notícias sobre a discoteca Lisboeta, porque me é fácil imaginar o que terá acontecido, pois já não foi a primeira vez. Todavia, ontem ao jantar eu e o A. conversávamos despreocupadamente, sobre tudo e nada, até que ele diz:

- Vi imagens sobre aquilo que aconteceu no Urban.

Ainda não tínhamos mencionado o assunto cá em casa e eu deveria ter ficado caladinha, mas disparei:

- Ah sim?! E então?

Estava a jantar e não estava preparada para o breve relato que veio a seguir. Ainda que ele não tenha aprofundado grande coisa, porque já sabe como eu sou. Ainda assim, um arrepio percorreu-me o corpo ao ouvi-lo e, imediatamente, lembrei-me de um filme que jamais esquecerei devido à violência nele contida: América Proibida. Esta lembrança e o saber que há gente aqui tão perto disposta a tamanhas barbaridades deixou-me com os olhos rasos de água.

 

Sou tola, eu sei. Mas sempre que puder vou evitar a violência o mais que possa. Não é que queira viver num mundo ilusório, é que a realidade dói-me.

(Imagem aqui)

28
Abr17

Para onde caminhamos?

C.S.

Quando eu era adolescente e não foi assim há tanto tempo, tendo em conta que tenho 30 anos, as emoções e sentimentos andavam ao rubro. E não só as minhas, também as dos meus amigos e colegas, claro. Alguém não ter correspondido ao nosso olhar ou ao nosso sorriso podia ser o fim do mundo, assim como um aceno de cabeça poderia encher-nos o dia. 

Chorávamos e riamos com imensa facilidade. Zangavamo-nos, gritávamos e, às vezes, existiam discussões que poderiam levar meses a passar. 

A minha geração foi a primeira a levar telemóvel para a escola. Aprendemos a enviar sms com tal destreza que era muito difícil um professor apanhar-nos. Inventámos abreviaturas para tudo e mais alguma coisa, porque as sms pagavam-se ao preço do ouro. 

A minha geração passou por imensas transformações e fomo-nos moldando com o tempo. Mas não me lembro de haver entre nós maldade genuína. Intenção de fazer mal. Gosto em ver o outro mal. Logicamente que pessoas más sempre houve e sempre haverá. Mas parece-me que estas novas gerações estão mais propensas para a maldade. Estão mais à mercê das pessoas más. 

 

Que história vem a ser esta do jogo da baleia? 50 desafios que culminam em suicídio? Como se trava isto? Como podem os pais não ficar histéricos perante estas notícias?

Eu não tenho filhos e quando ouço estas coisas pergunto-me se realmente terei capacidade para ter um filho. Como se sentirá um pai e uma mãe que sabe que o filho se envolveu em tal esquema?

Quero acreditar que muitos dos miúdos que entram neste jogos são aqueles que estão menos acompanhados e, por esse motivo, mais suscetíveis. Mas quem os protege? Quem terá capacidade para controlar esta praga? 

Estas notícias são assustadoras. Hoje em dia os miúdos tem acesso a tudo e é muito fácil serem seduzidos. Mais que não seja para conseguirem aprovação e nós sabemos que há muitos adolescentes que, neste momento, fazem tudo para serem notícia. Para aparecerem. Para terem seguidores. Para serem populares, famosos e virais. E é aqui que reside o grande calcanhar de Aquiles da atualidade. 

Caminhamos para o abismo?

 

 (Imagem aqui)

 

(Não é um bom pensamento para terminar a semana. Mas é a atualidade que temos.)

 

19
Abr17

Esta sociedade em que vivemos

C.S.

Arrisco-me a afirmar que a humanidade está mais desenvolvida que nunca, em todas as áreas: ciência, tecnologia, medicina... Temos tudo mais avançado e acessível que há 10, 20, 50, 100 anos atrás. Mas somos humanos e nunca estamos satisfeitos. 

A esperança média de vida não para de aumentar, mas deixámos de beber leite, porque nos pode matar e só os humanos bebem leite depois de adultos, fazemos mil e uma dietas, para vivermos mais tempo, gastamos rios de dinheiro em cremes da moda, para que não vejam os sinais do tempo a passar por nós e questionamos os avanços alcançados, porque temos de duvidar sempre de alguém ou de alguma coisa.

Uma miúda morreu com sarampo. Uma miúda morreu porque contraiu sarampo e não estava vacinada. Uma miúda, com apenas dezassete anos, morreu porque atrás do sarampo veio uma terrível pneumonia. 

E nada disto faz sentido. Os pais desta miúda, que eram anti vacinação, devem estar devastados, arrastando consigo uma culpa enorme, insuportável e destruidora. 

O sarampo, que eu pensava estar erradicado, voltou. Ceifou uma vida. Afinal as doenças só estão controladas enquanto adotamos comportamentos preventivos. 

Uma miúda de dezassete anos morreu devido a sarampo e nada disto faz sentido em pleno ano de 2017, numa Europa que se diz desenvolvida e que todos os dias fecha os olhos aos milhares de pessoas que lhe pedem ajuda. 

 

(Imagem aqui)

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